Jornal do Brasil- 14/12/1999

Reciclagem do lixo no Estado do Rio de Janeiro terá mais 66 áreas

Estado do Rio de Janeiro vai investir R$ 11 milhões em mini-usinas e aterros sanitários

DANIELE LUA

Até 2002, o Estado do Rio terá 66 novas áreas destinadas a reciclagem de lixo. Orçado em R$ 11 milhões, o programa Pró-Lixo, do governo estadual, pretende resolver o problema do destino do lixo com a construção de mini usinas de reciclagem e aterros sanitários de pequeno porte. O programa foi anunciado depois da denúncia, publicada domingo no JORNAL DO BRASIL, de que, ao longo de duas décadas, US$ 50 milhões foram jogados no lixo com a construção de 11 usinas que, hoje, estão desativadas ou tiveram suas obras definitivamente paralisadas.

O programa faz parte do Plano Diretor de Lixo, que será entregue pelo secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Alexandre Cardoso, ao governador Anthony Garotinho até fim desta semana. No plano, está previsto ainda a realização de um seminário, ainda sem data marcada, para discutir a questão do lixo e a solução de seu destino final.

Já o secretário de Meio Ambiente, André Correa, garante que o Pró-Lixo não terá o mesmo destino das usinas de reciclagem porque, além de apresentar uma estrutura de menor porte, representa um custo pequeno no orçamento das prefeituras - cerca de R$ 6 mil mensais. No projeto, serão beneficiados 66 municípios com menos de 70 mil habitantes. Cada unidade terá um centro de separação e reciclagem - cuja estrutura, formanda basicamente por esteiras, será montada em um galpão - um aterro sanitário, e uma área, de terra batida, destinada para a transformação do lixo em adubo.

Segundo André Correa, o programa pretende também estimular o processo de coleta seletiva e o desenvolvimento da educação ambiental. "Já entramos em contato com empresas, que por meio de parceria, vão adquirir o material produzido", detalha André. O programa será gerenciado por uma empresa terceirizada. O estado ainda vai abrir o processo de licitação para a escolha da empresa. As primeiras mini-usinas serão construídas nos municípios de Miguel Pereira e Paulo de Frontin.

De acordo com o secretário, a criação do programa foi discutida e aprovada por todos os prefeitos. "Estas prefeituras terão um custo mensal médio para a operação de R$ 6 mil. As outras usinas construídas no estado não foram feitas com uma lógica de planejamento integrado. O estado oferecia, o município aceitava sem analisar os custos futuros", afirmou André.

Transporte marítimo do lixo do município do Rio de Janeiro

A partir de fevereiro, a Comlurb vai utilizar o transporte marítimo para levar o lixo até o Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, via Baía de Guanabara. A medida pretende desafogar o trânsito na Avenida Brasil e melhorar a condição de vida dos moradores do bairro. Deixarão de circular 220 carretas, que fazem diariamente o trajeto com cerca de 3 mil toneladas de lixo, saindo da Estação de Transferência de Resíduos Sólidos Urbanos do Caju em direção ao Aterro Sanitário de Gramacho.

O projeto foi financiado pelo BNDES, que custeou R$ 17 milhões, e pela empresa Bauen, que ganhou a licitação e investirá R$ 13 milhões. "A Comlurb continuará pagando o mesmo pelo serviço, ou seja, R$ 8,99 por tonelada transportada", informa José Bulus, diretor técnico e industrial da Comlurb. Os recursos serão aplicados na aquisição de cinco balsas porta-contêineres, 240 contêineres, 2 guindastes de grande porte, 2 embarcações e na construção da estações de carregamento e descarregamento de lixo.

Segundo Bulus, o projeto já foi aprovado pela Feema e pela prefeitura de Duque de Caxias. "Os resíduos serão transportados por contêineres devidamente lonados e estanques, sem qualquer possibilidade de poluição da baía", afirma. A Feema, no entanto, concedeu uma licença prévia e ainda está em fase de final de análise do pedido de licença de instalação do porto. "Estou aguardando o parecer dos técnicos. Mas o empreendimento é uma coisa boa para a cidade. Hoje, há uma sobrecarga da Avenida Brasil. Desde que esteja tudo em conformidade com a legislação ambiental, a Feema não vê nenhum problema em aprovar o projeto", disse o presidente da Feema, Axel Grael, que irá analisar a atividade como um todo, desde o deslocamento do lixo pela baía até as instalações de embarque no Caju e as de recebimento em Gramacho. "A nossa maior preocupação, no entanto, era com a segurança da embarcação. Mas, segundo nos informaram, o lixo será transportado em contêineres fechados", disse. Segundo ele, para o desembarque, será necessário uma dragagem de um banco de areia na foz do rio para possibilitar o acesso ao canal em Gramacho.

A existência do Aterro Sanitário, no entanto, está com os dias contados. "Vamos fechar Gramacho em dezembro de 2004 por causa do acordo fechado com o Ministério Público Federal, que depois de vários processos determinou esse prazo", explicou.