PANORAMA DAS USINAS DE BENEFICIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

 

J. AZEVEDO1; E. V. SILVA FILHO2 ; R. N. DAMASCENO3 ; L. C. A. NASCIMENTO 4

 

1.      jeffazevedo@uol.com.br - IBGE/DGC/DERNA e UFF/Depto. Geoquímica, GEO

2.      geoemma@vm.uff.br - UFF/Depto. Geoquímica, GEO

3.      cepard@uol.com.br - UFF/Depto. Geoquímica, GEO (Consultor) e Fundação Educacional Dom André Arcoverde

4.      luzgraça@uol.com.br - Professor Universitário e Doutorando(Escola de Química / UFRJ)

 

RESUMO

 

O trabalho apresenta informações sobre as usinas de beneficiamento de lixo no Estado do Rio de Janeiro. A metodologia utilizada consistiu essencialmente de levantamento bibliográfico, atividades de campo e entrevistas. Os dados mostram que no Estado, foram investidos a partir de 1970, aproximadamente, US$ 50 milhões na construção de usinas de reciclagem/compostagem. Sendo que das 29 usinas de beneficiamento de lixo implantadas e/ou em implantação no Estado; apenas 13 encontram-se no momento em operação. As razões mais comuns para o não funcionamento das usinas de modo geral, são: as questões operacionais, aspectos econômicos e legais, além do interesse político dos governantes.

 

PALAVRAS-CHAVE: Usina de lixo, Beneficiamento de resíduos sólidos urbanos, reciclagem, compostagem e gestão ambiental.

 

INTRODUÇÃO

 

Um grande número de localidades urbanas e rurais, em todo mundo, vem sofrendo transformações ambientais danosas decorrentes do crescimento populacional, industrial e da oferta de bens de consumo descartáveis, gerando o lixo e resíduos industriais diversos, que necessitam cada vez mais de vazadouros e/ou aterros sanitários para sua disposição, muitas das vezes inadequadas a esse fim. Sem a infra-estrutura necessária para oferecer a destinação adequada aos resíduos sólidos, muitas dessas áreas tornam-se freqüentemente soluções improvisadas ou emergenciais, que acabam por se transformarem em definitivas, gerando uma série de transtornos que por vezes se refletem em problemas graves de saúde pública.

No caso do Estado do Rio de Janeiro, a urbanização que vêm ocorrendo ao longo do tempo, aumentou a produção de resíduos urbanos sólidos, devido a uma série de fatores, tais como: crescimento populacional, industrial e da oferta de bens de consumo descartáveis.

Por esses motivos, a partir da década de 70, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES, propôs às prefeituras municipais do Estado do Rio de Janeiro, uma linha de crédito específica para a compra de equipamentos, visando a triagem e compostagem do lixo urbano.

Nesse sentido, vale destacar que são poucos os municípios fluminenses que implantaram, estão implantando, ou, planejando a instalação de usinas ou sistemas de beneficiamento de resíduos sólidos. Pois, uma das principais dificuldades de se empreender uma ação concreta de beneficiamento e destinação de resíduos sólidos urbanos, além dos problemas políticos, econômicos e administrativos, reside na ausência de informações técnicas compatíveis com as dimensões e características das localidades interessadas.

Assim, a carência de estudos econômicos e ambientais sobre o beneficiamento do lixo no Estado do Rio de Janeiro tem dificultado o planejamento e gestão dos resíduos sólidos no Estado.

Desta forma, o presente estudo tem o intuito de apresentar informações sobre as usinas de beneficiamento de lixo no Estado .

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

A metodologia utilizada no desenvolvimento do trabalho consistiu essencialmente: (1) Revisão da literatura.(2) Entrevistas com os responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos nos municípios do Estado do Rio de Janeiro. (3) Análise e tratamento dos dados.

 

RESULTADOS OBTIDOS

 

De acordo com AZEVEDO (2000) e os responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos nos municípios do Estado do Rio de Janeiro (1999), das 29 usinas de beneficiamento de resíduos sólidos urbanos implantadas e/ou em implantação no Estado; apenas 13 encontram-se no momento em operação, 5 com obras paralisadas, 5 paralisadas, 2 construídas, 2 em construção e 2 desativadas. As razões mais comuns para o não funcionamento das usinas de modo geral, são: as questões operacionais, aspectos econômicos e legais, além do interesse político dos governantes (Tabela 1) (Figura 1).

 

Tabela 1 – Situação das usinas de beneficiamento de resíduos sólidos urbanos no Estado do Rio de Janeiro - 1999

(continua)

 

 

Número

 

 

Municípios

 

Sistema de Beneficiamento

 

Situação atual

Informações sobre as usinas

Custo em US$

Capacidade de

Processamento ( t/dia )

População

a ser

atendida

1

Rio de Janeiro

(Jacarepaguá)

Segregação (1)

Funcionando

13 milhões (11)

(*)

(*)

2

Rio de Janeiro

(Irajá)

Segregação + Compostagem (1)

Funcionando

1,5 milhão (11)

(*)

(*)

3

Bom Jesus do Itabapoana

Segregação + Compostagem (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

4

Quissamã

Segregação + compostagem (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

5

Duas Barras

Segregação + Compostagem (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

6

Bom Jardim

Segregação + compostagem (1)

Funcionando

50 mil

(11)

(*)

(*)

7

Tanguá

Segregação + Compostagem (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

8

Miracema

Segregação + Compostagem (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

9

Casimiro de Abreu

Segregação (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

10

São João da Barra

Segregação + Compostagem

(13)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

11

Arraial do Cabo

Segregação (1)

Funcionando

(*)

(*)

(*)

12

Nova Friburgo

Segregação (4)

Funcionando

300 mil

(11)

(*)

(*)

13

Paraíba do Sul

Segregação de materiais da

coleta seletiva (1) (3)

Funcionando

150 mil

(11)

(*)

(*)

14

Cantagalo

Segregação + Incineração + Compostagem (1)

Construída

180 mil

(11)

(*)

(*)

15

Belford Roxo

Segregação + Incineração + Compostagem (8)

Construída

2,5 milhões (11)

180

(12)

345.000

(12)

16

Engenheiro Paulo de Frontin

Segregação + Compostagem (1)

Em construção

(*)

(*)

(*)

16

Valença

Segregação + Compostagem (1)

Em construção

(*)

(*)

(*)

18

São Gonçalo

Segregação + Incineração + Compostagem (6)

Obra Paralisada

1,5 milhão (11)

380

(12)

800.000

(12)

19

Niterói

Segregação + Incineração + Compostagem (7)

Obra Paralisada

1,5 milhão (11)

300

(12)

490.000

(12)

20

Queimados

Segregação + Incineração + Compostagem (1) (8)

Obra paralisada

2,5 milhões (11)

80

(12)

130.000

(12)

21

Nova Iguaçu

Segregação + Incineração + Compostagem (8)

Obra paralisada

2,5  milhões (11)

450

(12)

780.000

(12)

22

Magé/

Guapimirim (12)

Segregação + Incineração + Compostagem (9)

Obra paralisada

1,5 milhão (11)

137

(12)

200.000

(12)

(Conclusão da Tabela 1)

23

Petrópolis

(Pedro Rio)

Segregação (2)

Paralisada

US$ 500 mil

(**)

(*)

(*)

24

Petrópolis

(Duarte da Silveira)

Segregação (2)

Paralisada

(*)

(*)

(*)

25

Cajú

Segregação + Compostagem (1)

Paralisada

(*)

(*)

(*)

26

Angra dos Reis

Segregação (1)

Paralisada

(*)

(*)

(*)

27

Cordeiro

Segregação (5)

Paralisada

(*)

(*)

(*)

28

Saquarema

Segregação e compostagem

(1) (10)

Desativada

40 mil

(11)

(*)

(*)

29

Rio de Janeiro (Caju)

Segregação + Compostagem (1)

Desativada

23 milhões (11)

(*)

(*)

 

Fontes: (1) SERTÃ1apud AZEVEDO, 2000, p.40 (2) BORZINO1apud AZEVEDO, 2000, p.40, 1999; (3) SANTOS1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (4) MACHADO1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (5) CONDE1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (6) PIRES1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (7) GUIMARÃES1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (8) MOTTA1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (9) MELLO1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (10) RIBAS1apud AZEVEDO, 2000, p.40; (11) LUA, 1999, (12) RIO DE JANEIRO, 1997, (13) RIO DE JANEIRO, 1998

Notas: (*) Sem informação; (**) Não foi possível identificar qual das usinas custou US$ 500 mil


 

 



CONCLUSÕES

 

Com base nas informações levantadas podem ser apresentadas as seguintes comentários: (1) De uma maneira geral, as usinas em funcionamento apresentam vida útil elevada. (2) A maioria das usinas não dispõem de sistema de tratamento para o chorume produzido no beneficiamento dos resíduos. (3) Embora os materiais recicláveis no lixo, estejam na faixa de 35%, somente de 2 a 3% são reaproveitados nas unidades de reciclagem. (4) Os altos custos operacionais e a baixa qualidade do material produzido, são um dos fatores responsáveis pelo fracasso das usinas de reciclagem. (4) As unidades de compostagem deveriam implementar programa de coleta seletiva de resíduos sólidos, em determinadas rotas de coleta de lixo, destinadas ao processo de compostagem. Pois teriam menos problemas operacionais no beneficiamento do composto orgânico. (5) Algumas usinas de compostagem no Estado, foram implantadas com processos de beneficiamento inadequados ao nosso clima e as características do lixo. (6) As unidades de reciclagem e compostagem não investem em programas de adaptação tecnológica dos equipamentos e no treinamento dos recursos humanos. (7) As usinas de beneficiamento de lixo agregam valor econômico: na recuperação dos materiais recicláveis que possam ser comercializados; na produção de composto orgânico para a agricultura; e, na diminuição dos resíduos sólidos no meio ambiente.

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1.      AZEVEDO, Jeferson. Estudo Ambiental/Econômico do Composto Orgânico do Sistema de Beneficiamento de Resíduos Sólidos Urbanos da Usina de Irajá, Município do Rio de Janeiro. Niterói, 2000. 120 p. Tese (Mestrado em Geociências) Universidade Federal Fluminense.

2.      BLEY Jr, Cícero. Usinas de lixo no Brasil – Gerenciamento Atual e Perspectivas. Revista Limpeza Pública, São Paulo: ABLP, n. 40, p. 11-19, jan./fev./mar. 1993.

3.      LUA, Daniele. US$ 50 milhões jogados no lixo. Jornal do Brasil, Rio de janeiro, 12 dez. 1999. p. 17, Caderno Cidade.

4.      RIO DE JANEIRO, (Estado). Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos. Baía de Guanabara: Ações de Saneamento. Rio de Janeiro: Programa de Despoluição da Baía de Guanabara/ Assessoria de Comunicação Social (SOSP), 1997. 4 p.

5.      RIO DE JANEIRO, (Estado). Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente. FEEMA: Política e Tecnologia e Ambiental. Rio de Janeiro: Secretaria de Estado de Meio Ambiente, p. 34-40. 1998.

 



1 AZEVEDO, Jeferson. Estudo ambiental/econômico do composto orgânico do sistema de beneficiamento de resíduos sólidos urbanos da Usina de Irajá, Município do Rio de Janeiro.