TEMA III – RESÍDUOS SÓLIDOS

           III.5 – REDUZIR / RECICLAR / REUTILIZAR

 

TÍTULO DO TRABALHO: Ecopneu: solução da COMLURB para

gerenciamento de pneus inservíveis  

 

AUTORES: Elinor Mendes Brito: Diretor de Serviços Oeste da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (COMLURB). Sociólogo e Professor de História Econômica Moderna e Contemporânea – Universidade de Paris VIII – Vincennes – 1977

                  Endereço: Estrada do Magarça n° 1, Campo Grande, Rio de Janeiro, CEP 23.035-380

                  Telefones: 3156-6456; 3156-6486 (comerciais)

                                       2205-3484 (residencial)

                  E-Mail: fuentesbrito@aol.com.br

 

  Antonio Fernando Novaes de Magalhães: Assessor Chefe da Diretoria de Serviços Oeste da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (COMLURB). Engenheiro Civil – Universidade do Estado da Guanabara – Rio de Janeiro - 1967.

 

                        Márcia Elisa Ferreira Fontes: Coordenadora de Projeto da Diretoria de Serviços Oeste da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB). Bacharel em Direito – Instituto Metodista Bennet – Rio de Janeiro - 1998

 

                        Almir Chagas: Coordenador de Processo da Diretoria Oeste da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB). Engenheiro Civil – Universidade Veiga de Almeida – Rio de Janeiro – 1978

 

 

 

 

 

Ecopneu: solução da COMLURB para

gerenciamento de pneus inservíveis

 

1.  Objetivo do trabalho

Até o início do ano de 2001, milhares de pneus inservíveis eram descartados nas vias públicas, terrenos baldios, rios e lagoas do Município do Rio de Janeiro, com predominância nas regiões oeste e norte da cidade, causando graves prejuízos ao meio ambiente, à saúde da população e à estética urbana.

 

Passivo ambiental causado pela disposição irregular de carcaças de pneus

 

Foto do Jornal O Dia – Rio de Janeiro de 26/1/2002

“Centenas de pneus acumulam água e atraem mosquitos ...”

 

Disposição de carcaças de pneus em via pública

 

Queima de pneus acumulados em terreno: caos urbano

 

Diante deste grave problema de limpeza e de saúde, foi elaborada, pela COMLURB, uma Política de Gerenciamento de Pneus Inservíveis, que vem produzindo excelentes resultados, com a eliminação de mais de 95% dos problemas decorrentes do descarte inadequado de pneus, estando este modelo em vias de ampliação para a região metropolitana do Rio de Janeiro e para outros locais do Estado.

Desta forma, foram criados os  Ecopneus,  conceito que se aplica a borracharias, cujos donos (filiados a uma Associação) se dispuseram a receber e armazenar temporariamente pneus inservíveis, descartados pelo próprio estabelecimento e por comerciantes próximos, em condições ambientalmente adequadas, ficando os pneus em locais cobertos, inspecionados e tratados para evitar proliferação de mosquitos transmissores do dengue. Quando há pneus inservíveis em quantidade suficiente para uma carga de caminhão, o responsável pelo Ecopneu comunica-se com o órgão local da COMLURB, que envia o veículo para transportar os pneus até depósitos centrais. Alguns responsáveis por Ecopneus transportam as carcaças em seus próprios caminhões.

 

Ecopneus – borracharias credenciadas pela COMLURB que armazenam pneus inservíveis próprios e de comerciantes das redondezas

 

 

Um dos dois depósitos centrais de pneus inservíveis, a partir dos quais a ANIP organiza o transporte até destino ambientalmente adequado

 

2.  Metodologia utilizada

A COMLURB tomou a iniciativa de estudar o assunto, elaborando pesquisa em relação à origem dos pneus inservíveis, descartados irregularmente em áreas públicas e terrenos.

 

        Descarte de pneus inservíveis em 2001, conforme pesquisa elaborada pela COMLURB

 

          

A COMLURB determinou também, através de pesquisa de 2001,

 o ciclo de vida dos pneus, desde sua fabricação até seu descarte

 

A partir das informações provenientes das pesquisas, a COMLURB incentivou e apoiou a criação de Associação de Borracheiros (com mais de 500 borracheiros associados) e providenciou contato com a ANIP (Associação Nacional da Indústria Pneumática).  As Sub Prefeituras da Zona Oeste do Rio de Janeiro tiveram importante participação no processo de reuniões, discussões e apoio na constituição da Associação de Borracheiros.

Desta forma, foram concebidos e implantados, até abril de 2003, 54 pontos de recepção de pneus inservíveis na Zona Oeste, 9 na Zona Norte e 2 na Zona Sul do Rio de Janeiro, além de dois depósitos centrais de pneus.

A indústria de pneus (representada pela ANIP) em parceria com a  COMLURB e atendendo à Resolução 258 do CONAMA, estabeleceu (às suas próprias expensas) sistema de carregamento das carcaças a partir dos depósitos centrais da COMLURB, transportando-as em carretas até São Paulo,  onde os pneus são triturados e aproveitados como combustível na indústria cimenteira, destino final ambientalmente adequado.

No município do Rio de Janeiro, decreto da Prefeitura criou grupo de trabalho com o objetivo de analisar a viabilidade do aproveitamento de pneus inservíveis na composição de misturas asfálticas. Concluiu-se que a mistura é viável, aumentando a durabilidade e a aderência da pavimentação, a custos compatíveis. Foram efetuadas experiências bem sucedidas em algumas vias da cidade, mas o processo ainda não está sendo utilizado de maneira intensiva.

 

Resolução 258 do CONAMA – Resumo

1.       A partir de 1º de janeiro de 2002, para cada 4 pneus novos fabricados no país ou importados (inclusive aqueles que acompanham os veículos importados), as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final ambientalmente adequada a 1 pneu inservível.

2.      A partir de 1º de janeiro de 2003, para cada 2 pneus novos fabricados no país ou importados (inclusive aqueles que acompanham os veículos importados), as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final ambientalmente adequada a 1 pneu inservível.

3.      A partir de 1º de janeiro de 2004, para cada pneu novo fabricado no país ou importado (inclusive aqueles que acompanham os veículos importados), as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final ambientalmente adequada a 1 pneu inservível. Para cada 4 pneus reformados importados, de qualquer tipo, as empresas importadoras deverão dar destinação final a 5 pneus inservíveis.

4.      A partir de 1º de janeiro de 2005, para cada 4 pneus novos fabricados no país ou importados (inclusive aqueles que acompanham os veículos importados), as empresas fabricantes e as importadoras deverão dar destinação final ambientalmente adequada a 5 pneus inservíveis. Para cada 3 pneus reformados importados, de qualquer tipo, as empresas importadoras deverão dar destinação final a 4 pneus inservíveis.

 

 

3. Resultados obtidos

 

                   Em 2001, estimou-se que o município do Rio de Janeiro descartou cerca de 581.000 pneus, sendo parte deles lançados clandestinamente e parte armazenados inadequadamente em borracharias, empresas de transporte e em outros locais. O passivo ambiental de dezenas de milhares de carcaças de pneus armazenadas inadequadamente fugia então ao controle dos órgãos do governo.

                   Com a implantação do Sistema de Gerenciamento de Pneus Inservíveis, tanto o passivo ambiental quanto a geração de novas carcaças de pneus passaram a ter destinação ambientalmente adequada.

Os Depósitos Centrais de Pneus da COMLURB receberam, desde janeiro de 2002 até abril de 2003, 4.219.200 kg de pneus inservíveis. Considerando uma média de 10 kg/pneu, teremos dado destino ambientalmente adequado a cerca de 422.000 pneus. Destes depósitos saíram diariamente uma média de 19 carretas por mês para a indústria de cimento de Jundiaí, SP. Nas atividades de recepção, armazenamento e carregamento de pneus no Depósito Central são assegurados 6 postos de trabalho e renda, custeados pela ANIP.

Atualmente considera-se o problema de descarte inadequado de pneus inservíveis praticamente resolvido no município do Rio de Janeiro. Os pneus velhos deixaram de ser ameaça para o meio ambiente, pretendendo-se, no entanto, aperfeiçoar a forma de armazenamento de carcaças nos Ecopneus, de modo a evitar, de maneira rigorosa, a acumulação de água, que propicia a proliferação de mosquitos transmissores do dengue.

 

                             Folheto de campanha da ANIP

 

4.             Conclusões

 

Combater e eliminar o quadro de absoluta desordem urbana da Zona Oeste do Rio de Janeiro, como a região mais poluída da cidade em matéria de descarte clandestino de pneus, foi o grande desafio que se apresentava em 2001

         A solução para o problema apontou na direção de 4 ações políticas articuladas: antecipação à Resolução 258/99 do CONAMA, organização dos borracheiros em associação, implantação de estrutura voluntária de captação de pneus velhos (Ecopneus) e enquadramento institucional dos fabricantes e importadores de pneus, determinando claramente as responsabilidades dos fabricantes, do poder público e da sociedade.

 

5. Bibliografia

 

1.       Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – SEDU – IBAM – José Henrique Penido Monteiro et al.

2.     Lixo Municipal – Manual de Gerenciamento Integrado – CEMPRE – IPT – Maria Luiza Otero D’ Almeida, André Vilhena

3.     O que é preciso saber sobre limpeza urbana – IBAM – CPU - Mansur, Gilson Leite et Monteiro, José Henrique R. Penido

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ECOPNEU