Coleta de lixo com tração animal

por Adalberto Leão Bretas

Estamos chegando ao século XXI. Já atingimos a Lua, os computadores e os meios de transporte estão cada vez mais ágeis e eficientes. Para a coleta e transporte do lixo existem os caminhões coletores compactadores dotados de dispositivos hidráulicos e outras tecnologias avançadas. Todavia, mesmo parecendo um contra senso, existe no Brasil a coleta do lixo, regularmente descartado por uma população, através do sistema de carroça tracionada por força animal (cavalo, boi e outros). A sensação de algumas pessoas é a de estar voltando ao passado. Elas fazem pilhérias e chegam a condenar administrações municipais por utilizar um método tão arcaico e ultrapassado. Somente pensa assim quem ainda não conhece bem determinadas cidades brasileiras ou somente freqüenta centros urbanos com vias e ruas sempre bem pavimentadas e mantidas. O grande crescimento populacional brasileiro tem acarretado vários problemas sociais. Entre eles, a moradia - cujas populações se assentam cada vez mais em periferias, que geralmente se encontram em locais de difícil acesso. Existem também as favelas com arruamentos estreitos e precários, apresentando vielas onde a coleta do lixo através da carroça com tração animal pode ser uma das soluções. Outro fato que propicia a adoção desse sistema de trabalho está na grande quantidade de mão-de-obra desqualificada existente nas cidades brasileiras. O custo do investimento na carroça e animal é de aproximadamente R$ 1.000,00 e os proprietários recebem um salário mensal de R$ 230,00 a R$ 340,00 por um trabalho com freqüência alternada ou diária. Os carroceiros podem prestar serviços terceirizados diretamente às municipalidades como é o caso do S.L.U. em Brasília, ou as próprias empresas especializadas em coleta de resíduo sólido como é o caso da Lara - Comércio e Prestação de Serviços LTDA, na cidade de Rio Branco(AC). A carroça possui capacidade normal de coleta entre 180 a 200 quilos de lixo por vez e os deposita em contêineres próximos para serem basculados através de caminhões coletores compactadores. Estes por sua vez, devem estar dotados de dispositivos hidráulicos inferiores e superiores (guincho de teto). O sistema funciona como uma pequena estação de transbordo situado em cada setor de coleta. Vários são os municípios brasileiros que se utilizam deste sistema e dentre eles citamos Brasília (DF), Rio Branco (AC), Terezina (PI) e Guarapari (ES). Há necessidade de esclarecer que o sistema de coleta de detritos urbanos com carroça e tração animal somente deve ser concebido em locais de difícil acesso. Nestes bairros, há necessidade de proteger a saúde local e a coleta do lixo deve ser feita da melhor forma possível. O sistema deve ser evitado em localidades bem pavimentadas onde o caminhão coletor e equipe adentram sem dificuldades, pois apresentam menores custos em função da economia de escala através do sistema motorizado. Geralmente, os carroceiros trabalham sete horas diárias: das 06:00 às 13:00 horas ou das 7:00 às 14:00 horas, quando os resíduos sólidos já devem estar depositados nos diversos contêineres espalhados nos setores de coleta. Após este horário os caminhões coletores basculam estes contêineres, coletando o lixo em suas caixas compactadoras para posterior transporte e deposição no sistema de destino final.

Como vantagens para empregarmos os carroceiros na coleta e transporte do lixo, podemos citar:

• aproveitamento de mão-de-obra desqualificada;
• proteção à saúde pública em locais de difícil acesso;
• custos razoáveis;
• acesso aos locais com arruamentos precários, onde o caminhão coletor comum não consegue chegar;

As desvantagens para utilizarmos os carroceiros são:

• aparência de método ultrapassado
• baixa velocidade de coleta
• baixa capacidade de coleta

O que não pode faltar para a cidade que utiliza o recolhe de lixo através de tração animal:

• a cidade necessita ser conteineirizada com a aquisição de caixas metálicas e caminhões coletores compactadores, possuindo dispositivos hidráulicos (braços mecânicos)
• necessidade de fiscalização assídua por parte da empreiteira ou municipalidade para que o sistema não falhe na falta do carroceiro..