Seu lixo é prejudicial ao meio-ambiente?

Nova Iorque e Virgínia declaram a guerra do lixo

Ambientalistas dizem que, a não ser que as cidades façam um bom trabalho de reciclagem, o Estado de Nova Iorque não será o único a procurar lugares onde depositar seu lixo.

20 de janeiro de 1999

NOVA IORQUE (CNN) O lixo é um dos itens mais exportados pela Cidade de Nova Iorque. Mais de quatro mil toneladas de lixo urbano cerca de 400 caminhões são enviadas diariamente para depósitos e aterros fora do estado. Pode parecer um negócio sujo, mas é uma atividade bastante lucrativa. Nova Iorque gasta mais de US$ 71 milhões por ano para se livrar de seu lixo.

E isso rende muito dinheiro a estados como a Virgínia, o segundo maior importador de lixo do país, atrás somente da Pennsylvania.

Então por que reclama agora o governador da Virgínia?

"Quando descobrirem que o lixo vem de Nova Iorque, esse assunto vai se tornar ainda mais uma questão política", disse Eric Goldstein, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

 

Turistas são causa de poluição?

O prefeito de Nova Iorque, Rudy Giuliani, esquentou a discussão política na semana passada ao apontar o grande número de turistas de outros estados que visitam a cidade como o motivo por que esses estados deveriam aceitar em troca o lixo nova-iorquino.

Já esta semana, Giuliani cedeu: "É um negócio. As pessoas são pagas para recolher o lixo dos outros. Se levam o lixo, levam também muito dinheiro", disse ele. "Se não quiserem o lixo ou o dinheiro, tudo bem."

O governador da Virgínia, James Gilmore, insiste que seu estado não vai se tornar o aterro sanitário de Nova Iorque. "É claro que o prefeito não tem razão ao sugerir que, por visitarem Nova Iorque ocasionalmente, os habitantes da Virgínia têm alguma obrigação moral", retrucou Gilmore. "Acho que nenhum estado pensa dessa forma".

Giuliani diz que nunca mencionou a palavra "obrigação". "Eu nunca disse que eles têm de ficar com o lixo", esclareceu Giuliani. "Eu disse que, se eles quisessem fazer negócio conosco, estaríamos dispostos a negociar."

Gilmore quer que o Estado da Virgínia não se dedique tanto ao negócio de resíduos sólidos. Na semana passada, ele anunciou que quer limitar a entrada de lixo de outros estados e impedir que barcas levando refugos trafeguem pelos cursos dágua da Virgínia. Ele estava reagindo à informação de que a Waste Management Inc., uma firma de destinação final de resíduos, tinha a intenção de trazer mais 4 mil toneladas diárias de lixo nova-iorquino para a Virgínia.

Em 1987, uma barca de lixo de Nova Iorque permaneceu no mar durante vários meses, incapaz de encontrar um porto.

 

Luta pelo lixo bastante equilibrada

Mas o ambientalista Goldstein diz que os dois lados dessa guerra do lixo estão equivocados.

"Nem Nova Iorque nem Virgínia tem a vantagem moral", disse Goldstein. "Há muitos anos, Nova Iorque não investe o necessário em melhorias de seus programas de reciclagem e redução de resíduos. E estados como a Virgínia concordaram com a construção desses gigantescos mega-aterros", denunciou Goldstein.

Nova Iorque já enfrentou antes a rejeição de seu lixo. Em 1987, uma barca de lixo nova-iorquina permaneceu no mar durante vários meses, incapaz de achar um porto. Foi uma situação extrema.

Mas o único aterro de Nova Iorque está quase lotado e será fechado nos próximos dois anos.

Os ambientalistas dizem que, a não ser que as cidades melhorem os programas de reciclagem e que os americanos consigam reduzir a produção de lixo, o Estado de Nova Iorque não será o único a procurar locais para depositar seu lixo.