Vicente Manzo Henriques

 

 

 

 

 

ESTUDO DA COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA E FÍSICO-QUÍMICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA - ES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

VICENTE MANZO HENRIQUES

 

 

 

 

 

ESTUDO DA COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA E FÍSICO-QUÍMICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA - ES

 

 

 

 

 

Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado em Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Ambiental.

Orientador: Prof. Dr. Florindo dos Santos Braga

Co-orientadora: Profª MsC. Claudia Coutinho Nóbrega (UFPB)

 

 

 

 

 

 

 

VITÓRIA

1999

 

 

Agradecimentos

 

- À minha mãe, esposa e demais familiares pelo apoio e incentivo.

- Ao meu orientador Prof. Florindo dos Santos Braga, pela dedicação no dever de orientar, ao incentivo dado e a todos os ensinamentos.

- À minha Co-orientadora Prof. Cláudia Nóbrega Coutinho, pela ajuda concedida durante a pesquisa e os ensinamentos

- Ao Eng. Civil Carlos Roberto de Lima, Diretor do Departamento de Tratamento e Destinação final de Resíduos da SEMURB/PMV. que incentivou e viabilizou o desenvolvimento deste trabalho.

- Ao Eng. Agrônomo Fernando R. da Matta Baptista, Chefe da Divisão de Operação e Manutenção da SEMURB/PMV, que incentivou e contribuiu para a realização deste trabalho.

- Ao Prof. Lauro Venturini pela atenção e gentileza na revisão de português.

- À amiga de mestrado e companheira dos trabalhos de campo Elsa Barreto

- Aos funcionários da Usina de lixo de Vitória que contribuíram para a realização deste trabalho.

- À Construtora Queiroz Galvão e aos funcionários que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho.

- À Companhia Espiritossantense de saneamento - CESAN, pelas análises de nitrogênio total

 

 

 

ÍNDICE

Lista de tabelas...........................................................................................................................i

Lista de figuras.........................................................................................................................iii

Lista de quadros........................................................................................................................v

Lista de abreviaturas...............................................................................................................vi

Resumo.....................................................................................................................................vii

Abstract..................................................................................................................................viii

Capítulo 1

Introdução..................................................................................................................................1

1.1 - Objetivo geral.....................................................................................................................3

1.2 - Objetivos específicos..........................................................................................................3

Capítulo 2

Revisão bibliográfica.................................................................................................................5

2.1 - Introdução...........................................................................................................................6

2.2 - Classificação de resíduos sólidos........................................................................................6

2.2.1 - Quanto a origem.....................................................................................................7

2.2.2 - Quanto ao local de produção..................................................................................8

2.2.3 - Quanto ao aspecto sanitário....................................................................................8

2.2.4 - Quanto ao aspecto econômico................................................................................8

2.2.5 - Quanto ao aspecto da incineração..........................................................................8

2.2.6 - Quanto aos diferentes graus de biodegradabilidade...............................................9

2.3 - Fatores que alteram a composição do lixo..........................................................................9

2.4 - Metodologias utilizadas em trabalhos de caracterização de resíduos sólidos .................10

2.5 - Apresentação de estudos de caracterização de resíduos sólidos.......................................14

2.6 - Características do município de Vitória e de sua população............................................22

2.6.1 - Localização topográfica.......................................................................................22

2.6.2 - Clima....................................................................................................................22

2.6.3 - População.............................................................................................................24

2.6.4 - Setor industrial.....................................................................................................27

2.7 - Sistema de limpeza urbana do município de Vitória........................................................28

2.7.1 - Breve histórico da ULV.......................................................................................29

2.7.2 - Problemas atuais da ULV.....................................................................................30

2.8 - Noções gerais de amostragem..........................................................................................31

Capítulo 3

Material e métodos..................................................................................................................34

3.1 - Introdução.........................................................................................................................35

3.2 - Justificativa da escolha da metodologia...........................................................................36

3.3 - Etapas da pesquisa............................................................................................................37

3.4 - Desenvolvimento da pesquisa...........................................................................................38

3.4.1 - Recursos humanos, materiais e equipamentos utilizados na pesquisa.................38

3.4.1.1 - Recursos humanos, materiais, e equipamentos disponibilizados

pela ULV para os trabalhos de campo...................................................38

3.4.1.2 - Materiais e equipamentos utilizados nas análises físico-químicas........39

3.4.2 - Metodologia.........................................................................................................40

3.4.2.1 - Levantamento dos padrões sócio-econômicos das populações

dos bairros..............................................................................................40

3.4.2.2 - Levantamento do número e das características dos estabelecimentos

comerciais em cada bairro.....................................................................41

3.4.2.3 - Avaliação dos setores de coleta de lixo do município de Vitória..........41

3.4.2.4 - Rotas escolhidas para coleta de amostras desta pesquisa......................42

3.4.2.5 - Levantamento das condições climáticas da região onde está inserido

o município de Vitória...........................................................................44

3.4.2.6 - Definição do tamanho das amostras......................................................45

3.4.3 - Execução dos trabalhos de campo........................................................................46

3.4.3.1 - Cuidados na realização da amostragem.................................................46

3.4.3.2 - Coleta de amostras.................................................................................47

3.4.3.3 - Tratamento das amostras.......................................................................48

3.4.3.4 - Determinação da composição gravimétrica dos RSD...........................50

3.4.3.5 - Determinação do peso específico aparente dos RSD............................50

3.4.3.6 - Amostragem da fração orgânica dos RSD.............................................51

 

 

3.4.4 - Determinação da composição físico-química do componente matéria orgânica

dos RSD...............................................................................................................51

3.4.4.1 - Teor de umidade .................................................................................51

3.4.4.2 - Teor de sólidos voláteis (SV). .............................................................52

3.4.4.3 - Teor de sólidos fixos (SF).......... .........................................................53

3.4.4.4 - Teor de carbono orgânico total (COT). ...............................................53

3.4.4.5 - pH..........................................................................................................54

3.4.4.6 - Teor de nitrogênio total.........................................................................54

3.5 - Tratamento dos dados.......................................................................................................54

3.5.1 - Geração "per capita" ...........................................................................................54

3.5.2 - Estimativa da geração de RSD por classe sócio-econômica................................55

3.5.3 - Estimativa da geração de RSD para o município de Vitória................................56

3.5.4 - Análise estatística dos resultados.........................................................................56

Capítulo 4

Resultados................................................................................................................................58

4.1 - Resultados.........................................................................................................................59

4.2 - Valores médios dos componentes por classe sócio-econômica........................................59

4.3 - Estimativa da geração diária de RSD, por classe sócio-econômica para o município

de Vitória.........................................................................................................................60

4.4 - Estimativa da geração diária de cada componente por classe sócio-econômica e

por período climático.......................................................................................................60

4.5 - Produção "per capita" de RSD.........................................................................................62

4.6 Composição gravimétrica e peso específico aparente dos RSD......................................62

4.6.1 - Composição gravimétrica ....................................................................................62

4.6.2 - Peso específico aparente ......................................................................................64

4.7 - Composição físico-química do componente matéria orgânica.........................................64

4.8 - Composição gravimétrica e peso específico aparente, nos períodos seco e úmido..........65

4.8.1 - Composição gravimétrica.....................................................................................65

4.8.2 - Peso específico aparente.......................................................................................66

4.9 - Composição físico-química do componente matéria orgânica, nos períodos

seco e úmido....................................................................................................................66

 

4.10 - Composição gravimétrica e peso específico aparente nas quatro classes

sócio-econômicas..........................................................................................................67

4.10.1 - Composição gravimétrica...................................................................................67

4.10.2 - Peso específico aparente.....................................................................................68

4.11 - Composição físico-química do componente matéria orgânica nas quatro classes

sócio-econômicas..........................................................................................................69

Capítulo 5

Discussão..................................................................................................................................70

5.1 - Representatividade das amostras......................................................................................71

5.1.1 - Amostragem.........................................................................................................71

5.1.2 - Equipe de trabalho................................................................................................72

5.1.3 - Tamanho das amostras.........................................................................................72

5.1.4 - Tratamento das amostras......................................................................................73

5.2 - Geração "per capita".........................................................................................................74

5.3 - Composição gravimétrica e peso específico aparente......................................................75

5.3.1 - Composição gravimétrica dos RSD.....................................................................75

5.3.1.1 - Comparação entre a composição gravimétrica dos RSD de

Vitória, Caxias do Sul - RS, São Paulo - SP, e os valores

médios brasileiros..................................................................................78

5.3.2 - Peso específico aparente.......................................................................................84

5.4 - Composição físico-química do componente "matéria orgânica".....................................85

5.4.1 - Composição físico-química..................................................................................85

5.4.2 - Comparação entre a composição físico-química do componente

"matéria orgânica" dos RSD de Vitória com a do município de

Aracaju - SE.........................................................................................................86

5.5 - Avaliação da variação da composição gravimétrica e do peso específico aparente

dos RSD obtidos nos períodos seco e úmido....................................................................90

5.5.1 - Variação da composição gravimétrica.................................................................90

5.5.2 - Variação do peso específico aparente..................................................................92

5.6 - Avaliação da variação da composição físico química do componente "matéria

orgânica" entre os períodos seco e úmido......................................................................93

5.7 - Avaliação da composição gravimétrica e do peso específico aparente dos RSD entre

as quatro classes sócio-econômicas.................................................................................95

5.7.1 - Variação da composição gravimétrica.................................................................95

5.7.2 - Variação do peso específico aparente................................................................100

5.8 - Avaliação da variação da composição físico-química do componente "matéria

orgânica" entre as quatro classes sócio-econômica.......................................................101

5.9 - Materiais potencialmente recicláveis encontrados nos RSD..........................................106

Capítulo 6

Conclusões..............................................................................................................................110

6.1 - Conclusões......................................................................................................................111

Capítulo 7

Sugestões................................................................................................................................115

7.1 - Sugestões........................................................................................................................116

Anexos....................................................................................................................................118

Anexo 1 - Número de habitantes e de domicílios por bairro no município

de Vitória.................................................................................................................119

Anexo 2 - Cadastro do IPTU/1995 do município de Vitória..................................................121

Anexo 3 - Planilha de campo..................................................................................................124

Anexo 4 - Tabela t "Student"..................................................................................................126

Anexo 5 - Resultados da primeira e segunda campanhas.......................................................128

Anexo 6 - Resultados do teste t "Student"..............................................................................133

Referências bibliográficas....................................................................................................138

 

Lista de tabelas

 

Capítulo 2

Revisão bibliográfica

Tabela 2.1 - Classe de rendimento médio mensal da população de Vitória.............................24

Tabela 2.2 - Enquadramento dos bairros de Vitória em função da faixa de renda de

suas populações....................................................................................................25

Tabela 2.3 - Número de habitantes e de domicílios por classe sócio-econômica.....................26

Tabela 2.4 - Número de domicílios por tipologia.....................................................................26

Tabela 2.5 - Número de indústrias por gênero..........................................................................27

Tabela 2.6 - Distribuição das rotas de coleta e quantidade de lixo coletado por mês, em

cada uma, durante o ano de 1996.........................................................................28

Tabela 2.7 - Quantidade de lixo destinado à disposição final após beneficiamento

na ULV................................................................................................................30

Tabela 2.8 - Determinação do tamanho da amostra a partir do tamanho da população...........33

Capítulo 3

Material e métodos

Tabela 3.1 - Características dos sistemas de limpeza urbana de São Carlos - SP

e Vitória.................................................................................................................36

Tabela 3.2 - Identificação das classes sócio-econômicas..........................................................40

Tabela 3.3 - Resultado do levantamento para determinação do tamanho da amostra..............46

Tabela 3.4 - Estimativa do número de habitantes amostrados por classe

sócio- econômica.................................................................................................55

Tabela 3.5 - Número de habitantes por classe sócio-econômica..............................................55

Capítulo 4

Resultados

Tabela 4.1 - Composição gravimétrica dos RSD por classe sócio-econômica e por

período climático.................................................................................................59

 

Tabela 4.2 - Estimativa da geração diária de RSD por classe sócio-econômica e para

o município de Vitória.........................................................................................60

Tabela 4.3 - Estimativa da geração diária dos componentes para cada classe sócio

econômica para o município de Vitória...............................................................61

Tabela 4.4 - Produção "per capita" de RSD..............................................................................62

Tabela 4.5 - Composição gravimétrica dos RSD......................................................................63

Tabela 4.6 - Composição físico-química do componente matéria orgânica.............................65

Tabela 4.7 - Composição gravimétrica dos RSD, nos períodos seco e úmido..........................65

Tabela 4.8 - Peso específico aparente dos RSD, nos períodos seco e úmido...........................66

Tabela 4.9 - Composição físico-química do componente "matéria orgânica", nos períodos

seco e úmido........................................................................................................67

Tabela 4.10 - Composição gravimétrica média dos RSD nas quatro classes

sócio-econômicas.................................................................................................68

Tabela 4.11 - Peso específico aparente dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas..........68

Tabela 4.12 - Composição físico-química do componente matéria orgânica nas quatro

classes sócio-econômicas.....................................................................................69

Capítulo 5

Discussão

Tabela 5.1 - Número de residências amostradas em relação ao proposto por Krejcie e

Morgan, apud Gerardi e Silva (1991)..................................................................72

Tabela 5.2 - Percentual de RSD gerados em cada classe sócio-econômica em relação ao

total gerado no município de Vitória...................................................................73

Tabela 5.3 - Comparação das características climáticas e da população dos municípios

de Vitória, São Paulo e Caxias do Sul.................................................................80

Tabela 5.4 - Médias da temperatura e umidade relativa, dos períodos seco e úmido,

medidas entre 1961 e 1998..................................................................................92

Tabela 5.5 - Comparações onde foram rejeitadas a hipótese de igualdade entre as médias

dos componentes através do teste t "Student".....................................................97

Tabela 5.6 - Comparações onde foram rejeitadas a hipótese de igualdade entre as médias

dos parâmetros físico-químicos através do teste t "Student".............................103

Tabela 5.7 - Comparação entre as variações dos percentuais dos parâmetros físico-químicos

da matéria orgânica do grupo (A/B/C), com os valores médios para o

componente "matéria orgânica"...........................................................................106

Lista de figuras

 

Capítulo 3

Materiais e métodos

Figura 3.1 - Fluxograma do quarteamento................................................................................49

Capítulo 5

Discussão

Figura 5.1 - Comparação da produção "per capita" de RSD entre as quatro classes

sócio-econômicas...................................................................................................74

Figura 5.2 - Composição gravimétrica dos RSD do município de Vitória...............................75

Figura 5.3 - Comparação entre a composição gravimétrica dos RSD de Vitória, Caxias do

Sul, São Paulo, e os valores médios nacionais.......................................................79

Figura 5.4 - Comparação da composição físico-química do componente "matéria orgânica"

dos RSD de Vitória e Aracaju...............................................................................87

Figura 5.5 - Comparação do pH e relação C/N dos componente matéria orgânica dos RSD

de Vitória e Aracaju..............................................................................................87

Figura 5.6 - Composição dos RSD nos períodos seco e úmido................................................91

Figura 5.7 - Peso específico aparente dos RSD nos períodos seco e úmido.............................92

Figura 5.8 - Comparação dos parâmetros "umidade", SV, SF, COT e "nitrogênio total",

do componente "matéria orgânica", entre os períodos seco e úmido....................94

Figura 5.9 - Comparação do pH e relação C/N, do componente "matéria orgânica", entre

os períodos seco e úmido......................................................................................94

Figura 5.10 - Composição gravimétrica dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas.........96

Figura 5.11 - Diferenças dos componentes dos RSD entre os grupos formados pelas

classes A/B e C/D................................................................................................97

Figura 5.12 - peso específico aparente dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas.........100

Figura 5.13 - Diferença do peso específico aparente dos RSD entre os grupos formados

pelas classes A/B e C/D.....................................................................................101

Figura 5.14 - Comparação dos parâmetros "umidade", SV, SF, COT e "nitrogênio total",

do componente "matéria orgânica", entre as quatro classes sócio-econômicas102

Figura 5.15 - Comparação dos parâmetros pH e ralação C/N, do componente

"matéria orgânica", entre as quatro classes sócio-econômicas..........................102

Figura 5.16 - Comparação dos parâmetros físico-químicos, do componente

"matérias orgânica", entre os dois grupos formados pelas classes A/B/C e D..104

Figura 5.17 - Comparação dos parâmetros pH e relação C/N, do componente

matéria orgânica, entre os dois grupos formados pelas classes A/B/C e D.......104

Figura 5.18 - Composição dos RSD segundo a classificação de Oliveira, apud

Gomes (1989).....................................................................................................107

Figura 5.19 - Balanço de massa dos RSD dom município de Vitória conforme

metodologia proposta por Pereira Neto, apud Neto et al. (1998)......................108

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lista de quadros

 

Capítulo 2

Revisão bibliográfica

Quadro 2.1 - Resultados dos estudos de composição gravimétrica..........................................20

Quadro 2.2 - Resultados dos estudos de composição físico-química.......................................21

Quadro 2.3 - Precipitação pluviométrica - altura total (mm)....................................................23

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lista de abreviaturas

 

RSU - Resíduos sólidos urbanos

ULV - Usina de lixo de Vitória

RSD - Resíduos sólidos domiciliares

PMV - Prefeitura municipal de Vitória

CDV - Companhia de Desenvolvimento de Vitória

EMCAPA - Empresa Capixaba de pesquisa Agropecuária

SV - Sólidos voláteis

SF - Sólidos fixos

COT - Carbono orgânico total

PDRSDC - Produção diária de RSD por classe sócio-econômica

PDRSDV - Produção diária de RSD do município de Vitória

 

 

 

 

 

 

Resumo

 

O objetivo do trabalho foi determinar a composição gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos domiciliares gerados no município de Vitória - ES, buscando contribuir com a proposição de implantação de melhorias operacionais na Usina de Lixo de Vitória. Os resíduos foram coletados a partir de rotas previamente definidas, nos períodos climáticos seco e úmido, em quatro regiões diferentes, representando cada uma delas uma classe sócio-econômica existente no município. No total foram realizadas dezesseis coletas de agosto a dezembro de 1996. Com base nos dados obtidos foi possível determinar a composição gravimétrica média dos resíduos sólidos. Esta composição foi de 53,10% de matéria orgânica, 19,12% de papel/papelão, 11,77% de plástico, 5,45% de diversos, 3,25% de metais, 2,69% de vidros, 2,52% de madeira/couro/borracha e 2,10% de trapos. O componente matéria orgânica apresentou a seguinte composição físico-química média: pH igual a 5,46, 53,72% de umidade, 47,19% de sólidos voláteis, 52,81% de sólidos fixos, 26,22% de carbono orgânico total, 1,27% de nitrogênio total e relação C/N igual a 20,65. A partir desses resultados tem-se que 53,10% dos resíduos sólidos domiciliares de Vitória correspondem à matéria orgânica putrescível, com potencial para ser utilizada na compostagem, 36,83% são potencialmente recicláveis, correspondentes à papel/papelão, plásticos, metais e vidros e 10,07% do total são rejeitos. Sendo assim, conclui-se que os resíduos sólidos domiciliares do município de Vitória apresentam potencial para que o poder público possa implantar um programa de coleta seletiva na fonte dos materiais recicláveis e de compostagem da matéria orgânica putrescível.

 

 

 

 

 

 

 

 

Abstract

 

The objective of this work is to determine the gravimetric and physical-chemical composition of the organic waste produced in Vitória - ES, contributing by this to implement operational improvements in Vitória organic waste tratment plant. The garbage was collected through routes previously defined, during wet and dry climatic conditions in four different regions, each one representing a socio-economic class in the municipality. Totally, sixteen samples were collected from august to december 1996. Based onthe obtained data, the mean gravimetric composition of the organic waste was determined. This composition was of 53,10% organic matter, 19,12% paper & paperboard, 11,77% plastics, 5,45% other, 3,25% metais, 2,69% glass, 2,52% wood/leather/rubber and 2,10%textiles. The organic matter component showed the following physical-chemical mean composition: pH equal to 5,46, 53,72% humidity, 47,19% volatile solid, 52,81% no voletile solid, 26,22% total organic carbon, 1,27% total nitrogen and C/N relation equal to 20,65. From these results we can conclude that 53,10% of the organic waste in Vitória correspond to perishable organic matter, with a great potencial to be used in composting, 36,83% are potentially recyclabe, such as paper, plastics, metais and glass and 10,07% of the total are rejects. By this we can conclued that the organic wastes in the municipality present a potential for implementing a selective collection in the source of recycling material and composting of the perishable organic matter.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 1

Introdução

 

 

 

Introdução

 

Os resíduos sólidos urbanos - RSU são uma das principais preocupações da sociedade contemporânea. O crescimento da população, o desenvolvimento industrial e a urbanização acelerada vêm contribuindo para o aumento do uso dos recursos naturais e, conseqüentemente, da geração desses resíduos, que quando não gerenciados de maneira adequada trazem problemas de ordem sanitária, ambiental, social e econômica. Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB de 1989, publicados pelo Instituto Brasileiro de Estatística - IBGE, em 1992, revelam que das 241614 toneladas de lixo geradas diariamente no país, 76% são dispostas a céu aberto, 13% em aterros controlados, 10% em aterros sanitários, 0,9% são tratadas em usinas de triagem e compostagem e 0,1% incineradas.

A solução desses problemas está intimamente relacionada com o planejamento do sistema de limpeza urbana dos municípios, ou seja, com a adoção de tecnologias adequadas para a coleta, transporte, tratamento e destinação final desses resíduos. A escolha da melhor tecnologia só será possível se a composição gravimétrica (percentual em peso) e as características químicas e físico-químicas dos RSU forem conhecidas, uma vez que são constituídos por uma massa bastante heterogênea, formada pelos mais distintos componentes, que podem variar em função de diversos parâmetros (Lima, 1995; Pinto et al.,1979).

O trabalho de caracterização dos RSU é de vital importância para instalação de usinas de triagem e compostagem, uma vez que o dimensionamento de sistema de recepção do lixo para posterior triagem, a estruturação do sistema de triagem, a montagem do "lay-out" de catação, classificação e armazenamento dos reciclados, o dimensionamento da produção diária e mensal de reciclados bem como a demanda de mercado e a escolha do método de compostagem a ser implantado, entre outros aspectos, só podem ser precisados se as características do lixo gerado forem conhecidas (Baptista, 1993).

Em 1990 foi implantado no município de Vitória - ES, uma Usina de triagem e Compostagem - ULV. Devido à inexistência do estudo inicial de caracterização do lixo no projeto, esta apresenta problemas tanto em sua estrutura física quanto de ordem operacional, provocando a redução na eficiência da triagem, paralisação do processo de compostagem, e, conseqüentemente, aumento no volume de rejeito. Esses problemas contribuem de forma acentuada para o aumento do custo operacional da usina.

Para Orth e Motta (1998), o conhecimento da composição gravimétrica dos resíduos sólidos domiciliares -RSD é um importante elemento de auxílio para ajudar no planejamento do sistema de limpeza urbana de um município.

A solução técnica dos problemas da ULV deve-se iniciar com o estudo da caracterização dos RSD e comerciais, uma vez que a partir deles poderão ser obtidas as informações básicas para se realizar uma reestruturação física e operacional da usina.

Esta pesquisa tem como finalidade fornecer essa ferramenta básica, a caracterização dos RSD, para que se possa executar, de maneira coerente, não só uma reestruturação da ULV, como também uma reavaliação de todo sistema de limpeza urbana do município de Vitória.

 

1.1 - Objetivo geral

Caracterização gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos domiciliares - RSD, gerados no Município de Vitória - ES, levando em consideração os padrões sócio-econômicos da população e as condições climáticas locais, objetivando fornecer subsídios para otimização da operação da Usina de Lixo de Vitória.

 

1.2 - Objetivos específicos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 2

Revisão bibliográfica

 

 

 

Revisão bibliográfica

 

2.1 - Introdução

Resíduos sólidos são definidos pela NBR - 10004 - Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT como "resíduos nos estados sólidos ou semi-sólidos ou que resultam da atividade da comunidade, de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Considera-se também resíduo sólido, os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos dágua, exigindo para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível".

A ABNT formulou a NBR - 10004 para ser utilizada na classificação dos resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, com o objetivo exclusivo de adequar o manuseio e o destino final dos mesmos. Dentro desse contexto, ela classifica os resíduos como Classe I - perigosos, Classe II - Não Inertes e Classe III Inertes.

Outra norma da ABNT utilizada em estudos de classificação de resíduos sólidos é a NBR 10.007 - Amostragem de resíduos - Procedimentos, que fixa as condições mínimas exigíveis para a amostragem, preservação e estocagem de amostras de resíduos sólidos industriais.

Com referência às características descritas pela NBR 10.004, observa-se que esta norma se utiliza apenas da composição química, físico-química e biológica dos resíduos para classificá-los. Através da NBR 10.004 pode-se apenas enquadrar os resíduos domiciliares na Classe II - Não Inertes, por apresentarem combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água.

2.2 - Classificação dos resíduos sólidos

Diversos autores vêm utilizando metodologias próprias de classificação de resíduos sólidos urbanos, tendo como referência a fonte de geração, o local de produção, o aspecto sanitário, o aspecto econômico, a incineração e o grau de biodegradabilidade. Essas classificações são apresentadas a seguir.

 

2.2.1 - Quanto à origem (Lima,1995 e Jardim et al., 1995):

1 - Residencial ou domiciliar: conhecido como lixo doméstico, constituído por restos de alimentos, invólucros, papéis, papelão, plásticos, vidros, trapos, papel higiênico, fraldas descartáveis, etc.

2 - Comercial: proveniente de estabelecimentos comerciais tais como lojas, lanchonetes, restaurantes, escritórios, hotéis, bancos, etc., constituído principalmente por papéis, papelão, plásticos, restos de alimentos, embalagens de madeira, resíduos de lavagens, sabões, papéis toalha, papel higiênico, etc.

3 - Industrial: resultante de atividades industriais. É bastante diversificado, sendo formado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros, cerâmicas, etc. Engloba a grande maioria do lixo considerado tóxico.

4 - Resíduos de Serviço de Saúde; divididos em duas categorias, resíduos comuns: restos de alimentos, papéis, papelão, invólucros, etc., considerados resíduos domiciliares e resíduos especiais ou sépticos, oriundos de salas de cirurgias, áreas de internação e isolamento, farmácias, postos de saúde, clínicas odontológicas, médicas, veterinárias e outros. São compostos por agulhas, seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos removidos, meios de culturas, animais usados em testes, sangue coagulado, luvas descartáveis, remédios descartados, instrumentos de resina sintética, filmes de raio X, etc.

5 - Especial: resíduos cuja geração é intermitente, como: veículos abandonados, podas de jardins e praças, mobiliário, animais mortos, descargas clandestinas, etc.

6 - Outros: resíduos que não se enquadram nas categorias anteriores e aqueles provenientes de serviços de varrição de logradouros públicos, da limpeza das galerias e bocas de lobo.

7 - Público: gerados nos serviços de limpeza urbana tais como varrição de vias públicas, limpeza de praias, de galerias, de córregos e terrenos baldios, podas de árvores e limpeza de áreas de feiras livres, composto por restos vegetais diversos e embalagens.

8 - Portos, Aeroportos, Terminais Rodoviários e Ferroviários: são os resíduos sépticos que contêm ou podem conter microrganismos patogênicos, trazidos aos portos, terminais rodoviários e aeroportos, constituídos por material de higiene pessoal e restos de alimentos. Os resíduos assépticos desses locais também são considerados domiciliares.

9 - Agrícola: originado nas atividades agrícolas e da pecuária, sendo constituído basicamente por embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita, etc.

10 - Entulho: originado na construção civil, demolições e restos de obra, escavações, etc. É considerado material inerte. Para Lima (1995), esse tipo de resíduos é classificado como industrial.

 

2.2.2 - Quanto ao local de produção (Gomes, 1989)

1 - Lixo urbano: aquele gerado em aglomerações humanas e suas periferias.

2 - Lixo rural: aquele gerado na zona rural, ou seja, fora dos limites da cidade.

 

2.2.3 - Quanto ao aspecto sanitário (Oliveira, apud Gomes, 1989)

1 - Lixo orgânico, constituído de material putrescível ou fermentável.

2 - Lixo inerte, constituído de material não putrescível.

 

2.2.4 - Quanto ao aspecto econômico (Oliveira, apud Gomes, 1989)

1 - Resíduos para a produção de compostos.

2 - Materiais recuperáveis.

3 - Resíduos inaproveitáveis.

 

2.2.5 - Quanto ao aspecto da incineração (Oliveira, apud Gomes, 1989)

1 - Materiais combustíveis.

2 - Materiais incombustíveis.

2.2.6 - Quanto aos diferentes graus de biodegradabilidade (Bowerman, apud Gomes, 1989)

1 - Facilmente degradáveis: matéria orgânica.

2 - Moderadamente degradáveis: papel, papelão e outros produtos de celulose.

3 - Dificilmente degradáveis: trapo, couro, borracha e madeira.

4 - Não degradáveis: vidro, metal, plástico, pedras e terra.

 

2.3 - Fatores que alteram a composição do lixo

As classificações propostas para os resíduos sólidos apresentadas no item 2.2 surgiram em função da grande dificuldade encontrada para se determinar as características do lixo urbano, tendo em vista que os mesmos apresentam um alto grau de heterogeneidade (Gomes, 1989). Por ser constituído de uma grande diversidade de detritos, a composição do lixo é mutável no espaço e no tempo, dependendo para isso de vários fatores (Sengés, 1969), citados por Lima (1995), Gomes (1989), Wilken, apud Berríos (1986) e Oblanden, apud Berríos (1986) como sendo:

 

2.4 - Metodologias utilizadas em trabalhos de caracterização de resíduos sólidos

Por ser o lixo constituído de uma massa heterogênea que pode ser alterada em função de diversos fatores, passa a ser primordial a sua caracterização para subsidiar o planejamento referente ao sistema de limpeza urbana de um município (Daltro Filho et al.,1996).

O conhecimento das características físicas e físico-químicas do lixo é essencial para que se possa avaliar, dentre as várias técnicas de tratamento/disposição disponíveis, qual a mais adequada (Netto et al., 1976).

A utilização de uma metodologia de caracterização dos resíduos sólidos deve ser precedida de uma definição muito clara do objetivo a ser alcançado, pois necessidades diferentes demandam determinados tipos de análises, e conseqüentemente, de metodologias de amostragem (Jardim et al., 1995).

Higgison, apud Lima (1995) propõe que, para regiões com variações sazonais acentuadas sejam coletadas quatro amostras ou séries de amostras, uma em cada estação do ano, para formar uma composição representativa para o ano inteiro.

Flintoff, apud Gomes (1989) propõe que a amostragem do lixo gerado por uma população, com o propósito de caracterizá-lo, deve ocorrer na origem do mesmo, ou seja, junto às residências. Deve ser coletado uma sacola de lixo por dia durante oito dias de um período pre-estabelecido. Descarta-se as amostras de um dia e utilizam-se as demais para caracterizar o lixo.

Woodyward, apud Gomes (1989) considera que a melhor forma de coleta de amostras de lixo produzido por uma comunidade, buscando sua caracterização, é aquela realizada no próprio veículo coletor. As amostras deve ser coletadas aleatoriamente e os resultados extrapolados para a quantidade total de lixo gerado. Para uma melhor quantificação do lixo deve ser levantado o número de caminhões de coleta, a quantidade total de lixo coletado e os pesos dos caminhões.

Kiehl, apud Lima (1995) propõe a coleta diária de amostras no local de vazamento do lixo, após a descarga do veículo coletor, anotando-se hora, dia, mês, ano, circuito percorrido pelo caminhão e condições do tempo. No final do dia as amostras devem ser misturadas e quarteadas.

Se em um estudo de caracterização, a amostragem do lixo em todos os setores de coleta do sistema de limpeza urbana se torna onerosa, deve-se agrupá-los utilizando-se fatores tais como: características das edificações, densidade populacional, poder aquisitivo, costumes da população e tipo de acondicionamento dos resíduos. Para corrigir as deficiências em função da restrição do espaço amostral (todo resíduo gerado), deve-se aplicar um controle estatístico (Jardim et al., 1995).

A inexistência de Normas Técnicas para padronização do estudo de caracterização gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos urbanos no Brasil, conforme discussão no item 2.1, provocou o surgimento de diversas metodologias para se estudar a composição qualitativa e quantitativa do lixo gerado por uma comunidade. A maior dificuldade encontrada nos processos empregados é a definição de amostras representativas (Sengés, 1969). Além da dificuldade de definição de amostra representativa, a categorização dos componentes do lixo não é normatizada, variando em função do surgimento de novos materiais e dos critérios do pesquisador (Cintra, 1995).

Independentemente da metodologia utilizada, as amostras de resíduos sólidos devem ser quarteadas até se alcançar a quantidade a ser utilizada na separação dos componentes e realização das análises físico-químicas (Daltro Filho et al., 1996). Essa forma de tratamento das amostras é a mesma utilizada no tratamento das amostras coletadas para classificar resíduos sólidos industriais, conforme preconizado pela NBR - 10.007.

A seguir serão apresentadas algumas dessas metodologias. Em todas elas o quarteamento foi o tratamento utilizado para se chegar a amostra final de trabalho.

A metodologia mais utilizada atualmente consiste em dividir o município em regiões sócio-econômicos distintas, coletando amostras representativas de lixo domiciliar em cada uma delas nas várias estações climáticas durante o ano (Daltro et al., 1996).

 

2.5 - Apresentação de estudos de caracterização de resíduos sólidos

Neste item são apresentados estudos considerados de importância, sobre caracterização de resíduos sólidos domiciliares, realizados em alguns municípios do Brasil e no exterior. Vale ressaltar que em todos esses estudos, o tratamento de cada amostra representativa foi feito através de quarteamentos sucessivos, até se chegar ao tamanho requerido para realização de análises físico-químicas e da composição gravimétrica. O resultado final de cada um desses estudos, foi alcançado através do cálculo da média aritmética entre os resultados das amostras representativas.

Nos Quadros 2.1 e 2.2 estão apresentados os resultados numéricos dos estudos de caracterização até então apresentados. Os componentes foram agrupados e os parâmetros físico-químicos selecionados conforme será estabelecido neste trabalho.

.

Quadro 2.1 - Resultados numéricos dos estudos da composição gravimétrica de RSU

Referência

Município/ano

Matéria orgânica (%)

Papel e papelão (%)

Plásticos (%)

Diversos (%)

Metais (%)

Vidros

(%)

Madeira/

couro/borrac.(%)

Trapos (%)

Sengès (1969)

Rio de Janeiro - RJ/1963

68,18

20,75

0,41

0,62

3,50

1,67

2,03

2,84

Netto et al. (1976)

São Paulo - SP/1976

52,5

28,4

5,6

0,9

4,9

3,1

2,3

2,3

Amorin et al. (1978)

Distrito federal/1978

25,63

28,57

7,52

19,13(1)

5,81

3,36

5,25

3,64

Lindenberg et al. (1991)

Curitiba - PR/1981

30,9

19,9

5,8

33,1(2)

3,6

3,4

1,4

2,9

Berríos (1986)

Rio Claro - SP/1986

62,8

15,2

5,5(3)

7,9

3,5

2,1

2,0(4)

2,2(5)

Gomes (1989)

São Carlos - SP/1989

56,7

21,3

8,5

1,3

5,4

1,4

2,3

3,4

DEMLURB, apud Azevedo et al. (1998)

Juiz de Fora - MG/1990

68,12

14,60

10,78

-----

3,23

1,36

-----

1,92

Pessin et al. (1991)

Caxias do Sul - RS/1991

53,4

21,0

8,9

1,0

5,4

2,6

1,1(4)

6,6(6)

Andrade (1992)

Manaus -AM/1992

58,69

18,94

8,9

1,24

4,31

2,18

3,46

2,56

Porcel et al. (199?)

Córdoba - Espanha/1993

54,93

18,79

12,56

1,34

3,69

5,95

-----

-----

Baptista (1993)

Vitória - ES/1993

63,43

11,67

6,86

9,54(7)

2,79

1,77

-----

-----

Daltro et al. (1994)

Aracaju - SE/1994

67,70

15,13

8,86

0,32

3,00

1,46

0,81

3,62

Cintra (1995)

Bairro Cidade Nova, Belo Horizonte - MG/1995

67,06

14,81

7,10

0,78

3,46

3,66

1,44

1,69

Azevedo et al. (1998)

Juiz de Fora - MG/1995

69,36

8,75

7,18

7,82

2,48

2,63

0,18

1,61

Pessin e Silva (1998)

Caxias do Sul - RS/1995

58,80

8,00

6,60

16,30

2,90

1,30

1,50

4,6

Mercedes (1998)

Belo Horizonte - MG/1996

67,51

11,41

11,71

0.83

2,64

2,50

1,06

2,27

Filho et al. (1198)

Cabedelo - PB/1997

66,40

6,60

6,80

15,80

1,30

1,40

0,70(4)

1,00(6)

Costa (1998)

Porto Alegre - RS/1997

52,5

16,1

11,1

11,6

2,6

2,5

0,8(8)

2,7

Oliveira et al. (1998)

Botucatu - SP/1997

74,11

8,43

8,37

1,35

3,85

1,99

-----

1,84

Orth e Motta (1998)

São Paulo - SP/1997

49,50

18,80

22,90

0,20

2,80

1,50

1,90

2,40

Nota: (1) agregado fino/agregado grosso, (2) agregado fino/agregado grosso/entulho/pedra, (3) plástico/borracha, (4) madeira, (5) trapos/couro, (6) trapos/couro/borracha, (7) rejeitos e (8) borracha/couro/madeira/louça

Quadro 2.2 - Resultados dos estudos de composição físico-química dos RSU

Referência

Município/ano

pH

Umidade (%)

Sólidos voláteis (%)

Sólidos fixos (%)

Carbono orgânico total - TOC (%)

Nitrogênio total (%)

Sengès (1969)

Rio de Janeiro RJ/1963

-----

54,0

-----

-----

-----

-----

Netto et al. (1976)

São Paulo

SP/1976

-----

68,4

80,0

20,0

40,2

2,19

Amorin et al. (1978)

Distrito federal

1978

6,05

47,87

35,23

64,77

35,11

1,86

Lindenberg et al. (1991)

Curitiba

PR/1981

 

64,2

77,8

22,2

38,6

1,15

Pessin et al. (1991)

Caxias do Sul RS/1991

5,6

65,5

72,3

27,7

-----

-----

Andrade (1992)

Manaus

AM/1992

4,62

37,5

-----

-----

-----

-----

Porcel et al. (199?)

Córdoba

Espanha/1993

6,36

52,10

66,98

33,02

39,15

2,59

Daltro et al. (1994)

Aracaju

SE/1994

4,62

29,75

75,58

26,10

40,76

1,47

Pessin e Silva (1998)

Caxias do Sul RS/1995

5,04 - 6,35

70,6

72,4

27,6

-----

-----

Orth e Motta (1998)

São Paulo

SP/1997

7,16

60,62

31,29

68,71

25,34

0,54

 

2.6 - Características do município de Vitória e de sua população

Partindo do princípio de que este é o primeiro estudo de caracterização dos resíduos sólidos domiciliares, obedecendo a uma técnica científica para o município de Vitória, é fundamental levar em consideração algumas características da cidade tais como: localização, topografia, clima, padrão sócio-econômico da população e o sistema de limpeza urbana existente. Essas informações serão úteis na discussão dos resultados deste estudo.

 

2.6.1 - Localização topográfica

O município de Vitória possui uma área de 81,0 Km2, sendo formado pela ilha de mesmo nome, trecho da ilha de Apicu, um trecho continental e de pequenas ilhas, na baía de Vitória. Sua área eqüivale a 18 % do território estadual e 5,5 % dos 1461,0 Km2 da Região da Grande Vitória, sendo o menor dos municípios que compõem esta região. Está localizada á 20º 19 09" de latitude sul e 40º 20 50" de longitude oeste de Greenwich, fazendo limite ao norte com o município da Serra, ao sul com o de Vila Velha, a oeste com o de Cariacica e a leste com o Oceano Atlântico. O município é montanhoso, de constituição granítica, cercado por vários terrenos de mangue e restinga e está inserido na bacia hidrográfica do rio Santa Maria da Vitória.

 

2.6.2 - Clima

O clima predominante na região é o tropical úmido, caracterizado por temperaturas variáveis, com média anual de 24,4º C. A umidade relativa média anual é de 79% e a precipitação média anual de 1.283 mm. O período úmido ocorre entre os meses de outubro a abril e o seco de maio a setembro, conforme dados meteorológicos, levantados junto à Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária - EMCAPA, medidos na estação da Ilha de Santa Maria em Vitória - ES (latitude 20° 19 S, longitude 40° 20 W) no período de 1961 a 1996. Esses dados são mostrados no quadro 2.3..

 

Quadro 2.3 - Precipitação pluviométrica (altura total em mm) para o município de Vitória - ES

ANO

JAN

FEV

MAR

ABR

MAI

JUN

JUL

AGO

SET

OUT

NOV

DEZ

1961

348,8

73,4

27,6

66,7

---

223,3

98,7

10,3

9,1

43,7

49,0

119,4

1962

177,3

47,0

27,6

---

39,3

---

23,2

9,0

36,8

72,3

70,9

283,7

1963

---

142,5

---

18,3

48,0

77,6

52,2

50,8

0,8

15,8

83,0

103,8

1964

187,8

---

---

---

---

54,5

99,3

97,0

75,3

101,1

120,6

178,1

1965

---

129,3

51,8

32,0

116,4

56,3

56,0

9,2

88,1

130,9

---

0,9

1966

100,0

0,2

6,4

82,6

105,9

---

144,1

---

92,5

106,0

87,5

64,2

1967

91,0

58,7

145,6

---

221,9

25,0

32,3

52,3

7,4

65,0

450,7

314,3

1968

---

---

---

---

---

---

---

---

---

---

---

---

1969

---

---

---

---

---

---

---

---

---

---

---

209,6

1970

173,5

47,7

61,8

89,3

31,9

23,8

211,1

71,3

92,6

228,6

208,6

42,7

1971

16,5

26,7

79,9

53,1

50,1

102,0

129,2

99,0

159,5

201,6

468,5

159,0

1972

53,0

65,8

18,8

140,6

80,4

62,7

110,6

87,9

65,6

52,4

118,6

180,6

1973

88,8

56,9

262,1

118,9

30,8

27,5

28,0

40,3

86,3

194,3

95,0

---

1974

197,2

88,1

159,8

83,8

95,8

9,2

24,0

13,7

45,2

221,8

182,4

176,6

1975

204,8

94,8

333,0

35,6

166,1

139,1

61,7

13,6

136,0

317,3

98,5

---

1976

22,8

16,9

115,7

23,4

129,5

6,1

146,9

55,7

145,1

164,9

158,9

279,8

1977

114,1

78,5

5,5

216,7

83,4

34,8

34,4

9,1

112,2

133,3

268,4

372,7

1978

47,1

221,0

123,6

103,1

53,0

62,7

376,1

100,8

123,4

86,4

118,4

111,4

1979

410,6

284,2

200,6

34,7

29,0

18,1

66,6

22,8

49,2

46,9

134,3

228,3

1980

201,4

85,6

60,3

188,9

99,0

40,6

35,6

51,4

13,8

89,0

84,0

415,4

1981

102,6

100,0

148,1

154,8

100,2

45,7

35,1

50,0

13,7

105,7

312,2

95,1

1982

185,9

79,8

205,4

83,8

173,1

7,2

26,1

74,0

46,1

57,1

51,2

148,7

1983

266,9

178,1

60,6

130,2

37,6

21,8

27,2

25,3

191,8

271,6

386,5

425,1

1984

112,4

192,4

126,3

70,6

42,6

20,8

28,5

129,5

56,1

130,6

185,2

275,2

1985

471,5

52,6

67,0

111,7

32,6

30,9

99,5

63,7

159,0

128,4

176,8

158,9

1986

78,7

18,4

26,3

26,1

54,9

38,9

83,2

182,8

77,8

78,6

65,9

204,5

1987

81,3

56,6

179,0

66,2

27,8

52,0

42,3

9,4

77,3

66,8

264,9

256,7

1988

162,3

3,7

94,4

96,0

36,5

131,4

43,9

68,3

106,2

188,4

162,7

171,0

1989

89,2

16,0

101,9

81,1

114,6

66,0

17,0

86,7

22,9

41,3

289,3

286,3

1990

27,2

39,7

24,7

107,9

23,7

29,4

30,7

105,5

36,4

166,3

88,8

139,7

1991

---

131,0

188,3

50,8

105,6

45,0

136,2

47,9

140,9

41,1

112,5

96,1

1992

338,4

54,2

62,6

36,4

46,6

83,1

156,9

127,3

110,6

234,0

325,5

240,8

1993

81,3

11,6

45,4

116,6

115,9

71,8

40,9

39,1

49,3

87,8

95,2

229,7

1994

275,4

37,7

187,5

137,1

100,2

19,0

70,9

24,3

35,9

108,7

92,4

108,5

1995

8,5

48,7

134,1

116,9

156,4

6,2

86,9

76,0

53,3

260,4

---

---

1996

67,0

70,6

96,9

157,2

57,5

72,0

34,9

14,5

150,9

104,6

393,2

151,4

MÉDIA MENSAL

154,2

79,0

107,1

91,4

81,5

53,7

79,1

58,2

78,4

127,8

181,2

194,8

Fonte : EMCAPA

2.6.3 - População

Segundo dados do Censo Demográfico de 1991, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Vitória possui uma população de 258.777 habitantes, exclusivamente na zona urbana, constituída de 122.135 homens e 136.642 mulheres. A população alfabetizada é formada por 208.258 pessoas, 98.252 do sexo masculino e 110.006 do feminino. Os dados do censo demonstram também que a população se enquadra em dez classes de rendimento médio mensal, em salário mínimo, conforme descriminado na tabela 2.1.

Tabela 2.1 - Classe de rendimento médio mensal da população de Vitória

Rendimento (em S.M.)

Total

Urbana

Até salário

2924

2924

De a 1

8010

8010

De 1 a 2

11645

11645

De 2 a 3

7834

7834

De 3 a 4

8641

8641

De 5 a 10

12127

12127

De 10 a 15

5958

5958

De 15 a 20

2822

2822

Mais de 20

4157

4157

Sem rendimento

2456

2456

Sem declaração

193

193

Fonte: Censo Demográfico 1991 - IBGE

Com relação aos padrões sócio-econômicos da população dos bairros, uma pesquisa realizada pela Prefeitura Municipal de Vitória - PMV em 1989 determinou a faixa de renda média de cada uma. O resultado dessa pesquisa pode ser observado na tabela.2.2.

Tabela 2.2 - Enquadramento dos bairros de Vitória em função da faixa de renda de suas populações

Bairro

Faixa de renda média familiar

(em salário mínimo)

Classe social

Bairro

Faixa de renda média familiar

(em salário mínimo)

Classe social

Nossa Senhora Aparecida

até 2

D

Fradinhos

2 a 5

C

Inhanguetá

até 2

D

Santa Cecília

2 a 5

C

Estrelinha

até 2

D

Maruípe

2 a 5

C

Universitário

até 2

D

Tabuazeiro

2 a 5

C

Grande Vitória

até 2

D

São Cristóvão

2 a 5

C

Comdusa

até 2

D

Santa Martha

2 a 5

C

São Pedro

até 2

D

Andorinhas

2 a 5

C

Ilha das Caieiras

até 2

D

Itararé

2 a 5

C

Santos Reis

até 2

D

Bairro da Penha

2 a 5

C

São José

até 2

D

Bonfim

2 a 5

C

Santo André

até 2

D

Santa Lúcia (Bomba)

2 a 5

C

Redenção

até 2

D

Joana DArc

2 a 5

C

Nova Palestina I

até 2

D

Jabour

2 a 5

C

Nova Palestinas II

até 2

D

Solon Borges

2 a 5

C

Resistência

até 2

D

Segurança do Lar

2 a 5

C

Jesus de Nazaré

até 2

D

Antônio Honório

2 a 5

C

Vila Rubim

2 a 5

C

Maria Ortiz

2 a 5

C

Ilha do Príncipe

2 a 5

C

Goiabeiras

2 a 5

C

Mário Cipreste

2 a 5

C

Praia do Suá

5 a 10

B

Caratoíra

2 a 5

C

Jardim Camburi

5 a 10

B

Presidente Kenedy

2 a 5

C

Bairro República

5 a 10

B

Santa Tereza

2 a 5

C

Morada de Camburi

5 a 10

B

Bela Vista

2 a 5

C

Mata da Praia

5 a 10

B

Santo Antônio

2 a 5

C

Jardim da Penha

5 a 10

B

Ariovaldo Favalessa

2 a 5

C

Parque Moscoso

5 a 10

B

Ilha da Santa Maria

2 a 5

C

Centro

5 a 10

B

Forte de São João

2 a 5

C

Horto

5 a 10

B

Romão

2 a 5

C

Bento Ferreira

5 a 10

B

Jucutuquara

2 a 5

C

Enseada do Suá

mais de 10

A

Nazaré

2 a 5

C

Praia do Canto

mais de 10

A

Bairro de Lourdes

2 a 5

C

Ilha do Frade

mais de 10

A

Consolação

2 a 5

C

Ilha do Boi

mais de 10

A

Gurigica

2 a 5

C

Santa Lúcia

mais de 10

A

Monte Belo

2 a 5

C

Barro Vermelho

mais de 10

A

Santos Dumont

2 a 5

C

     

Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória - Secretaria de Planejamento - SEMPLA (1989)

No ano de 1998 a Secretaria de desenvolvimento Urbano - SEDUR, da PMV apresentou um Relatório, intitulado: Indicadores da SEDUR, contendo o resultado do levantamento do número de habitantes e de domicílios, por bairro do município, realizado em 1996. Uma tabela contendo esses resultados pode ser observada no Anexo I. Com base nesse levantamento e na pesquisa de 1989 determinou-se o número de habitantes e de domicílios por classe sócio-econômico. Esses valores estão apresentados na tabela 2.3.

Tabela 2.3 - Número de habitantes e de domicílios por classe sócio-econômica

Classe

Número de habitantes

Número de domicílios

A

33.138

8.672

B

79.517

27.772

C

123.647

33.244

D

36.691

6.049

Fonte: SEDUR, 1998

O número total de domicílios particulares permanentes no município de Vitória é de 67.705 residências. A situação com relação aos tipos de domicílios pode ser observada na tabela 2.4

Tabela 2.4 - Número de domicílios por tipologia.

Tipo de domicílio

Total

Urbana

Casa

43.872

43.872

Casa isolada ou de condomínio

35.613

35.613

Casa em conjunto residencial popular

2.923

2.923

Casa em aglomerado subnormal

5.336

5.336

Apartamento

22.646

22.646

Apartamento isolado ou de condomínio

19.595

19.595

Apartamento em conjunto residencial popular

2.824

2.824

Apartamento em aglomerado subnormal

227

227

Cômodos

249

249

Total geral

66.767

66.767

Fonte: Censo Demográfico 1991 - IBGE

2.6.4 - Setor industrial

Segundo levantamento do Departamento Estadual de Estatística - DEE, referente ao ano de 1991, existem setecentas e trinta e quatro industrias instaladas no município de Vitória. O número de indústrias por gênero de atividade pode se visto na tabela 2.5

Tabela 2.5 - Número de indústrias por gênero (1991).

Gêneros

Número

Extrativa mineral

05

Produtos minerais não metálicos

20

Metalurgia

30

Mecânica

53

Material elétrico e de comunicação

29

Material de transporte

08

Madeira

08

Mobiliário

32

Papel e papelão

_

Borracha

02

Couros, peles e produtos similares

_

Química

03

Produtos farmacêuticos e veterinários

_

Perfumarias, sabões e velas

_

Produtos de materiais plásticos

04

Têxtil

04

Vestuário, calçados e artefatos de tecido

121

Produtos alimentares

108

Bebidas

01

Editoriais e gráficas

42

Indústrias diversas

31

Construção civil

224

Serviços industriais de utilidades públicas

09

Total geral

734

Fonte: DEE - ES

Os dados relativos às características do município de Vitória e de sua população, levantados junto ao IBGE e ao DEE, apresentam uma defasagem de sete anos, podendo levantar dúvidas com relação as suas validades, no entanto são os únicos disponíveis nestes órgãos que podem auxiliar na obtenção de uma visão geral dessas características.

 

2.7 - Sistema de limpeza urbana do município de Vitória

O sistema de limpeza urbana do município de Vitória conta, principalmente, com coleta diária dos resíduos sólidos urbanos, realizada por contratada, uma usina de triagem e compostagem, uma área para disposição de entulhos de construção civil e coleta especial, também realizada por contratada, de resíduos de serviços de saúde. A tabela 2.6 apresenta as rotas de coleta do lixo urbano, bem como a quantidade de resíduos coletada em cada uma.

Tabela 2.6 - Distribuição das rotas de coleta e quantidade de lixo coletado por mês em cada uma, durante o ano de 1996.

Rota

Bairros principais

Coleta (t/mês)

2 - 1 - Diurna

Santo Antônio, Santa Terezinha, Inhanguetá, Estrelinha e Grande Vitória.

443,93

4 - 1 - Diurna

Nova Palestina, Resistência, Joana DArc, São Cristóvão e Tabuazeiro.

481,66

4 - 2 - Diurna

Maruípe, Itararé, Bairro da Penha e Andorinhas.

466,39

6 - 1 - Diurna

Goiabeiras, Maria Ortiz, Jabur e Morada de Camburi

462,79

6 - 2 - Diurna

Jardim Camburi.

439,26

Praia

Orla marítima de Camburi.

487,13

1 - 1 - Noturna

Cidade Alta (centro).

461,69

1 - 2 - Noturna

Cidade Baixa (centro), Jucutuquara, Romão, Bairro de Lourdes.

441,29

3 - 1 - Noturna

Bento Ferreira, Ilha de Santa Maria e Horto.

477,28

5 - 1 - Noturna

Praia do Canto, Santa Lúcia e Barro Vermelho.

505,74

5 - 2 - Noturna

Enseada do Suá, Ilha do Boi e Ilha do Frade.

501,57

6 - 1 - Noturna

Jardim da Penha.

384,24

6 - 2 - Noturna

Mata da Praia.

441,81

Fonte: Construtora Queiroz Galvão S.A.

 

 

 

2.7.1 - Breve histórico da ULV

Por ser a cidade de Vitória uma ilha com topografia bastante acidentada, de ter registrado um crescimento horizontal de 30% da área original nas décadas de 70 e 80 e de não dispor de áreas apropriadas para construção de aterro sanitário, os resíduos sólidos domiciliares gerados no município foram dispostos durante muitos anos em áreas de manguezais, restingas e alagados, que após aterradas sofreram invasão por parte de populações carentes, onde construíram suas moradias.

Devido ao agravamento dos problemas em decorrência da destinação final inadequada do lixo urbano do município de Vitória e do Governo Federal ter lançado em 1986 o Programa Nacional de Saneamento, liberando verbas para os municípios interessados em instalar usinas de triagem e compostagem, a Prefeitura Municipal de Vitória - PMV apresentou um projeto de usina de lixo com o objetivo de evitar o aumento dos impactos ambientais e solucionar os problema de ordem sanitária e social, com a geração de empregos para as pessoas que sobreviviam do lixo (Baptista, 1996). Aprovado em 1989 foi concluída a implantação da ULV.

Por ter sido o projeto desenvolvido em tempo hábil para a liberação dos recursos, não foi possível levantar as características físicas e químicas dos resíduos sólidos urbanos gerados no município, tendo sido inclusive descartada a necessidade de um aterro sanitário para disposição dos rejeitos da usina. Não havendo dados locais, foram utilizados para elaboração do projeto dados da composição gravimétrica do lixo de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro (BAPTISTA, 1996).

A ULV começou a operar em setembro de 1990, e tem uma capacidade nominal para beneficiar 216 toneladas de lixo por dia. Ela foi projetada dentro de uma concepção que buscava um baixo custo de investimento, o uso de tecnologia simplificada, que demandasse baixo custo de operação e manutenção, e a utilização de um grande contigente de mão-de-obra primária.

Por não ter sido contemplada a construção de um aterro sanitário para disposição final dos rejeitos originados no processo de beneficiamento do lixo, os mesmos, até o ano de 1995, foram dispostos a céu aberto, em áreas de manguezais e de municípios vizinhos. Devido à configuração geográfica e topográfica do município, existe uma grande dificuldade de se encontrar áreas apropriadas para instalação de aterros sanitários (Baptista, 1996). A partir de 1995 todo rejeito da usina e mais os resíduos da coleta especial (resíduos de serviços de saúde) passaram a ser dispostos em aterro sanitário contratado pela PMV, instalado em Cariacica, município vizinho. Os resíduos de serviços de saúde são dispostos em valas separadas, preparadas para este fim.

Em janeiro de 1996 ocorreu a paralisação do processo de compostagem da usina, em função da não aceitação da comunidade do entorno, uma vez que estava ocorrendo a geração de odores e proliferação de moscas . Este fato contribuiu para aumentar, de maneira bastante significativa, a quantidade de lixo destinada ao aterro sanitário, uma vez que toda matéria orgânica existente no lixo parou de ser reciclada, e o processo de triagem reduz em apenas 10% o volume inicial do lixo beneficiado (Baptista, 1996). A quantidade de lixo beneficiado na usina e o total de rejeito gerado, entre os anos de 1993 a 1996, pode ser observada na tabela 2.7.

Tabela 2.7 - Quantidade de lixo destinado à disposição final após beneficiamento na ULV.

Ano

Total de lixo beneficiado anualmente (t)

Média diária de lixo beneficiado (t)

Total de rejeito gerado anualmente (t)

1993

55783,54

178,79

19427,36

1994

58541,98

187,63

28705,07

1995

73016,75

234,03

47360,66

1996

62849,20

210,44

*79243,46

Nota.: * Soma do rejeito gerado em 1996 com o material estocado no pátio interno da usina durante o ano de 1995

Fonte: PMV/SEMURB/TDR/OM, apud Baptista (1996)

 

2.7.2 - Problemas atuais da ULV

Conforme já dito anteriormente, a falta de um estudo inicial da composição gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos urbanos na fase de elaboração do projeto, a concepção

inicial e o projeto executivo vêm sofrendo várias mudanças e adaptações de modo a adequar o projeto inicial às reais características do lixo de Vitória. Os principais problemas operacionais existentes na ULV atualmente são os seguintes (BAPTISTA et al., 1996):

No processo de triagem:

No processo de compostagem:

 

2.8 - Noções gerais de amostragem

Para situações onde um levantamento completo de uma população para avaliação de um fenômeno é inviável ou até mesmo impossível, em função dos custos envolvidos, tempo, material e mão de obra disponíveis, etc., utiliza-se a amostragem, que é uma técnica de se retirar uma amostra de uma população de forma que a represente com determinado grau de confiabilidade (Gerardi e Silva, 1981). A seguir são apresentadas algumas definições, conforme esses autores, fundamentais em um processo de amostragem.

 

Na amostragem intencional faz-se a seleção das amostras que consideram-se ser representativas do total da população. Este tipo de amostragem facilita a pesquisa mas pode comprometer seu resultado se na seleção das amostras forem selecionados casos ideais ou perfeitos e , portanto, não representativos. Na amostragem intencional não se aplicam tratamentos estatísticos que levem a inferências sobre a população, uma vez que seus resultados são válidos dentro dos limites da própria amostra (Gerardi e Silva 1981).

O tamanho da amostra , ou seja, o número de indivíduos amostrais selecionados é de vital importância para garantir que a população foi representada com certo grau de confiança, e é determinado em função do tamanho e do grau de variabilidade da população e da precisão desejada para inferências a partir da amostra. "Quanto maior o número de indivíduos na população, proporcionalmente menor o número de indivíduos que devem ser selecionados pela amostra. Quanto maior a variabilidade da população, maior deve ser a amostra, para representar esta variabilidade. Quanto maior o grau de precisão desejado, maior deve ser a amostra" (Gerardi e Silva 1981).

Krejcie e Morgan, apud Gerardi e Silva (1981) desenvolveram uma tabela na qual a partir do número de indivíduos de uma população pode-se determinar o número de indivíduos que devem compor a amostra. A tabela 2.8 apresenta estes valores.

Tabela 2.8 - Determinação do tamanho da amostra, a partir do tamanho da população

N

A

N

A

N

A

N

A

N

A

N

A

10

15

20

25

30

35

40

45

50

55

60

65

70

75

80

10

14

19

24

28

32

36

40

44

48

52

56

59

63

66

85

90

95

100

110

120

130

140

150

160

170

180

190

200

210

70

73

76

80

86

92

97

103

108

113

118

123

127

132

136

220

230

240

250

260

270

280

290

300

320

340

360

380

400

420

140

144

148

152

155

159

162

165

169

175

181

186

191

196

201

440

460

480

500

550

600

650

700

750

800

850

900

950

1000

1100

205

210

214

217

226

234

242

248

254

260

265

269

274

278

285

1200

1300

1400

1500

1600

1700

1800

1900

2000

2200

2400

2600

2800

3000

3500

291

297

302

306

310

313

317

320

322

327

331

335

338

341

346

4000

4500

5000

6000

7000

8000

9000

104

1,5x104

2x104

3x104

4x104

5x104

7,5x104

106

351

354

357

361

364

367

368

370

375

377

379

380

381

382

384

Obs.: N é o tamanho da população e A o tamanho da amostra

Fonte: Krejcie e Morgan, apud Gerardi e Silva (1981)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 3

Material e métodos

 

 

 

Material e métodos

 

3.1 - Introdução

Devido à inexistência de Normas Técnicas para padronização do estudo de caracterização gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos urbanos, conforme relatado no item 2.1 deste trabalho, optou-se nesta pesquisa pela utilização da metodologia aplicada por Gomes (1989), para caracterizar os RSD gerados na cidade de São Carlos. Nesta, a composição gravimétrica e físico-química destes é estimada através de amostragens dos resíduos gerados em classes sócio-econômicas distintas, nas estações climáticos predominantes na região de estudo.

Neste trabalho foram caracterizados apenas os RSD, vulgarmente denominados de lixo, gerados nas atividades domésticas diárias do homem (Lima, 1995 e Jardim et al., 1995). A composição gravimétrica e físico-química dos RSD gerados em Vitória foi determinada através da caracterização de amostras de lixo coletadas em bairros do município. Esses bairros foram selecionados em função dos padrões sócio-econômicos de sua população e do número e características dos estabelecimentos comerciais encontrados em cada um. As amostras foram coletadas nas estações climáticas mais significativas na região de estudo, períodos seco e úmido.

Neste trabalho utilizou-se a amostragem intencional, conforme definição de Gerardi e Silva (1981) apresentada no item 2.8 deste trabalho. Para cada classe sócio-econômica estudada foram selecionadas amostras consideradas representativas de cada uma delas.

Todo trabalho de caracterização dos RSD foi realizado em base úmida. Este dado é importante na hora de fazer comparações com estudos de caracterização do lixo realizados em algumas cidades do Brasil e exterior (Gomes, 1989).

Para realizar este trabalho, foi necessário viabilizar recursos humanos, materiais e equipamentos. Estes foram disponibilizados pela ULV e pela UFES, principalmente no que se refere às análises físico-químicas.

 

3.2 - Justificativa da escolha da metodologia

A definição por esta metodologia de caracterização de RSD ocorreu em função das características do sistema de limpeza urbana existente na cidade de São Carlos, em 1988, conforme apresentadas por Gomes (1989), serem bastante semelhantes as encontradas no município de Vitória, no período de realização desta pesquisa (1996). Na tabela 3.1 são mostradas essas características.

Tabela 3.1 - Características dos sistemas de limpeza urbana de São Carlos - SP e Vitória

Parâmetro

São Carlos

Vitória

Setores de coleta de lixo

13

13

Quantidade média de lixo coletado por setor

2 caminhões*

2 caminhões compactadores

População servida pelo sistema de coleta

100% da população do município

100% da população do município

Fator considerado para setorização da coleta

Área da cada setor

Área da cada setor

Características dos setores

Existência de populações com padrões sócio-econômicos distintos

Existência de populações com padrões sócio-econômicos distintos

População

150.000 habitantes

258.777 habitantes

Obs.: * Não foi informado o tipo da carroceria do caminhão coletor

Além da semelhança entre os sistemas de limpeza urbana dos dois municípios, três outros fatores contribuíram para a escolha dessa metodologia para caracterizar os resíduos sólidos domiciliares gerados em Vitória:

 

3.3 - Etapas da pesquisa

Este estudo foi dividido nas seguintes etapas:

(i) Coleta de dados preliminares

(ii) Trabalhos de campo

(iii) Análises laboratoriais

(iiii)Tratamento dos dados

 

3.4 - Desenvolvimento da pesquisa

Este trabalho de caracterização se tornou legalmente possível após a assinatura de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Universidade Federal do Espírito Santo - UFES e a Companhia de Desenvolvimento de Vitória - CDV, que em 1996 era responsável pela operação e manutenção da ULV.

Todo trabalho de campo, com exceção da coleta de amostras, foi desenvolvido dentro das dependências da ULV, que é totalmente cercada e iluminada. A segurança patrimonial é realizada por empresa contratada, responsável pela vigilância durante 24 horas, inclusive nos finais de semana e feriados.

 

3.4.1 - Recursos humanos, materiais e equipamentos utilizados na pesquisa

3.4.1.1 - Recursos humanos, materiais e equipamentos disponibilizados pela ULV para os trabalhos de campo

Os seguintes recursos humanos, materiais e equipamentos foram colocados à disposição para a realização dos trabalhos de coleta, tratamento e classificação das amostras:

Na coleta de amostras foram utilizados os caminhões compactadores da empresa Construtora Queiroz Galvão S.A., contratada da PMV para execução do serviço de coleta dos resíduos sólidos urbanos - RSU.

 

3.4.1.2 - Materiais e equipamentos utilizados nas análises físico-químicas

As análises químicas e físico-químicas foram realizadas, pelo próprio autor, nos laboratórios do Instituto de Tecnologia - ITUFES e do Departamento de Hidráulica e Saneamento - DHS do Centro tecnológico - CT da UFES, com exceção das análises de teor de nitrogênio, que foram realizadas por técnico da Companhia Espiritossantence de Saneamento - CESAN. Os seguintes materiais e equipamentos foram utilizados:

 

3.4.2 - Metodologia

3.4.2.1 - Levantamento dos padrões sócio-econômicos das populações dos bairros

Para a realização das atividades de campo, foi realizado inicialmente um levantamento referente ao poder aquisitivo das populações dos bairros do município, visando enquadrá-los dentro de classes sócio-econômicas distintas. Os dados levantados pelo IBGE, no Censo de 1991, não puderam ser utilizados por serem referentes ao rendimento médio mensal da população do município como um todo. Esse levantamento foi feito junto à Secretaria Municipal de Planejamento - SEMPLA da PMV, responsável por uma pesquisa realizada em 1989 que determinou a faixa de renda média das populações dos bairros do município, conforme apresentado no item 2.6.3 deste trabalho. As quatro faixas de renda detectadas na pesquisa foram denominadas de Classes, A, B, C e D, conforme pode ser observado na tabela 3.2 a seguir.

Tabela 3.2 - Identificação das classes sócio-econômicas .

Classe

A

B

C

D

Renda média mensal

Mais de dez salários mínimos

De cinco a dez salários mínimos

De dois a cinco salários mínimos

Até dois salários mínimos

Fonte: PMV/SEMPLA (1989)

Esse levantamento permitiu reunir os bairros em quatro grupos distintos, de forma que cada um representasse um nível sócio-econômico.

 

 

 

 

3.4.2.2 - Levantamento do número e das características dos estabelecimentos comerciais em cada bairro.

Esse levantamento foi realizado junto à SEMPLA da PMV e do IBGE, através de pesquisa no Cadastro de Classificação por Uso dos Imóveis do Município, utilizado pela Prefeitura no cálculo do I.P.T.U. de 1995 (Anexo 2) e nos dados do Censo Demográfico de 1991, que apresenta uma relação com o número de residências, escolas, estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços, hospitais, bancos e empresas de transporte de cada bairro do município.

Quantificaram-se e qualificaram-se os estabelecimentos comerciais de cada bairro, para que pudessem ser identificados e, conseqüentemente, descartados aqueles que tivessem uma alta concentração de atividades comerciais, industriais e de serviços. A coleta de amostras nesses bairros poderia mascarar o resultado final do estudo, cujo objetivo era o de caracterizar os resíduos sólidos de origem domiciliar.

Foram selecionados bairros onde os estabelecimentos comerciais eram constituídos por pequenos comércios, bares, padarias, mercearias entre outros. A composição dos RSD gerados pelas populações desses bairros não seria alterada de forma significativa, uma vez que o volume de resíduos gerados nesses tipos de estabelecimentos comerciais é pequeno se comparado com o total gerado nas residências.

 

3.4.2.3 - Avaliação dos setores de coleta de lixo do município de Vitória

Concluída a caracterização dos bairros, iniciou-se o estudo do sistema de limpeza urbana do município. Os setores de coleta bem como os traçados das rotas foram definidos pela PMV em parceria com empresa contratada Construtora Queiroz Galvão SA. Os treze setores de coleta executados pela empresa, conforme apresentado na tabela 2.6, foram avaliados individualmente, através de Planta Cartográfica do município, escala de 1:10.000. Esta foi também utilizada para marcação do trajeto do veículo coletor e definição do horário da coleta do lixo em cada um deles.

Neste primeiro momento, procurou-se observar quais setores de coleta eram compostos por bairros selecionados em função das características dos estabelecimentos comerciais e pertencentes a uma mesma classe sócio-econômica, descartando, a princípio, aqueles onde o mesmo caminhão coletava lixo produzido por populações de diferentes faixas de renda.

Selecionados os setores de interesse, foi feito uma verificação "in loco", em cada um separadamente, percorrendo toda a rota junto do veículo coletor em dia normal de coleta. Essa verificação possibilitou observar que os dados da pesquisa da PMV, sobre a faixa de renda das populações dos bairros, os dados do IPTU e o traçado original da rota, em Planta Cartográfica, representavam a situação real de campo.

Este levantamento foi necessário porque a amostra de interesse desta pesquisa não poderia conter mistura de RDS produzidos por populações de diferentes padrões sócio-econômicos, e a setorização existente para a coleta de lixo do município não considerava a faixa de renda média da população dos bairros.

 

3.4.2.4 - Rotas escolhidas para coleta de amostras desta pesquisa

Após avaliação das características dos estabelecimentos comerciais e padrões sócio-econômicos das populações dos bairros e dos setores de coleta de lixo existentes, foi possível selecionar as rotas de interesse para esta pesquisa, isto é, rotas onde o lixo coletado era gerado exclusivamente por populações com o mesmo padrão sócio-econômico e onde o volume de resíduos gerados por estabelecimentos comerciais não era significativo. A seguir são apresentadas as quatro rotas escolhidas e uma breve descrição sobre as mesmas.

(i) Para a Classe D

Selecionou-se a Rota 4-1-D (tabela 2.6), onde a coleta de lixo existente é diurna e devido ao volume gerado ser grande, é executada em duas etapas. Os RSD coletados na segunda etapa, correspondentes aos bairros Nova Palestina I, Nova Palestina II., Nova Palestina III, Redenção, São José, Santo André e Ilha das Caieiras, foram os utilizados como amostra representativa deste estrato.

O número de estabelecimentos comerciais dentro do setor da segunda etapa de coleta corresponde a 10,6% do número de residências, sendo 1% micro industriais, 83,6% pequenos comércios e serviços, 1% estabelecimentos esportivos, 1,3% serviços de saúde, 1,9% estabelecimentos de ensino, 0,3% centro cultural e 10,9% templos religiosos (Anexo 2).

(ii) Para a Classe C

Selecionou-se a Rota 4-2-D (tabela 2.6), onde a coleta de lixo existente é diurna e devido ao volume gerado ser grande, é executada em duas etapas. Os RSD coletados na segunda etapa, correspondentes aos bairros Itararé, Andorinhas e Santa Martha, foram os utilizados como amostra representativa deste estrato.

O número de estabelecimentos comerciais dentro do setor da segunda etapa de coleta corresponde à 10,8% do número de residências, sendo 1,2% pequenas indústrias, 88,8% pequenos comércios e serviços, 0,7% estabelecimentos esportivos, 0,7% estabelecimentos de serviços de saúde, 2,0% estabelecimentos de ensino, 0% centro cultural e 6,5% templos religiosos (Anexo 2).

(iii) Classe B

Optou-se pela Rota 6-2-D (tabela 2.6), onde a coleta de lixo existente é diurna e em apenas um bairro. Por ser um bairro com alta densidade demográfica, o volume de lixo gerado é grande e a coleta é executada em duas etapas. Os RSD coletados na segunda etapa, correspondente à área quase que exclusivamente residencial do bairro, foram os utilizados como amostra representativa deste estrato.

O número de estabelecimentos comerciais deste bairro corresponde a 10,8% do número de residências, sendo 0,7% pequenas indústrias, 93,5% pequenos comércios e serviços, 1,3% estabelecimentos esportivos, 0,6% serviços de saúde, 3,1% estabelecimentos de ensino, 0% centro cultural e 0,8% templos religiosos (Anexo 2).

Para evitar qualquer provável alteração na composição dos RSD desta rota nos dias de amostragem, os resíduos gerados em dois supermercados e em um hotel, existentes no trajeto da segunda etapa, não foram coletados. Isto porque o volume de lixo gerado nesses estabelecimentos era grande quando comparado com o gerado nas residências.

(iiii) Classe A

Selecionou-se a Rota 5-2-N (tabela 2.6), onde a coleta de lixo existente é noturna e devido ao volume gerado ser grande, é executada em três etapas. Essa rota de trabalho não pode ser aproveitada para a coleta de amostra desta pesquisa como ocorreu com as anteriores, em função de que nesta, ocorria a mistura de resíduos de origem comercial com os RSD, que além do mais, eram gerados por populações pertencentes a níveis sócio-econômicos distintos.

Para realização da amostragem, de forma a permitir a coleta de lixo somente nos setores residenciais e em bairros pertencentes a uma mesma classe, foi necessário alterar o traçado original. O novo traçado passou a ser o seguinte: Rua Coração de Maria, na Praia do Canto, Ilha do Frade, Enseada do Suá e Ilha do Boi, sendo todos esses bairros pertencentes à Classe A.

Após modificação, o número de estabelecimentos comerciais existentes no novo trajeto passou a corresponder a 10,6% do número de residências, sendo 0,7% pequenas indústrias, 88,7% pequenos comércios e serviços, 0,7% estabelecimentos esportivos, 4,2% serviços de saúde, 6,3% estabelecimentos de ensino, 0% centro cultural e 0% templo religioso (Anexo 2).

Para evitar qualquer provável alteração na composição dos RSD desta nova rota, nos dias de amostragem, os resíduos gerados em dois grandes colégios e em um hotel, existentes no trajeto, não foram coletados, porque o volume de lixo gerado neles era grande quando comparado com o gerado nas residências.

 

3.4.2.5 - Levantamento das condições climáticas da região onde está inserido o município de Vitória

Como o objetivo da pesquisa foi o de determinar a composição dos resíduos sólidos domiciliares, não só em função dos padrões sócio-econômicos da população, como também em função das condições climáticas locais, foi necessário levantar as características climáticas da região onde está inserido o município de Vitória.

Definiu-se pela coleta de amostras nos períodos seco e úmido, também denominados na região de inverno e verão respectivamente, por serem as variações climáticas de maior percepção pela população. Dessa forma, foi necessário levantar a série de observações meteorológicas, medidas na Estação Meteorológica de Vitória (20º 15 S e 40º 20 W), para delimitar os períodos seco e úmido (quadro 2.3).

Os dados meteorológicos mostram que o período úmido, no município de Vitória, está compreendido entre os meses de outubro a março e o seco de abril a setembro, sendo que agosto é o mês mais crítico do período seco e outubro, novembro e dezembro os meses mais críticos do período úmido. Sendo assim, foram escolhidos o mês de agosto, representando o período seco, e o mês de outubro, representando o período úmido, do ano de 1996 para realização da amostragem.

Na verdade, a amostragem no período úmido se estendeu de outubro a dezembro, uma vez que não poderia ocorrer coleta de amostra em dia chuvoso, sob pena de alterar a umidade natural dos resíduos sólidos domiciliares.

 

3.4.2.6 - Definição do tamanho das amostras

Foi considerado como amostra, nesta pesquisa, a massa de RSD correspondente à carga do veículo coletor compactador, com taxa de compressão de 1:3 ("Gar Wood"). As amostras variaram de 4.010 à 5.820 kg.

Conforme apresentado no item 2.8, o tamanho da amostra é de vital importância para garantir a representatividade de uma população com certo grau de confiança. Sendo assim, recorreu-se à Tabela criada por Krejcie e Morgan, apud Gerardi E Silva (1981), (tabela 2.8), para determinar qual deveria ser o tamanho da amostra em cada estrato. Para a utilização dessa tabela considerou-se como tamanho da população o número de residências em cada estrato sócio-econômico.

Com os tamanhos das amostras definidos, procurou-se levantar, através do Cadastro de Classificação por Uso dos Imóveis do Município (IPTU 1995), o número de residências dos setores onde haveria coleta de amostras para verificar se estes estariam dentro das faixas propostas por Krejcie e Morgan. Observou-se que o número de residências que seriam amostradas em cada classe era muito superior ao proposto. O resultado deste levantamento pode ser observado na tabela 3.3.

 

 

 

Tabela 3.3 - Resultado do levantamento para determinação do tamanho da amostra

Classe

Número total de residências em cada estrato

Tamanho da amostra conforme Krejcie e Morgan

Número de residências que seriam amostradas em cada estrato

A

8.672

368

1.336(1)

B

27.772

379

3.815(1)

C

33.244

380

3.717

D

6.049

361

2.926

Nota: 1 - Número aproximado tendo em vista que houve alteração na rota.

 

3.4.3 - Execução dos trabalhos de campo

3.4.3.1 - Cuidados na realização da amostragem

Para garantir a representatividade e a integridade das amostras adotaram-se os seguintes procedimentos:

 

3.4.3.2 - Coleta de amostras

Para a obtenção dos resultados, foram coletadas duas amostras por estação sazonal em cada uma das quatro classes sócio-econômicas, ou seja, duas amostras no período seco e duas no úmido para cada classe, resultando um total de dezesseis amostras.

A coleta de cada amostra era iniciada com a identificação do veículo coletor em relação ao setor previamente definido. Em seguida anotava-se na planilha de campo os dados referentes ao seu número de ordem e placa e o dia da coleta. Esse veículo era acompanhado pelo pesquisador que portava Carta Topográfica com o trajeto da rota, objetivando impedir qualquer desvio do traçado que viesse alterar a rota de trabalho estabelecida.

Após coleta de todo lixo do setor, o veículo retornava à usina. Nesta, o veículo coletor era pesado em balança rodoviária tanto na entrada como na saída. Para determinação do peso da amostra era anotado na planilha seu peso bruto e a tara para determinação do peso da amostra. Devido à balança estar quebrada, não foi possível determinar os pesos das amostras nas amostragens realizadas no período úmido.

A temperatura ambiente e a umidade relativa do ar, referentes aos dias de coleta, foram obtidas junto à EMCAPA, que recebe os Registros Climatológicos Diários de Superfície do Instituto Nacional de Meteorologia, medidos na Estação Vitória.

 

3.4.3.3 - Tratamento das amostras

O tratamento de cada amostra foi baseado no método de quarteamento proposto por Gomes (1989). O conteúdo do caminhão foi descarregado no pátio de recepção de resíduos da ULV, previamente limpo, em quatro montes aproximadamente iguais. Em seguida, a equipe de trabalho disponibilizada pela usina juntamente com o pesquisador rasgou manualmente todas as embalagens de acondicionamento do lixo existentes nos montes. Após essa etapa, um monte por vez, foi misturado com auxílio de pá mecânica de modo a se obter uma homogeneização da amostra natural. De cada monte foram retirados dois tambores iguais, com capacidade de 200 litros cada, completamente cheios, cujo peso de lixo era de aproximadamente 50 kg cada um.

O lixo desses tambores foi vazado em área pavimentada e previamente limpa formando quatro montes de aproximadamente 100 kg cada. A seguir, estes montes foram individualmente misturados, desta vez manualmente e com auxílio de uma enxada, e juntados dois a dois aleatoriamente, formando dois montes com aproximadamente 200 kg cada.

Cada um desses montes foi novamente misturado e quarteado, descartando-se duas partes não contíguas, resultando dois montes com aproximadamente 100 kg de lixo cada um. Uma segunda mistura e posterior quarteamento, descartando-se também duas partes não contíguas, foi realizado em cada monte, resultando dois montes de aproximadamente 50 kg cada.

A amostra utilizada para determinação da composição percentual em peso dos RSD foi formada pela soma desses dois montes de 50 kg, resultando numa amostra equivalente a aproximadamente 100 kg. Segundo Klee e Carruth, in Gomes (1989) e Finet, apud Porcel et al. (1994), essa quantidade de amostra é representativa do veículo coletor e é suficiente para determinação da composição gravimétrica do lixo, porque dela podem resultar valores com precisão equivalente a de amostras maiores.

Um fluxograma da técnica de amostragem proposta por Gomes (1989), é apresentado na figura 3.1.

Figura 3.1 - Fluxograma do quarteamento

Fonte: Gomes (1989) modificada por Henriques (1999)

 

 

 

3.4.3.4 - Determinação da composição gravimétrica dos RSD

Para se determinar a composição gravimétrica dos RSD, cada amostra de lixo com aproximadamente 100kg foi espalhada, individualmente, na mesa metálica de classificação, onde foi realizada a sua separação manual em oito componentes:

Após realizada a separação dos RSD, cada grupo foi pesado isoladamente na balança tipo plataforma. Antes da pesagem, a balança foi inspecionada e tarada. Os resultados obtidos foram anotados em planilha (Anexo 3) e em seguida era calculada a porcentagem de cada componente em relação ao peso total da amostra classificada.

 

3.4.3.5 - Determinação do peso específico aparente dos RSD

O peso específico aparente médio dos resíduos sólidos domiciliares foi determinado no pátio de recebimento de resíduos da ULV, durante a retirada de 100kg de lixo de cada um dos quatro montes formados na descarga de cada veículo coletor. Ele foi calculado utilizando-se o método proposto por Pessin et al. (1991). Após pesagem consecutiva de três tambores vazios, com capacidade para 200 litros cada, encheram-se os mesmos com os resíduos, realizando-se, então, uma nova pesagem. Através da diferença das duas pesagens obteve-se a massa de lixo contida em 200 litros. O peso específico aparente médio foi calculado utilizando-se a seguinte equação:

 

 

 

 

Peso específico aparente (kg/m3) = P1 P0 (3.1)

V

onde:

P0 = peso do tambor vazio (kg)

P1 = peso do tambor cheio (kg)

V = volume do tambor (m3)

 

3.4.3.6 - Amostragem da fração orgânica dos RSD

Após pesagem do grupo da matéria orgânica, todo material foi colocado em uma área pavimentada, previamente limpa, onde foi fragmentado, com auxilio de uma enxada, e quarteada até sobrar aproximadamente 1 Kg de amostra. Essa amostra foi encaminhada logo em seguida ao laboratório, para realização das análises químicas e físico-químicas, razão pela qual não foi necessária sua preservação conforme proposto por Lima (1995), ou seja, mantendo-a resfriada a uma temperatura abaixo de 4º C.

 

3.4.4 - Determinação da composição físico-química do componente matéria orgânica dos RSD

As análises de teor de umidade, sólidos voláteis, sólidos fixos, carbono orgânico total e pH foram realizadas no laboratório do Departamento de Hidráulica e Saneamento - DHS e do Instituto de Tecnologia - ITUFES, da UFES e as análises do teor de nitrogênio, no laboratório da CESAN.

 

3.4.4.1 - Teor de Umidade

A determinação do teor de umidade foi realizada conforme metodologia proposta por Lima (1995) e APHA (1995). Sempre em três repetições, pesava-se uma amostra de aproximadamente trinta gramas de matéria orgânica na balança analítica e a colocava para

 

secar na estufa a 105º C durante 24 horas. Após secagem, a amostra foi colocada em um dessecador para se resfriar, sendo pesada em seguida na mesma balança. O teor de umidade foi calculado pela diferença de peso, utilizando-se as seguintes equações:

U (%) = (WiA - WfA) x 1000 (3.2)

WiA

RS(%) = (100 - U) (3.3)

onde:

U = teor de água na massa (%)

WiA = peso inicial da amostra (g)

WfA = peso final da amostra (g)

RS = teor de resíduo seco (%)

 

3.4.4.2 - Sólidos Voláteis (SV)

O teor de sólidos voláteis foi determinado conforme metodologia proposta por Lima (1995), e APHA (19950. Sempre em três repetições, pesavam-se dois gramas de uma amostra analítica do lixo e a colocava em um forno tipo mufla à temperatura de 550º C durante 2 horas. A fração de matéria que se volatiliza é denominada de sólidos voláteis.

A amostra analítica foi preparada segundo metodologia sugerida por Lima (1995), na qual uma amostra de matéria orgânica de aproximadamente novecentos gramas foi submetida a um processo de secagem a 105º C durante 24 horas, na estufa. Logo após seu resfriamento em dessecador, foi triturada com pistilo de porcelana, moída no moinho de bolas por três horas e classificada com peneiras granulométricas utilizando-se vibrador. Ao final de todo esse processo resultou uma amostra com granulometria correspondente a 0,2 mm, denominada de amostra analítica. O teor de sólidos voláteis foi calculado pela seguinte equação:

SV = (WiA - WfA) x 100 (3.4)

WiA

 

 

onde:

WiA = peso inicial da amostra (g)

WfA = peso final da amostra (g)

SV = teor de sólidos voláteis (%)

 

3.4.4.3 - Sólidos Fixos (SF)

O teor de sólidos fixos foi calculado conforme proposto por Lima (1995), ou seja, sólidos fixos é o total remanescente após volatilizada a matéria orgânica, e foi calculado pela seguinte equação:

SNV = (100 - SV) (3.5)

onde:

SV = teor de sólidos voláteis (%)

SNV = teor de sólidos não voláteis (%)

 

3.4.4.4 - Teor de Carbono Orgânico Total (COT)

O teor de carbono orgânico total (COT.) foi calculado empiricamente conforme proposto por Kiehl (1985), segundo o qual o COT. pode ser calculado dividindo-se o teor de sólidos voláteis encontrado na amostra pelo fator 1,8, ou multiplicando-se por 0,555, como pode ser observado nas equações abaixo:

COT. = SV ¸ 1,8 ou (3.6)

COT. = SV x 0,555 (3.7)

onde:

COT. = teor de carbono orgânico total (%)

SV = teor de sólidos voláteis (%)

 

3.4.4.5 - pH

A determinação do pH foi realizada conforme metodologia proposta por Carnes e Lossin e Pereira Neto, apud Nóbrega (1991). Sempre em três repetições, tomavam-se aproximadamente 10 g de matéria orgânica e adicionavam-se 250 ml de água destilada. Agitava-se por três minutos, em agitador magnético, deixando, logo após, a solução em repouso por 5 minutos. Em seguida filtrava-se essa solução e fazia-se a leitura potenciométrica do pH utilizando-se o medidor de pH.

 

3.4.4.6 - Teor de Nitrogênio Total

A metodologia utilizada seguiu as recomendações sugeridas por Kiehl (1985), utilizando-se o método convencional Kjeldahl, realizado em duas fases, digestão e destilação. Na digestão uma amostra analítica, preparada conforme descrito no item 3.8.3, foi tratada com ácido sulfúrico concentrado para passar o nitrogênio orgânico e amoniacal para a forma de sulfato de amônio. Na segunda fase foi realizada a destilação do sulfato de amônio em meio alcalino para favorecer o desprendimento da amônia, que foi recebida em uma solução de ácido bórico a 4% e finalmente titulada com solução de ácido sulfúrico 0,05 N.

 

3.5 - Tratamento dos dados

3.5.1 - Geração "per capita" de RSD

A geração "per capita", por estrato, foi calculada através da razão entre a massa média de RSD coletada em cada amostragem e a estimativa do número de habitantes amostrados, realizada em função da rota de coleta utilizada na amostragem e do número de habitantes por bairro (tabela 2.3). Essa estimativa é apresentada na tabela 3.4.

 

 

 

 

Tabela 3.4 - Estimativa do número de habitantes amostrados por classe sócio-econômica

Classe

Estimativa do número de habitantes amostrados

A

3.228

B

12.394

C

14.170

D

19.976

Fonte: PMV/SEDUR

 

3.5.2 - Estimativa da geração de RSD por classe sócio-econômica

Para se estimar a produção diária de RSD em cada classe sócio-econômica (PDRSDC) utilizou-se o método estatístico bastante utilizado em agricultura, proposto por Mead e Curnow (1983), onde a mesma é calculada através da seguinte equação:

PDRSDC = NxYx (3.8)

onde:

Nx = número de habitantes correspondente à classe sócio econômica

Yx = geração "per capta" de RSD correspondente à classe sócio-econômica

 

O número de habitantes por classe sócio-econômica está apresentado na tabela 3.5

Tabela 3.5 - Número de habitantes por classe sócio-econômica

Classe

Habitantes

A

33.138

B

79.517

C

123.647

D

36.691

Fonte: SEDUR (1998)

 

3.5.3 - Estimativa da geração de RSD para o município de Vitória

Para se estimar a produção diária de RSD do município de Vitória (PDRSDV) utilizou-se também o método estatístico bastante utilizado em agricultura, proposto por Mead e Curnow (1983), onde a mesma é calculada através da seguinte equação:

PDRSDV = NxYx (3.9)

 

3.5.4 - Análise estatística dos resultados

A avaliação das variações dos resultados (composição gravimétrica, peso específico aparente e composição físico-química da matéria orgânica) entre as quatro classes sócio-econômicas e entre os períodos seco e úmido foi realizada com base na teoria dos testes de hipóteses para comparação de duas médias de dados não emparelhados, de populações com desvios-padrão diferentes e desconhecidos. O método utilizado foi o de "Aspin-Welch", para amostras pequenas, conforme discutido por Costa Neto (1977).

Nesse método compara-se um valor de "tcrít.", com nível de significância a = 5% e n graus de liberdade (equação 3.10), obtido em tabela (Anexo 4), com um valor calculado "tcalc." através da equação 3.11. Se o "tcalc." for maior do que tcrít.", há evidência estatística, a nível de confiança de 95%, de que existe diferença entre as médias.

 

 

 

 

 

 

 

(3.10)

 

onde:

n = grau de liberdade

n1 = tamanho da amostra 1

n2 = tamanho da amostra 2

S1 = desvio padrão da amostra 1

S2 = desvio padrão da amostra 2

w1 = S12/n1

w2 = S22/n2

 

(3.11)

 

onde:

tcal. = t calculado

x1 = média da amostra 1

x2 = média da amostra 2

n1 = tamanho da amostra 1

n2 = tamanho da amostra 2

S1 = desvio padrão da amostra 1

S2 = desvio padrão da amostra 2

w1 = S12/n1

w2 = S22/n2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 4

Resultados

 

 

 

Resultados

 

4.1 - Resultados

Os resultados apresentados neste capítulo referem-se aos valores médios, obtidos através de médias aritméticas e estimativas das campanhas realizadas nos períodos seco e úmido. Os valores específicos referentes a estas campanhas estão apresentados no Anexo 5

 

4.2 - Valores médios dos componentes por classe sócio-econômica

Na tabela 4.1 são mostrados os valores médios dos componentes em cada classe sócio-econômica nos períodos seco e úmido. Esses valores foram obtidos através da média aritmética dos resultados das duas amostragens realizadas em cada classe, em cada um dos períodos seco e úmido.

Tabela 4.1 - Composição gravimétrica dos RSD por classe sócio-econômica e por período climático

Componentes

Classe D

(%)

Classe C

(%)

Classe B

(%)

Classe A

(%)

 

S

U

S

U

S

U

S

U

Matéria orgânica

53,42

47,67

53,60

54,76

54,94

49,27

55,55

51,62

Papel e papelão

12,24

17,54

15,96

15,85

19,74

23,12

21,68

24,10

Plásticos

12,04

12,22

10,46

11,21

13,70

14,02

9,29

11,59

Diversos

8,22

6,93

6,92

7,25

3,25

5,84

2,10

3,87

Metais

5,47

3,56

4,14

2,58

3,38

3,03

2,71

2,86

Vidros

2,19

2,43

2,26

2,19

2,36

1,72

5,49

3,49

Madeira/couro/borracha

3,39

3,52

4,03

3,19

1,68

1,48

1,89

1,51

Trapos

3,06

6,15

2,64

3,01

0.98

1,53

1,30

0.99

Nota: S = período seco

U = período úmido

4.3 - Estimativa da geração diária de RSD por classe sócio-econômica e para o município de Vitória

Na tabela 4.2 são apresentadas as gerações diárias de RSD por classe sócio econômica e a geração diária do município. Os cálculos destas estimativas foram realizados conforme descrito nos itens 3.5.2 e 3.5.3.

Tabela 4.2 - Estimativa de geração diária de RSD por classe sócio-econômica para o município de Vitória

Classe sócio-econômica

Estimativa da geração diária (kg)

D

9.282,82

C

44.636,57

B

35.703,13

A

26.742,37

Vitória

116.364,89

 

4.4 - Estimativa da geração diária de cada componente por classe sócio-econômica e período climático

Na tabela 4.3 estão apresentadas as estimativas de geração diária dos componentes, para cada classe sócio-econômica no município de Vitória. Os cálculos destas estimativas foram realizados utilizando-se os valores da estimativa de geração diária de RSD por classe (tabela4.2) e os valores médios dos componentes em cada classe sócio-econômica, nos períodos seco e úmido (tabela 4.1)

Tabela 4.3 - Estimativas de geração diária dos componentes para cada classe sócio-econômica para o município de Vitória

Componente

Classe D

(kg/dia)

Classe C

(kg/dia)

Classe B

(kg/dia)

Classe A

(kg/dia)

 

S

U

S

U

S

U

S

U

Matéria orgânica

4.958,88

4.425,12

23.925,20

24.442,99

19.615,30

17.590,93

14.842,02

13.804,41

Papel e papelão

1.136,22

1.628,21

7.124,00

7.074,90

7.047,80

8.254,56

5.797,75

6.444,91

Plásticos

1.117,65

1.134,36

4.668,99

5.003,76

4.891,33

5.005,58

2.470,99

3.099,44

Diversos

763,05

643,30

3.088,85

3.236,15

1.160,35

2.085,06

649,84

1.034,93

Metais

507,77

330,47

1.847,95

1.142,70

1.206,77

1.081,80

684,60

762,16

Vidros

203,29

225,57

1.008,79

977,54

842,59

614,09

1.468,16

933,31

Madeira/couro/borracha

314,69

326,76

1.798,85

1.423,91

599,81

528,41

484,04

403,81

Trapos

284,05

570,89

1.178,41

1.343,56

349,89

546,26

347,65

264,75

Nota: S = período seco

U = período úmido

 

 

 

 

 

 

4.5 - Produção "per capita" dos RSD

A produção "per capita" de resíduos sólidos foi calculada para cada estrato sócio-econômico e conseqüentemente para o município como um todo, conforme descrito no item 3.3.1. Esses resultados podem ser observados na tabela 4.4

Tabela 4.4 - Produção "per capita" de RSD

Classe

População (1996)

Estimativa da produção de RSD (kg/dia)

Estimativa da produção

"per capta" (kg/habxdia)

A

33.138

26.742,37

0,807

B

79.517

35.703,13

0,449

C

123.647

44.636,57

0,361

D

36.691

9.282,82

0,253

Vitória

272.993

116.364,84

0,426

Os dados da tabela 4.4 mostram que a maior produção "per capita" ocorreu na classe de maior poder econômico, e a menor na de menor poder econômico.

Vale ressaltar que para o cálculo dessa estimativa só foram utilizados os dados da amostragem da primeira campanha, período seco, isto porque durante toda a segunda campanha, período úmido, com exceção da primeira amostragem da Classe D, a balança rodoviária da ULV permaneceu desmontada para manutenção e troca de componentes.

 

4.6 - Composição gravimétrica e peso específico aparente dos RSD.

4.6.1 - Composição gravimétrica

A composição gravimétrica dos resíduos sólidos foi realizada através da separação destes em oito componentes: matéria orgânica, papel/papelão, plásticos, diversos, metais, vidros, madeira/couro/borracha e trapos.

Os valores finais dos componentes considerados neste estudo foram obtidos através das médias aritméticas das estimativas de produção dos componentes, em cada classe sócio-econômica, nos períodos seco e úmido (tabela4.3). A tabela 4.5 apresenta esses valores.

Tabela 4.5 - Composição gravimétrica dos RSD

Componentes

(%)

h

Matéria orgânica

53,10

16

Papel e papelão

19,12

16

Plásticos

11,77

16

Diversos

5,45

16

Metais

3,25

16

Vidros

2,69

16

Madeira/couro/borracha

2,52

16

Trapos

2,10

16

O maior percentual na composição gravimétrica correspondeu à matéria orgânica (53,10%) que foi composta por restos de alimentação, cascas de frutas, tubérculos e legumes, folhas de vegetais, podas de jardins, entre outros. Neste grupo foram também incluídos alguns materiais inertes, como areia, terra, finos, etc., que por estarem intimamente misturados com a matéria orgânica, que é o último componente a ser separado, não são passíveis de separação (Gomes, 1989).

O componente papel e papelão (19,13%) constituiu-se de jornais, papel higiênico, papel toalha, revistas, folhas de cadernos, papéis de embrulho, embalagens de alimentos, bandejas e pratos de papelão, uma pequena quantidade de papéis de impressão de computadores e caixas de papelão, entre outros.

No componente plástico (11,77%) foram incluídos garrafas plásticas, pedaços de brinquedos, recipientes, embalagens de alimentos, sacolas de lixo e de supermercado, entre outros.

O componente diversos (5,44%) foi formado por pilhas, pedras, cacos de telhas e tijolos, terra, fraldas descartáveis, absorventes, espumas, isopor, entre outros materiais inertes.

No componente metais (3,25%) ficaram os metais ferrosos e não ferrosos, tais como latas de conservas e óleo, tampinhas de garrafas, arames, entre outros. Latas de alumínio e metais como cobre, zinco e chumbo foram encontrados em quantidade não significativa.

Com relação ao componente vidros (2,69%), composto por potes de conserva, vidros de perfume, cacos de vidros, cacos de louças, entre outros, a quantidade de garrafas de bebidas encontrada também não foi significativa.

Madeira, couro e borracha (2,52%) foi composto por pedaços de madeira, pedaços de couro e borracha, calçados, entre outros e o componente trapos (2,10%) por roupas usadas, retalhos de panos, fios, entre outros.

 

4.6.2 - Peso específico aparente

O peso específico aparente médio para os resíduos gerados no município como um todo foi obtido através da média aritmética entre os quatro estratos sócio-econômicos nos períodos seco e úmido. O peso específico aparente médio dos RSD gerados no município de Vitória foi de 271,67 kg/m3.

 

4.7 - Composição físico-química do componente matéria orgânica

A composição físico-química do componente matéria orgânica gerado em cada estrato sócio-econômico, nos períodos seco e úmido, foi determinada através das análises descritas no item 4.2.4. Os valores finais dos parâmetros considerados neste estudo foram obtidos através da média aritmética dos resultados para cada classe sócio-econômica. A tabela 4.6 apresenta esses valores.

 

 

 

 

 

Tabela 4.6 - Composição físico-química do componente matéria orgânica

Parâmetros

Composição final

h

PH

5,46

16

Umidade (%)

53,72

16

Sólidos voláteis (%)

47,19

16

Sólidos fixos (%)

52,81

16

COT (%)

26,22

16

Nitrogênio total (%)

1,27

16

Relação C/N

20,65

16

 

4.8 - Composição gravimétrica e peso específico aparente, nos períodos seco e úmido

4.8.1 - Composição gravimétrica

Os valores finais dos componentes em cada período climático foram obtidos através das médias aritméticas das estimativas de produção dos mesmos, em cada estrato sócio-econômico (tabela 4.3). A tabela 4.7 apresenta esses valores.

Tabela 4.7 - Composição gravimétrica dos RSD, nos períodos seco e úmido

Componente

Período seco

(%)

h

Período úmido (%)

h

Matéria orgânica

54,42

8

51,78

8

Papel e papelão

18,13

8

20,11

8

Plásticos

11,30

8

12,24

8

Diversos

4,86

8

6,01

8

Metais

3,65

8

2,85

8

Vidros

3,03

8

2,36

8

Madeira/couro/borracha

2,75

8

2,31

8

Trapos

1,86

8

2,34

8

A maior diferença na composição entre os dois períodos ocorreu para o componente matéria orgânica, 1,98%, e a menor para o componente madeira, couro e borracha, 0,44%. A geração dos componentes matéria orgânica, metais, vidros e madeira, couro e borracha foi ligeiramente superior, no período seco e de papel e papelão, plástico, diversos e trapos, no úmido.

 

4.8.2 - Peso específico aparente

O peso específico aparente dos resíduos sólidos domiciliares em cada período foi obtido através da média aritmética dos pesos específicos nos estratos sócio-econômicos. Na tabela 4.8 são apresentados esses valores.

Tabela 4.8 - Peso específico aparente dos RSD, nos períodos seco e úmido

Classe

Período seco

(kg/m3)

h

Período úmido (kg/m3)

h

A

234,32

16

258,41

16

B

255,05

15

298,61

13

C

286,62

14

289,19

8

D

249,24

15

310,69

10

Média

256,31

60

289,23

47

Verifica-se que o peso específico aparente foi superior, no período úmido em todos os estratos

 

4.9 - Composição físico-química do componente matéria orgânica, nos períodos seco e úmido

Os valores finais dos parâmetros em cada período foram obtidos através da média aritmética dos resultados das análises para cada estrato sócio-econômico. Esses valores são apresentados na tabela 4.9.

 

 

Tabela 4.9 - Composição físico-química do componente matéria orgânica, nos períodos seco e úmido

Parâmetro

Período seco

h

Período úmido

h

PH

5,70

8

5,22

8

Umidade (%)

53,15

8

54,28

8

Sólidos voláteis (%)

48,14

8

46,24

8

Sólidos fixos (%)

51,86

8

53,77

8

COT (%)

26,75

8

25,68

8

Nitrogênio total (%)

1,16

8

1,37

8

Relação C/N

22,95

8

18,76

8

A maior diferença entre os parâmetros nos dois períodos ocorreu para o parâmetro sólidos fixos, 1,91% e a menor para o parâmetro nitrogênio total, 0,21%. A relação C/N foi superior no período seco, 4,19%.

Os valores de pH, sólidos voláteis, COT e relação C/N foram ligeiramente superiores no período seco, e de umidade, sólidos fixos e nitrogênio total, no úmido.

 

4.10 - Composição gravimétrica e peso específico aparente nas quatro classes sócio-econômicas

4.10.1 - Composição gravimétrica

Os valores finais dos componentes em cada estrato sócio-econômico foram obtidos através das médias aritméticas dos valores dos mesmos, nos períodos seco e úmido. Esses valores estão apresentados na tabela 4.10.

 

 

 

 

Tabela 4.10 - Composição gravimétrica média dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas

Componentes

Classe D

(%)

h

Classe C

(%)

h

Classe B

(%)

h

Classe A

(%)

h

Matéria orgânica

50,55

4

54,18

4

52,11

4

53,59

4

Papel e papelão

14,89

4

15,91

4

21,43

4

22,89

4

Plásticos

12,13

4

10,84

4

13,86

4

10,44

4

Diversos

7,58

4

7,09

4

4,55

4

2,99

4

Metais

4,52

4

3,36

4

3,21

4

2,79

4

Vidros

2,31

4

2,23

4

2,04

4

4,49

4

Madeira/couro/borracha

3,46

4

3,61

4

1,58

4

1,70

4

Trapos

4,61

4

2,83

4

1.26

4

1,15

4

A classe A, de maior poder econômico, gerou uma maior quantidade dos componentes papel/papelão e vidros, e a D, de menor poder econômico, dos componentes diversos, madeira/couro/borracha e trapos.

 

4.10.2 - Peso específico aparente

O valor final do peso específico aparente em cada estrato sócio-econômico foi obtido através da média aritmética dos resultados do mesmo, nos períodos seco e úmido. Esses valores estão apresentados na tabela 4.11.

Tabela 4.11 - Peso específico aparente dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas

Classe

Peso específico aparente (kg/m3)

h

A

246,36

32

B

276,83

28

C

287,47

22

D

279,96

25

O maior valor de peso específico aparente foi observado na classe C, de menor poder econômico intermediário entre as classes B e D, e o menor, na classe A, de maior poder econômico.

 

4.11 - Composição físico-química do componente matéria orgânica nas quatro classes sócio-econômicas

Os valores finais dos parâmetros em cada classe foram obtidos através da média aritmética dos resultados dos mesmos, nos dois períodos. Esse valores estão apresentados na tabela 4.12

Tela 4.12 - Composição físico-química do componente matéria orgânica nas quatro classes sócio-econômicas

Parâmetros

Classe D

h

Classe C

h

Classe B

h

Classe A

h

pH

5,66

4

5,61

4

5,01

4

5,56

4

Umidade (%)

39,84

4

50,54

4

56,78

4

67,72

4

Sólidos voláteis (%)

33,95

4

43,42

4

51,68

4

59,72

4

Sólidos fixos (%)

66,05

4

56,58

4

48,32

4

40,28

4

COT (%)

18,87

4

24,12

4

28,71

4

33,18

4

Nitrogênio total (%)

1,01

4

1,16

4

1,32

4

1,58

4

Relação C/N

18,68

4

20,79

4

21,75

4

21,27

4

Os valores de umidade, sólidos voláteis, COT, nitrogênio total e relação C/N foram menores, no estrato de menor poder sócio-econômico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 5

DISCUSSÃO

Discussão

 

5.1 - Representatividade das amostras

5.1.1 - Amostragem

Para a realização desta pesquisa, os locais de coleta de amostra foram escolhidos em função das condições sócio-econômicas da população e da rota regular de coleta de RSU do sistema de limpeza urbana do município. A amostragem dos RSD seguiu critérios estabelecidos pelo amostrador e seleção não probabilística de amostras, constituindo-se em uma amostragem composta intencional, conforme Cintra (1995). Segundo Gerardi e Silva (1981), esse tipo de amostragem é representativa da população amostrada.

A população do município tem o hábito de colocar as sacolas de lixo para fora das residências no horário próximo à passagem do veículo coletor, uma vez que a coleta é diária, os horários são de conhecimento dos moradores e a Prefeitura pune, com multa, o morador que colocar o lixo na rua fora do horário de coleta.

A amostragem se deu na fonte de geração, sempre no mesmo horário da coleta regular, reduzindo ao máximo o tempo disponível para que ocorressem ações de agentes diversos que poderiam alterar as características dos RSD. Estas alterações, segundo Cintra (1995), são provocadas por catadores e condições naturais, sob a forma de degradação, uniformização da umidade e evaporação.

Essa coincidência de horário com a coleta regular e o hábito dos moradores certamente reduziram as possíveis alterações na composição gravimétrica e físico-química dos RSD.

 

 

 

 

 

 

5.1.2 - Equipe de trabalho

Para a realização da coleta de amostras foi utilizada uma equipe para cada rota, composta pelo próprio pessoal da coleta regular. Os trabalhos de tratamento e classificação das amostras, foram realizados, durante toda a pesquisa, por uma mesma equipe. Este procedimento, conforme Gomes (1989), elimina a possibilidade de inferências subjetivas nos resultados de um trabalho que se realiza de forma seqüencial e repetitivo com equipes diferentes.

 

5.1.3 - Tamanho das amostras

No presente trabalho, o tamanho das amostras ou número de residências amostradas em relação ao total, em cada classe sócio-econômica foi superior ao recomendado por Krejcte e Morgan, apud Gerardi e Silva (1981), conforme mostrado na tabela 5.1

Tabela 5.1 - Número de residências amostradas em relação ao proposto por Krejcie e Morgan, apud Gerardi e Silva (1981)

Classe

Número de residências por classe sócio-econômica no município de Vitória

Número de residências a serem amostradas conforme Krejcie e Morgan

Número de residências amostradas por classe sócio-econômica neste trabalho (1)

A

8.672

368

1.336

B

27.772

379

3.815

C

33.244

380

3.717

D

6.049

361

2.926

(1) - Dados levantados junto à SEPLAN/PMV através do IPTU/95 do município de Vitória

As quatro amostras em cada classe sócio-econômica, equivalentes a quatro caminhões compactadores, resultou num montante de RSD superior a 20% da produção diária de cada classe (tabela 4.2) para todo município de Vitória. Os valores da produção diária de RSD em cada classe foram obtidos a partir do tamanho da amostra, do número de habitantes e da geração "per capita" em cada uma delas. Na tabela 5.2 são apresentadas as percentagens dos RSD amostrados em cada classe sócio-econômica.

Tabela 5.2 - Percentual de RSD gerados em cada classe sócio-econômica em relação ao total gerado no município de Vitória

Classe

Produção de RSD (kg/dia)

Quantidade média amostrada(1) (kg)

Percentual

(%)

A

26.742,37

9.920

37,09

B

35.703,13

22.260

62,35

C

44.636,57

20.440

45,79

D

9.282,82

20.184

217,43

Vitória

116.364,89

72.804

62,57

(1) - Valores estimados em função do tamanho das amostras na primeira campanha ( Anexo 5), tendo em vista que a balança rodoviária da ULV, a partir da segunda campanha, encontrava-se desmontada para manutenção.

Para Cocharan e Wiley apud Avezun e Shalch (1996), uma amostra com tamanho de 20% da geração diária de resíduos sólidos é representativa do total de resíduo gerado com um nível de confiança de 95% e margem de erro de 5%. Com base nos dados percentuais da tabela5.2, em relação às considerações destes autores, pode-se concluir que as amostras utilizadas neste estudo são representativas do total de RSD gerados no município de Vitória.

 

5.1.4 - Tratamento das amostras

O tratamento das amostras, com pesos variando entre 4.010 e 5.820 toneladas (Anexo 5), foi realizado através de quarteamentos sucessivos (item 3.2.3.3), chegando-se a uma amostra final de trabalho com aproximadamente 100 kg. Este valor é superior aos 90 kg recomendados por Tchobanoglous et al. (1994), para que uma amostra seja considerada representativa da carga de um caminhão coletor de rota típica domiciliar, sob o mesmo procedimento de tratamento.

 

 

 

 

5.2 - Geração "per capita"

A geração "per capita" de RSD em cada classe sócio-econômica, no ano de 1996, foi estimada em função do tamanho da amostra na primeira campanha, do número estimado de habitantes amostrados e da produção de RSD em cada estrato sócio-econômico, no ano de 1996.

Observa-se que este parâmetro sofre forte influência das características sócio-econômicas da população. Na figura 5.1, pode-se verificar que a geração per capita de RSD no município de Vitória é diretamente proporcional ao poder econômico dessas classes, estando em conformidade com a afirmação de Orth e Motta. (1998), de que quanto maior o poder aquisitivo maior a geração "per capita" de RSD.

Figura 5.1 - Comparação da produção "per capita" de RSD entre as quatro classes sócio-econômicas.

A estimativa de geração "per capita" média de RSD em Vitória no ano de 1996 foi de 0,426 kg/habxdia.(tabela 4.1). Este valor é menor e está bem próximo ao da média brasileira para áreas urbanas, que segundo Oliveira e Pasqual (1998), é de 0,500 kg/habxdia.

 

 

Conforme Baptista (1998), a produção "per capita" de RSU verificada no município de Vitória em de 1996 foi de 0,802 kg/habxdia. Dessa forma a geração de RSD obtida neste estudo, referente ao ano de 1996 eqüivale a aproximadamente 53% desse total. No entanto, vale ressaltar que nos RSU não foram incluídos os resíduos de serviço de saúde, entulhos de obras e podas de árvores, o que resultaria em um percentual menor de RSD.

Orth e Motta (1998), relatam que no município de São Paulo, no ano de 1997, esse percentual correspondeu a 65%. Este valor pode ser considerado como um limite superior para a equivalência RSD/RSU de Vitória, tendo em vista que este coeficiente está relacionado com as diferenças nos hábitos e costumes, padrão de vida, nível educacional e sustentação econômica entre as duas populações. Segundo Lima (1995), Gomes (1989), Wilken e Oblanden, apud Berríos (1986), esses fatores são responsáveis pela diferença na composição e geração per capita de RSD entre municípios.

 

5.3 - Composição gravimétrica e peso específico aparente

5.3.1 - Composição gravimétrica dos RSD

Na figura 5.2 é mostrada a composição gravimétrica, obtida neste estudo, dos RSD gerados no município de Vitória

Figura 5.2 - Composição gravimétrica dos RSD do município de Vitória

Observa-se na figura 5.2 que houve uma grande variação entre os percentuais dos componentes, o que já era esperado, considerando-se os dados de revisão de literatura e os hábitos de consumo da população, que, segundo Orth e Motta (1998), são os responsáveis por essas diferenças. A seguir será feita uma análise, componente por componente, a respeito destas variações encontradas.

O componente matéria orgânica apresentou um valor elevado (53,10%) em relação aos demais componentes, apresentando a mesma tendência da maioria dos municípios brasileiros, em que, segundo Neto et al. (1998), a matéria orgânica representa o maior percentual dos RSD.

Observou-se uma quantidade elevada de materiais inertes, tais como terra, areia, finos, entre outros, intimamente misturados com a matéria orgânica. Isso ocorreu em função da coleta ter sido realizada com caminhões compactadores, o que provocou uma mistura homogênea dos RSD, e por ter sido este o último componente a ser separado, agregando todos os materiais que não são passíveis de separação. Conforme Gomes (1989), essa é uma característica comum do componente matéria orgânica em todos os estudos de caracterização dos RSD.

O componente papel e papelão (19,12%) apresentou uma baixa quantidade de papelão, o que já era esperado levando-se em consideração que os resíduos sólidos comerciais são responsáveis pela maior parcela da geração desse tipo de material, conforme relatado por Jardim et al. (1995) e Lima (1995). No trabalho de caracterização dos resíduos sólidos de origem comercial do município de Vitória, desenvolvido por Barreto (no prelo) tem-se um percentual de 28,91% para o componente papel/papelão. A forma de tratamento das amostras, através de quarteamentos sucessivos, também contribuiu para diminuir a quantidade de papelão, considerando que, conforme Azevedo et al. (1998), materiais mais volumosos (caixas de papelão) são excluídos da amostra final, nesse tipo de procedimento, em função da diferença dos tamanhos iniciais e finais das amostras.

No grupo "plásticos" foi encontrada uma grande quantidade de plástico filme, sob a forma de sacolas de supermercado. Isto ocorreu em conseqüência da grande utilização desse tipo de embalagem nos supermercados e reutilização das mesmas pela população, como saco de lixo, fato este verificado "in loco" durante as fases de coleta e tratamento das amostras.

Já no grupo "metais" observou-se que a quantidade de latas de alumínio encontrada foi insignificante se comparada com a de latas de folha de flandres. Provavelmente isto ocorreu devido à ação prévia de catadores, tendo em vista que o alumínio possui alto valor agregado no mercado de reciclagem. Outro fator que também pode ter contribuído para a presença de uma pequena quantidade de latas de alumínio nos RSD é que esse tipo de material é encontrado com maior freqüência nos resíduos de origem comercial, uma vez que, segundo Jardim et al. (1995), as latas de alumínio são provenientes basicamente do mercado de bebidas.

As latas de folha de flandres foram encontradas em maior quantidade, em relação aos demais metais, em função desse tipo de material ser dominante no setor de embalagens para produtos alimentícios no Brasil, conforme Jardim et al. (1995), e por possuírem baixo valor agregado no mercado de reciclados, tendo em vista que, segundo Jardim et al. (1995), necessitam passar por um tratamento prévio para remoção do estanho antes do processo de reciclagem, tornando onerosa sua reciclagem.

O componente "diversos" apresentou uma grande quantidade de materiais característicos de restos de construção, provavelmente resultante de construções que utilizam a mão de obra dos próprio moradores, sem nenhum registro de responsabilidade técnica devido à escassez de recursos. Como nesse processo construtivo a geração de entulho por residência é pequena, geralmente o seu descarte se dá junto com os RSD. Os resultados obtidos confirmam o que dizem Fiúza e Barros (1998): o descarte de entulhos de obras nos RSD é comum nos bairros de baixa renda, onde em geral esse é o processo construtivo mais utilizado.

O componente "vidro" foi composto principalmente por cacos de vidros e de cerâmica e por pequenos frascos. Atribui-se a grande quantidade de cacos à quebra das embalagens de vidro de maior volume, pelo processo de prensagem do caminhão compactador durante a coleta de amostras A substituição das garrafas de vidro pelas de plástico ao longo dos últimos anos, principalmente na indústria alimentícia, e a ação prévia de catadores deste tipo de material, considerado 100% reciclável, quando separado em diferentes tipos, segundo Jardim et al. (1995), são fatores que também contribuíram para a inexistência de garrafas e frascos de maiores tamanhos, no componente "vidros".

No grupo madeira, couro e borracha foi verificada uma predominância de pedaços não reaproveitáveis desses materiais. No grupo "trapos" foi verificada a predominância de roupas usadas, descartadas com maior freqüência pelas populações de baixa renda. Isto pode ser observado "in loco", durante a coleta e tratamento das amostras. A explicação desse fato pode ser atribuída ao hábito das pessoas de maior poder aquisitivo doarem roupas usadas para as mais carentes, que as descartam com maior freqüência no lixo quando estas já não têm mais condições de uso.

 

5.3.1.1 - Comparação entre a composição gravimétrica dos RSD de Vitória, Caxias do Sul - RS, São Paulo - SP, e os valores médios brasileiros

Para Berríos (1986), e Cintra (1995), a inexistência de normas brasileiras que padronizem estudos de classificação e categorização dos componentes dos RSD dificulta a comparação entre estudos já realizados em alguns municípios. No entanto , procurar-se-á nos parágrafos seguintes, fazer algumas comparações entre os resultados deste estudo e de outros municípios brasileiros.

Na figura 5.3 é mostrada a comparação entre as composições gravimétricas dos RSD de Vitória, Caxias do Sul, São Paulo e a composição média brasileira. Para facilitar a comparação, os componentes dos RSD dos municípios foram divididos em seis grupos, conforme são apresentados por Oliveira et al. (1998), os valores médios brasileiros.

Figura 5.3 - Comparação entre a composição gravimétrica dos RSD de Vitória, Caxias do Sul, São Paulo, e os valores médios nacionais

Além das variações decorrentes do período de realização de cada um desses estudos, os valores médios brasileiros são os mais antigos, as características climáticas e da população desses municípios são responsáveis, segundo Lima (1995), Gomes (1989), Wilken e Oblanden, apud Berríos (1986), pela diferença na composição dos RSD gerados pelos mesmos, considerando que esses fatores propiciam a suas populações hábitos alimentares e costumes diferenciados. Na tabela 5.3 é mostrado um comparativo entre esses três municípios.

Tabela 5.3 - Comparação das características climáticas e da população dos municípios de Vitória, São Paulo e Caxias do Sul

Características

Vitória

São Paulo

Caxias do Sul

Clima

Tropical úmido com temperatura média anual de 23,5° C

tropical úmido com temperatura média anual de 17,7° C

subtropical de altitude com temperatura média anual de 16° C

Precipitação média anual

1.283 mm

1.319,4 mm

2.174 mm

Umidade relativa média anual

79%

83%

84%

Sustentação econômica da população

  • comércio
  • portos
  • produção industrial (pequena escala)

  • produção industrial
  • comércio
  • agricultura
  • produção industrial
  • Localização

    litorânea

    interior

    interior, + 800 m acima do nível do mar

    Hábitos da população

    alimentação característica de clima quente com alto consumo de peixes e frutos do mar.

    Alimentação com alto consumo de alimentos industrializados em função do ritmo de vida da população

    alimentação própria de clima frio com forte influência européia em função da colonização italiana

    Outros fatores também podem ser considerados quando se avalia a diferença nas composições dos RSD desses municípios, tais como:

     

     

     

     

    Matéria orgânica

    Na figura 5.3 verifica-se que o valor médio brasileiro para o componente "matéria orgânica" (60%) foi o maior percentual, o que pode ter ocorrido em função das seguintes razões:

     

    Papel e papelão

    Na figura 5.3 é evidente que o percentual de papel e papelão médio brasileiro (25%) foi também superior ao percentual médio de cada município. Este fato pode ser analisado considerando que:

     

    Plásticos

    Conforme dados da figura 5.3, o valor médio brasileiro foi o menor de todos o valores analisados (3,00%). Tal fator pode provavelmente ter sido ocasionado por:

     

    Diversos

    Na figura 5.3 observa-se que o percentual do componente "diversos" é bastante significativo no município de Caxias do Sul (22,40%). Isto pode ser atribuído à incorporação neste componente, conforme Pessin e Silva (1998), além de madeira, couro, borracha, trapos e materiais inertes, materiais como papel higiênico, esponja de aço, ossos e alguns tipos de embalagens (multi-filme, tetra-pak e de medicamentos). Já em Vitória, o segundo maior percentual (10,07%), o componente apresentou uma quantidade significativa de entulho de obras, provenientes dos bairros de menor nível sócio-econômico (item 5.3.1). O percentual encontrado em São Paulo (4,50%) foi praticamente igual ao valor médio brasileiro (4,00%), não se tendo, no presente momento, argumentação plausível para análise.

     

    Metais

    Na figura 5.3 verifica-se que o percentual de metais foi aproximadamente o mesmo, cerca de 3,00%, em todos os estudos, demonstrando uma igualdade na presença desse tipo de material no lixo, seja ele do tipo RSD ou RSU.

     

    Vidros

    O maior percentual de vidro para o valor médio brasileiro (3,00%), conforme figura 5.3, pode ser atribuído ao fato de estar havendo, em função do desenvolvimento tecnológico e industrial, uma substituição das embalagens de vidro pelas de plástico ao longo dos anos, principalmente nos produtos alimentícios.

     

    5.3.2 - Peso específico aparente

    O peso específico aparente médio encontrado para os RSD de Vitória foi de 271,67 kg/m3. Segundo Lima (1995), o peso específico aparente médio para o lixo brasileiro corresponde a 192 kg/m3, ou seja, eqüivale a aproximadamente 71% do valor encontrado para o município de Vitória.

    A diferença entre valor do peso específico aparente dos RSD de Vitória e o valor médio do peso específico aparente do lixo brasileiro pode ser atribuído aos seguintes fatores:

     

     

     

    5.4. - Composição físico-química do componente "matéria orgânica"

    5.4.1. - Composição físico-química

    O pH de 5,46 (tabela 4.6) verificado para o componente "matéria orgânica" mostrou-se ligeiramente ácido, mas dentro da faixa de valores do pH para os RSD no Brasil, que segundo Jardim et al. (1995), varia de 4,5 a 5,5. Este valor está muito próximo ao do limite inferior do pH ótimo para o crescimento microbiano em um processo de compostagem que, de acordo com Nóbrega (1991), deve situar-se entre 5,5 e 8,0. Ainda segundo Nóbrega (1991), o pH não é um fator crítico para o processo, e dificilmente pode ser corrigido durante o mesmo.

    O parâmetro "teor de umidade" encontrado, 53,72% (tabela 4.6), ficou abaixo do valor médio para o lixo domiciliar brasileiro, que conforme Lima (1995), é de 60% Apesar deste ser ligeiramente inferior ao valor da média brasileira, encontra-se, segundo o mesmo autor, dentro da faixa recomendada para início de um processo de compostagem, que varia entre 40 a 60%.

    O percentual de sólidos fixos - SF no componente "matéria orgânica", 52,81% (tabela 4.6), foi superior ao percentual de sólidos voláteis - SV, 47,19% (tabela 4.6), comprovando a alta concentração de materiais inertes misturados com a matéria orgânica (item 5.3.1).

    O percentual de SV ficou bem abaixo do valor médio nacional, que segundo Mercedes (1998), encontra-se acima de 60%. O baixo teor de SV encontrado pode estar relacionado com a alta concentração de inertes na matéria orgânica e com a separação rigorosa de todo e qualquer tipo de papel do componente "matéria orgânica". Poincelot e Diaz et al., apud Nóbrega (1991), relatam que uma grande fonte de carbono dos RSD está no papel.

    Os teores de COT e nitrogênio total obtidos foram, respectivamente, 26,22% e 1,27% (tabela 4.6). Estes foram determinados para que se pudesse conhecer a relação C/N do componente, um dos fatores de vital importância para um processo de compostagem, de acordo com Lima (1995). A relação C/N encontrada foi aproximadamente de 21:1 (tabela 4.6), valor inferior ao da relação ótima sugerida para se iniciar uma compostagem, a qual deve ser, conforme Lima (1995), da ordem de 30:1. A baixa relação C/N encontrada provavelmente está relacionada com o baixo teor de COT do componente matéria orgânica, uma vez que o teor de nitrogênio está dentro da faixa considerada ótima para o início da compostagem que, de acordo com Jardim et al. (1995), varia entre 1,2 a 1,5%.

    O teor de COT tem relação direta com o de SV, confirmando mais uma vez que o componente "matéria orgânica" apresenta alta concentração de materiais inertes.

     

    5.4.2 - Comparação entre a composição físico-química do componente "matéria orgânica" dos RSD de Vitória com a do município de Aracaju - SE

    Para avaliar a consistência dos resultados da composição físico-química do componente "matéria orgânica" dos RSD de Vitória, optou-se por fazer a comparação destes com os obtidos no município de Aracaju.

    A escolha por Aracaju deu-se em função dos seguintes critérios de semelhança:

    Vale destacar também que os parâmetros físico-químicos analisados, em ambos os estudos, foram aqueles considerados primordiais, segundo Jardim et al. (1995), para a avaliação da utilização de um processo de compostagem na reciclagem da matéria orgânica existente nos RSD.

    Figuras 5.4 e 5.5: Apresentação da comparação entre esses resultados referentes aos dois municípios.

    Figura 5.4 - Comparação da composição físico-química do componente "matéria orgânica" dos RSD de Vitória e Aracaju. Fonte de dados de Aracaju: Daltro et al. (1996)

     

    Figura 5.5 - Comparação do pH e relação C/N do componente "matéria orgânica" dos RSD de Vitória e Aracaju. Fonte de dados de Aracaju: Daltro et al. (1994)

     

    Com base nos dados mostrados nas figuras 5.4 e 5.5, podem ser feitas as seguintes comparações entre os resultados:

     

    Teor de umidade

    O teor de umidade da matéria orgânica de Aracaju (29,75%) correspondeu a aproximadamente 55% do valor encontrado em Vitória (53,72%). Provavelmente essa diferença ocorreu em função de:

     

    Teores de SV, SF e COT

    Os teores de SV (47,19%) e COT (26,22%) no município de Vitória corresponderam a aproximadamente 62% e 64% dos respectivos valores em Aracaju (SV=75,58% e COT=40,76%). Já o teor de SF em Aracaju correspondeu a aproximadamente 49% do valor encontrado em Vitória. Esses valores demonstram que o componente "matéria orgânica "de Vitória apresentou uma maior concentração de materiais inertes intimamente misturados em relação à concentração de inertes misturados à matéria orgânica em Aracaju. Isto pode ser melhor compreendido considerando que:

     

    Nitrogênio total

    O teor de nitrogênio do componente "matéria orgânica" em Vitória (1,27%) correspondeu a aproximadamente 86% do valor encontrado na matéria orgânica de Aracaju (1,47%). Essa diferença de 14%, apesar de muito pequena, pode estar relacionada com o fato da população aracajuana consumir uma maior quantidade de matéria orgânica de origem animal (carnes), ainda não industrializada, fonte rica de nitrogênio nos RSD, segundo Luz (1986), do que a população de Vitória.

     

    Relação C/N

    A relação C/N da matéria orgânica em Vitória (20,65%), foi inferior a de Aracaju (27,73%), em função do componente "matéria orgânica" de Vitória ter apresentado um menor teor de COT, já que os teores de nitrogênio total nos dois municípios ficaram muito próximos.

     

    pH

    O pH da matéria orgânica em Vitória (5,46) foi menos ácido do que em Aracaju (4,62). Segundo Jardim et al. (1995), pH ácido indica início da degradação do lixo, o que pode ser atribuído ao fato dos RSD de Vitória terem ficado, antes da coleta, menos tempo expostos à degradação natural. Isto pode ter ocorrido em função da coleta de RSD em Vitória ser diária, já que em Aracaju ocorre em dias alternados, conforme Daltro et al. (1994).

     

    5.5 - Avaliação da variação da composição gravimétrica e do peso específico aparente dos RSD obtidos nos períodos seco e úmido

    A avaliação da variação da composição gravimétrica e do peso específico aparente dos RSD obtidos nos períodos seco e úmido foi realizada utilizando-se a distribuição estatística t "Student" para comparação de duas médias, com a correção de "Aspin-Welch", conforme método proposto por Narchi e Takeda (199?) (item 3.3.2).

    A utilização desta distribuição estatística ( t "Student") se fez necessária face ao tamanho das amostras analisadas ter sido menor do que trinta (N < 30). Segundo Spiegel (1970), essa distribuição estatística é própria para pequenas amostras (N < 30).

     

    5.5.1 - Variação da composição gravimétrica

    Aplicando-se a estatística t "Student" entre as médias dos componentes nos períodos seco e úmido, observou-se nos resultados (tabela 1.1 do Anexo 6) que não se pode rejeitar, a um nível de confiança de 95%, a hipótese de que essas médias tenham sido iguais entre esses dois períodos. Os resultados dos testes indicam portanto que a composição dos RSD não se alterou em função dos períodos seco e úmido, como pode ser visualmente observado na figura 5.6.

    Figura 5.6 - Composição gravimétrica dos RSD nos períodos seco e úmido

    A partir dos dados da composição gravimétrica dos RSD nos períodos seco e úmidos, figura 5.6, fica evidente que a população de Vitória não altera significativamente seus costumes e hábitos alimentares, consumindo ou deixando de consumir determinados tipos de alimentos ou outros tipos de produtos, em função das condições climáticas da região, como acontece em países de clima temperado.

    As diferenças entre as temperaturas médias e as umidade médias, relativas aos dias de coleta de amostra, entre os períodos seco e úmido demonstram que não chega a ser significativa a variação climática entre esses dois períodos, a ponto de interferir nos hábitos e costumes da população. Essas diferenças são mostradas na tabela 5.4

     

     

     

     

     

     

     

    Tabela 5.4 - Médias da temperatura e umidade relativa, dos períodos seco e úmido, medidas entre 1961 e 1998

    Parâmetro

    Média do período seco

    Média do período úmido

    Diferença entre as médias

    Temperatura (° C)

    23,1

    25,7

    2,6

    Umidade relativa do ar (%)

    78

    80

    2

    Fonte: EMCAPA

     

    5.5.2 - Variação do peso específico aparente

    Aplicando-se a estatística t "Student" entre as médias do peso específico aparente nos períodos seco e úmido, observou-se, nos resultados (tabela 1.2 do Anexo 6) que não se pode rejeitar, a um nível de confiança de 95% a hipótese de que essas médias tenham sido iguais entre esses dois períodos. Os resultados dos testes indicam portanto que o peso específico aparente dos RSD não se alterou em função dos períodos seco e úmido, como pode ser visualmente observado na figura 5.7.

    Figura 5.7 - Peso específico aparente dos RSD nos períodos seco e úmido

    A não alteração dos hábitos e costumes da população com as variações climáticas, mostradas anteriormente, o fato dos RSD de Vitória serem bem acondicionados em sacolas plásticas, conforme verificado "in loco", e a coleta de amostras imediatamente após colocação do lixo na rua, evitando ações antrópicas, são fatores aos quais atribui-se a pequena variação (aproximadamente 13%), no peso específico aparente dos RSD entre esses dois períodos. O bom acondicionamento dos RSD evitou que ocorresse perda ou aumento do teor de umidade dos mesmos, em função das variações da umidade relativa do ar e das precipitações pluviométricas, com conseqüente variação do peso específico aparente.

    Vale ressaltar que nos dias chuvosos, para evitar a descaracterização do valor do peso específico aparente real dos RSD devido ao acúmulo de água, não houve coleta de amostras.

     

    5.6 - Avaliação da variação da composição físico-química do componente matéria orgânica entre os períodos seco e úmido

    A avaliação da variação físico-química entre os períodos seco e úmido também foi realizada através da estatística t "Student". Dos resultados obtidos (tabela 1.3 Anexo 6), verificou-se que, ao nível de confiança de 95%, não se pode rejeitar a hipótese de igualdade entre as médias dos parâmetros físico-químicos entre os períodos seco e úmido, com exceção dos parâmetros pH relação C/N. Nas figuras 5.8 e 5.9 são apresentados, de forma comparativa, os parâmetros físico-químicos dos RSD representativos desses dois períodos.

    Figura 5.8 - Comparação dos parâmetros "umidade", SV, SF, COT e "nitrogênio total", do componente "matéria orgânica", entre os períodos seco e úmido

     

    Figura 5.9 - Comparação do pH e a relação C/N, do componente "matéria orgânica", entre os períodos seco e úmido

    Na figura 5.8 observa-se que tanto a variação da umidade relativa do ar (tabela 5.4) como a variação do índice pluviométrico entre os períodos seco e úmido não foram significativos a ponto de provocar alterações no teor de umidade dos RSD desses dois períodos. Este fato pode ser explicado pelo bom acondicionamento dos resíduos, uma vez que a partir dos componentes dos RSD observou-se que a população praticamente não alterou seus hábitos alimentares e demais costumes.

    A pequena variação dos teores de SV, SF e COT também demostram que praticamente não houve alteração dos costumes e hábitos alimentares da população durante os dois períodos climáticos estudados, uma vez que a quantidade média de matéria orgânica e de carbono do componente "matéria orgânica" não apresentaram diferenças significativas entre os períodos seco e úmido.

    Com relação ao pH, a constatação do valor médio ligeiramente inferior no período úmido, conforme pode ser observado na figura 5.9, demonstra que as variações climáticas, principalmente a temperatura e a umidade, propiciaram uma aceleração da degradação natural dos RSD. Isto pode ser observado verificando-se que neste período o pH apresentou um valor mais ácido do que no outro, o que indicaria, conforme Jardim et al. (1995), início da decomposição.

    A relação C/N também foi superior no período seco, conforme pode ser observado na figura 5.9., em conseqüência de um menor teor de nitrogênio e maior de COT. Isto pode ter ocorrido em função de um menor descarte, por parte da população de Vitória, de matéria orgânica de origem animal e um descarte maior de matéria orgânica de origem vegetal, já que, conforme Luz (1986), matéria orgânica de origem animal é rica em nitrogênio e a de origem vegetal é fonte de carbono

     

    5.7 - Avaliação da variação da composição gravimétrica e do peso específico aparente dos RSD entre as quatro classes sócio-econômicas

    5.7.1 - Variação da composição gravimétrica

    Os componentes "matéria orgânica", "plásticos", "metais" e "vidros" não apresentaram diferença significativa entre os estratos sócio-econômicos, enquanto que os componentes "papel" e "papelão", "diversos", "madeira/couro/borracha" e "trapos" apresentaram diferença significativa nos estratos A e B em relação aos estratos C e D, conforme pode ser observado na figura 5.10

    Figura 5.10 - Composição gravimétrica dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas

    Fazendo-se uma avaliação da variação da composição dos RSD de Vitória, entre as quatro classes sócio-econômicas, pelo teste t "Student", verifica-se, pelos resultados (tabela 1.4 Anexo 6) que não existe uma diferença significativa entre as médias dos componentes quando comparada a classe A com a B, a B com a C e a C com a D, conforme pode-se observar na figura 5.10. Ao nível de significância de 95%, este teste rejeitou a hipótese de igualdade entre as médias em oito das vinte a quatro comparações, ou seja, em 33,3% delas. Na tabela 5.5 são mostradas essas comparações.

     

     

     

     

     

     

     

    Tabela 5.5 - Comparações onde foram rejeitadas a hipótese de igualdade entre as médias dos componentes através do teste t "Student".

    Comparação

    Componente

    B com C

    papel e papelão

    A com B

    plásticos

    B com C

    plásticos

    B com C

    diversos

    A com B

    vidros

    C com D

    vidros

    B com C

    madeira/couro/borracha

    B com C

    trapos

    Sendo assim, dividiram-se as quatro classes em dois grupos, um formado pelas classes A e B e o outro pelas classes C e D, conforme mostrado na figura 5.11. Observa-se que os componentes recicláveis, tais como: papel e papelão e vidros são encontrados em maior quantidade no primeiro grupo e os metais no segundo. No caso do plástico a sua geração também é maior no primeiro grupo, mas com uma diferença não significativa (0,64%).

    Figura 5.11 - Diferenças dos componentes dos RSD entre os grupos formados pelas classe A/B e C/D

    A seguir serão tecidos alguns comentários sobre os dados referidos na figura 5.11.

    Aplicando-se o teste t "Student" para comparar os componentes dos RSD entre esse dois novos grupos (AB e CD), verificou-se, nos resultados (tabela 1.5 Anexo 6) que não se pode rejeitar, ao nível de confiança de 95%, a hipótese de que as médias dos componentes "papel" e "papelão", "diversos", "madeira/couro/borracha" e "trapos" são diferentes entre os grupos AB e CD e as dos demais componentes, "matéria orgânica", "plásticos", "metais" e "vidros", são iguais.

    Como já era esperado, as classes de maior nível sócio-econômico apresentaram um maior percentual de papel e papelão nos RSD do que as de menor renda, uma vez que nessas classes ocorre um maior consumo de materiais, tais como: jornais, revistas, produtos industrializados, papéis para impressão, entre outros.

    Os componentes "diversos" e "madeira/couro/borracha" apresentaram maior percentual nas classes de menor nível sócio-econômico. A maior geração desse materiais nas classes C e D pode estar relacionada com o descarte de restos de obras em função do processo de construção por mão de obra própria (auto-construção), que ocorrem com maior freqüência, segundo Fiúza e Barros (1998), nos bairros de menor nível sócio-econômico.

    Isto foi confirmado através de observações realizadas "in loco", durante a coleta de amostras, onde verificou-se que nos bairros da classe D os barracos de madeira estavam sendo substituídos por casas de alvenaria e que pequenas obras de reforma e ampliação das residências estavam sendo realizadas nos bairros da classe C. Nestes bairros não foi verificado a presença de caixas estacionárias para coleta de entulhos como foi nos bairros das classes A e B, o que pode ter propiciado o descarte de entulho junto com os RSD.

    O maior percentual de trapos nas classes de menor poder sócio-econômico (C e D) pode ter ocorrido em conseqüência do descarte de roupas usadas, após não apresentarem mais condições de uso, doadas por pessoas das classes de maior poder aquisitivo.

    A igualdade nas médias dos componentes "matéria orgânica", "plásticos", "metais" e "vidros", determinada pelo teste t "Student", pode estar relacionada com a evolução

    tecnológica e de produção que, segundo Avezum e Shalch (1996), possibilitaram, nas duas últimas décadas, o acesso de grande parte da população a um grande número de produtos industrializados acondicionados nos mais variados tipos de embalagens.

    Aliadas a este fato, existem também as mudanças de hábitos da sociedade em busca de um maior conforto e praticidade que, conforme os autores supra citados, fizeram com que não só surgissem novos produtos industrializados como também tornaram as embalagens descartáveis primordiais para a venda de qualquer produto, sem grandes diferenças de preços e acessível, indistintamente, a todas as classes sócio-econômicas.

    Apesar do componente "matéria orgânica" apresentar médias iguais entre os estratos sócio-econômicos, foi observado "in loco" que os materiais que constituem esses componentes apresentam diferenças significativas. Nas classes A e B observou-se que a matéria orgânica apresentava pequena quantidade de inertes além de restos alimentares, cascas de frutas, tubérculos e legumes, folhas de vegetais, podas de jardins, entre outros. Nas classes C e D observou-se que havia uma maior presença de inertes e uma menor quantidade de restos alimentares, casca de frutas e folhas de árvores. Destas observações pode-se concluir que a matéria orgânica das classes A e B apresentam uma melhor qualidade, em termos de aproveitamento para compostagem, em relação aos materiais provenientes das classes de menor faixa de renda.

    Com relação ao componente "plásticos", as classes A e B apresentaram materiais mais limpos, predominando os plásticos duros e nas C e D os plásticos moles, constituídos principalmente por sacolas de supermercados e sacolas plásticas, sujos e/ou preenchidos por resíduos com alto teor de impurezas como terra, areia, matéria orgânica entre outros. As substâncias gordurosas que se aderem com grande facilidade nos plásticos, conforme Berríos (1986), funcionaram como fixador dessas impurezas, que nas classes de menor poder econômico foram encontradas em maior percentagem.

    A qualidade dos plásticos encontrados nos RSD das classes C e D, em termos de reciclagem, é bem inferior aos das classes A e B. Isto porque plástico filme não é reciclado, tanto por problemas de falta de mercado como também em decorrência de seu alto grau de impurezas e elevado custo de frete, conforme Avezum e Schalch (1996).

    O componente "metal" apresentou uma homogeneidade qualitativa entre os quatros estratos sócio-econômicos, sendo formado principalmente por latas de folhas de flandres conforme discutido no item 5.3.1. Já o componente "vidro" foi composto basicamente por cacos de vidros, sendo que nas classes A e B ainda foram encontradas algumas garrafas de bebidas, mas em quantidade insignificante.

     

    5.7.2 - Variação do peso específico aparente

    Na figura 5.12 é mostrado uma representação comparativa entre valores dos pesos específicos médios de cada classe sócio-econômica e na figura 5.13 o mesmo tipo de representação para os valores do peso específico aparente para os dois novos grupos, AB e CD.

    Utilizando-se o teste t "Student" para comparação das médias entre os pesos específicos médios dos quatro estratos sócio-econômicos, verifica-se nos resultado (tabela 1.6 Anexo 6), ao nível de confiança de 95%, que não se pode rejeitar a hipótese de que essas médias são iguais, mesmo quando dividem-se as quatro classes em dois grupos, AB e CD (tabela 1.7 Anexo 6).

    Figura 5.12 - Peso específico aparente dos RSD nas quatro classes sócio-econômicas

    Figura 5.13 - Diferença do peso específico aparente dos RSD entre os grupos formados pelas classe A/B e C/D

    5.8 - Avaliação da variação da composição físico-química do componente "matéria orgânica" entre as quatro classes sócio-econômicas

    Figuras 5.14 e 5.15: Apresentação comparativa entre os parâmetros físico-químicos do componente "matéria orgânica" representativos das classes sócio econômicas de Vitória.

     

    Figura 5.14 - Comparação dos parâmetros "umidade", SV, SF, COT e "nitrogênio total", do componente "matéria orgânica", entre as quatro classes sócio-econômicas

    Figura 5.15 - Comparação dos parâmetros pH e relação C/N, do componente "matéria orgânica", entre as quatro classes sócio-econômicos

    Fazendo-se uma avaliação da variação da composição físico-química do componente "matéria orgânica" dos RSD de Vitória, entre as quatro classes sócio-econômicas, pelo teste t "Student", verifica-se, através dos resultados (tabela 1.8 Anexo 6) que não existe uma diferença significativa entre as médias dos componentes quando comparada a classe A com a B, a B com a C e a C com a D, conforme pode-se observar na figura 5.15. Ao nível de significância de 95%, este teste rejeitou a hipótese de igualdade entre as médias em sete das vinte a uma comparações, ou seja, em 33,3% delas. Na tabela 5.6 são mostradas essas comparações.

    Tabela 5.6 - Comparações onde foram rejeitadas a hipótese de igualdade entre as médias dos parâmetros físico-químicos através do teste t "Student".

    Comparação

    Componente

    A com B

    umidade

    B com C

    umidade

    C com D

    umidade

    B com C

    SV

    C com D

    SV

    B com C

    SF

    C com D

    SF

    Dessa forma fez-se uma divisão dos parâmetros em dois grupos, grupo I, formado pelas classes A, B e C e grupo II, formado pela classe D, conforme pode ser verificado na figura 5.16 e 5.17. Observa-se que a matéria orgânica apresenta maior teor de umidade, sólidos voláteis, nitrogênio total e COT no primeiro grupo e de sólidos fixos no segundo. Já os parâmetros pH e relação C/N não apresentaram diferença significativa entre as médias desses dois novos grupos.

    Figura 5.16 - Comparação dos parâmetros físico-químicos, do componente matéria orgânica, entre os dois grupos formados pelas classe A/B/C e D

    Figura 5.17 - Comparação dos parâmetros pH e relação C/N, do componente "matéria orgânica", entre os dois grupos formados pelas classes A/B/C e D

    A seguir serão tecidos alguns comentários sobre os resultados apresentados nas figuras 5.16 e 5.17

    Aplicando-se o teste t "Student" para comparar os parâmetros físico-químicos do componente "matéria orgânica" dos RSD entre os grupo I (classes A,B e C) e grupo II (classe D), verificou-se, nos resultados (tabela 1.9 Anexo 6) que não se pode rejeitar, ao nível de confiança de 95%, a hipótese de que as médias dos parâmetros "teor de umidade", SV, SF, "nitrogênio total" e COT são diferentes entre esses grupos, e as dos parâmetros "pH" e "relação C/N" são iguais.

    O estrato de menor poder econômico apresentou baixo teor de sólidos voláteis, conseqüentemente alto de sólidos fixos, em relação aos demais, comprovando a existência de uma alta concentração de materiais inertes intimamente misturados com a matéria orgânica, provavelmente provenientes do descarte de entulhos de auto-construções juntamente com RSD, como já discutido no item 5.7.1.

    O percentual mais baixo de umidade encontrado na matéria orgânica da classe D (39,84%) também pode ter ocorrido em função da alta concentração de inertes existente no componente. Nesta classe esse componente apresentou um teor de umidade bem inferior ao da média nacional, que conforme Mercedes (1998), é de aproximadamente 60%.

    O teor de COT igual a 18,87% encontrado no componente "matéria orgânica" da classe D foi inferior aos teores das demais classes devido ao baixo teor de sólidos voláteis, como pode ser observado na figura 5.16, demonstrando que para esta classe o componente "matéria orgânica" apresenta uma baixa disponibilidade de carbono. O teor de nitrogênio total da matéria orgânica da classe D (1,01%) também foi inferior aos da demais classes, podendo estar relacionado com um menor consumo de matéria orgânica de origem animal pela população de menor poder sócio-econômico.

    Os valores encontrados para o pH estão dentro da faixa de valor médio brasileiro para os RSD, de acordo com Jardim et al. (1995), e demostram que a matéria orgânica não estava em processo natural de decomposição, comprovando que a amostragem foi realizada com lixo considerado "fresco". A relação C/N nos dois grupos apresentou valores abaixo do recomendável para um processo de compostagem, que, segundo Lima (1995), deve ser da ordem de 30:1.

    A mistura da matéria orgânica proveniente da classe D com a matéria orgânica das classe A, B e C, quando analisada sob o aspecto de sua utilização em um processo de compostagem, teve sua qualidade piorada. Como pode ser observado na tabela 5.7., a matéria orgânica diminuiu em média 9% o teor dos parâmetros: umidade, sólidos voláteis e COT e aumentou em média 8,35% o teor de sólidos fixos em relação aos valores do grupo representado pelas classes A, B e C.

    Tabela 5.7 - Comparação entre os percentuais dos parâmetros físico-químicos da matéria orgânica do grupo (A/B/C) com os valores médios para o componente "matéria orgânica"

    Parâmetro

    Grupo I

    (A/B/C)

    (1)

    Valor médio do componente "matéria orgânica"

    (2)

    Alterações (%)

    (2 - 1)

    1

    pH

    5,39

    5,46

    + 1,30%

    Umidade (%)

    58,33

    53,72

    - 8,58%

    Sólidos Voláteis (%)

    51,60

    47,19

    - 9,35%

    Sólidos Fixos (%)

    48,40

    52,81

    + 8,35%

    TOC (%)

    28,67

    26,22

    - 9,34%

    Nitrogênio Total (%)

    1,35

    1,27

    - 6,30%

    C/N

    21,24

    20,65

    - 2,86%

     

    5.9 - Materiais potencialmente recicláveis encontrados nos RSD

    Na composição dos RSD foram encontrados materiais que, segundo Orth e Motta (1998), tem alto potencial de propiciar retorno econômico caso sejam reutilizados ou reciclados. Esses materiais são constituídos pelos componentes "papel e papelão", "plásticos", "metais" e "vidros", que representam 36,83% do total de RDS gerados no município.

    Azevedo et al. (1998), afirmam que a matéria orgânica também pode ser reciclada via processo de compostagem. Sendo assim, teoricamente 89,93% dos RSD gerados no município, constituídos pelos componentes "matéria orgânica", "papel e papelão", "plásticos", "metais" e "vidros" são passíveis de reciclagem, restando apenas 10,07%, formado por "diversos", "madeira/couro/borracha" e "trapos", para serem dispostos em aterro sanitário.

    Conforme proposta por Oliveira apud Gomes (1989), item 2.2, na figura 5.18 tem-se a composição final dos RSD do município de Vitória em termos de: materiais para produção de compostos (53,10%), materiais teoricamente recicláveis/reutilizáveis (36,83%) e materiais inaproveitáveis (10,07%).

    Figura 5.18 - Composição dos RSD segundo a classificação de Oliveira, apud Gomes (1989)

    Com o intuito de melhor elucidar os dados desta pesquisa, um balanço de massa dos RSD do município de Vitória, elaborado de acordo com a metodologia proposta por Pereira Neto, apud Neto et al. (1998), é apresentado na figura 5.19.

     

     

     

     

    Figura 5.19 - Balanço de massa dos RSD do município de Vitória conforme metodologia proposta por Pereira Neto, apud Neto et al. (1998)

    Esse balanço de massa é puramente teórico, uma vez que, segundo Tavares e Abreu (1996), o potencial de reaproveitamento e de reciclagem de materiais encontrados nos RSD é bastante reduzido quando misturados.

    A utilização de veículos compactadores na coleta dos RSD também contribui para a diminuição do potencial de reciclagem dos materiais que chegam na ULV, uma vez que parte das características físicas originais dos componentes são alteradas, segundo Cintra (1995), quando coletados dessa forma.

    Outros fatores também contribuem de maneira acentuada para diminuir o potencial de reciclagem dos componentes dos RSD de Vitória. Conforme discutido no item 5.3.1, os componentes "papel e papelão", "plásticos", "metais" e "vidros" são constituídos por diversos tipos de materiais. Alguns desses materiais são normalmente comercializados pela ULV com indústrias de reciclagem. Outros são apenas passíveis de serem comercializados, em função, segundo Baptista (1988), da qualidade e quantidade geradas, disponibilidade de mercado comprador e existência de tecnologia de processamento.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capítulo 6

    Conclusões

     

     

     

    Conclusões

     

    6.1 - Conclusões

    O desenvolvimento do presente trabalho possibilitou o conhecimento da composição gravimétrica e físico-química dos resíduos sólidos domiciliares gerados em Vitória, com dados do ano de 1996, que será de grande utilidade para o gerenciamento do Sistema de Limpeza Urbana do município de Vitória, principalmente no que se refere à otimização do processo da Usina de Lixo de Vitória, que vem operando com uma quantidade de lixo acima de sua capacidade nominal.

    Apesar desta pesquisa ter sido realizada em 1996, considera-se que em termos de composição gravimétrica e físico-química dos RSD as alterações que podem ter ocorrido não foram significativas, considerando que a geração dos mesmos entre 1996 e 1998 aumentou em aproximadamente 9,5%, conforme os dados atuais de gerenciamento fornecidos pela ULV.

    Com relação aos objetivos estabelecidos neste trabalho, pode-se considerar que os mesmos foram alcançados. As conclusões referentes à análise dos resultados estão citadas nos itens a seguir.

     

    Quanto à composição gravimétrica e físico-química dos RSD de Vitória

     

    Quanto a variação da composição gravimétrica e físico-química dos RSD com os padrões sócio-econômicos da população

     

     

     

     

     

     

     

    Quanto à variação da composição gravimétrica e físico-química dos RSD com os períodos climáticos seco e úmido

     

    Quanto à geração "per capita"

     

    Quanto ao peso específico aparente dos RSD

     

     

     

     

    Quanto ao componente matéria orgânica e seu potencial de reciclagem através da compostagem

     

    Quanto ao percentual de materiais potencialmente recicláveis e de rejeito presentes nos RSD

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Capítulo 7

    Sugestões

     

     

     

    Sugestões

     

    7.1 - Sugestões

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexos

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 1

     

     

     

    Número de habitantes e de domicílios por bairro no município de Vitória

    Bairro

    Classe social

    Número de domicílios

    População

    Bairro

    Classe social

    Número de domicílios

    População

    Nossa Senhora Aparecida

    D

    899

    3.350

    Santa Cecília

    C

    574

    1.621

    Inhanguetá

    D

    724

    2.739

    Maruípe

    C

    1.889

    5.711

    Estrelinha

    D

    433

    1.166

    Tabuazeiro

    C

    1.381

    4.712

    Universitário

    D

    152

    476

    São Cristóvão

    C

    696

    2.299

    Grande Vitória

    D

    1.396

    4.964

    Santa Martha

    C

    1.525

    4.976

    Comdusa

    D

    294

    966

    Andorinhas

    C

    533

    1938

    São Pedro

    D

    296

    1.142

    Itararé

    C

    2.177

    7.256

    Ilha das Caieiras

    D

    691

    2.589

    Bairro da Penha

    C

    1.198

    3.528

    Santos Reis

    D

    138

    524

    Bonfim

    C

    1.116

    3.881

    São José

    D

    743

    2.091

    Santa Lúcia (Bomba)

    C

    315

    875

    Santo André

    D

    551

    2.076

    Joana DArc

    C

    612

    2.206

    Redenção

    D

    826

    2.630

    Jabour

    C

    313

    1.029

    Nova Palestina I

    D

    1539

    5.403

    Solon Borges

    C

    369

    1.180

    Resistência

    D

    1095

    4.080

    Segurança do Lar

    C

    316

    1.091

    Jesus de Nazaré

    D

    653

    2.495

    Antônio Honório

    C

    227

    789

    Vila Rubim

    C

    847

    2.392

    Maria Ortiz

    C

    2.871

    9.710

    Ilha do Príncipe

    C

    759

    2.896

    Goiabeiras

    C

    956

    3.215

    Caratoíra

    C

    1046

    3.477

    Morro Alagoano

    C

    908

    3.081

    Fradinhos

    C

    268

    971

    Morro do Quadro

    C

    531

    1.749

    Presidente Kenedy

    C

    773

    2.860

    Praia do Suá

    B

    695

    2.248

    Santa Tereza

    C

    290

    894

    Jardim Camburi

    B

    7.592

    24.787

    Bela Vista

    C

    513

    1.861

    Bairro República

    B

    1.159

    3.881

    Santo Antônio

    C

    2.556

    7.968

    Morada de Camburi

    B

    537

    1.576

    Ilha da Santa Maria

    C

    890

    2.945

    Mata da Praia

    B

    1.764

    5.643

    Forte de São João

    C

    614

    2.031

    Jardim da Penha

    B

    9.941

    24.700

    Romão

    C

    1.137

    3.986

    Parque Moscoso

    B

    1.323

    3.074

    Jucutuquara

    C

    447

    1.217

    Centro

    B

    3.456

    7.696

    Nazaré

    C

    246

    756

    Horto

    B

    159

    485

    Bairro de Lourdes

    C

    531

    1.639

    Bento Ferreira

    B

    1.852

    5.431

    Consolação

    C

    609

    1.832

    Enseada do Suá

    A

    455

    1.329

    Gurigica

    C

    2.657

    9.639

    Praia do Canto

    A

    9.088

    23.838

    Monte Belo

    C

    651

    2.060

    Ilha do Frade

    A

    85

    333

    Santos Dumont

    C

    523

    1.703

    Ilha do Boi

    A

    317

    1.173

    Fonte grande

    C

    425

    1.450

    Santa Lúcia

    A

    1.580

    3.878

    Cruzamento

    C

    631

    2.290

    Barro Vermelho

    A

    1.019

    2.587

    Morro do Moscoso

    C

    369

    1.411

           

    Piedade

    C

    441

    1.478

           

    Fonte: Prefeitura Municipal de Vitória - Secretaria de Desenvolvimento Urbano - SEDUR (1998)

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 2

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 3

     

     

     

    PLANILHA DE CAMPO

     

    DIA:

    TEMPERATURA:

    UMIDADE RELATIVA:

    PERÍODO CLIMÁTICO

    CONDIÇÕES DO TEMPO NAS ÚLTIMAS 24:00 Hs:

    ROTA:

    BAIRROS:

    FAIXA DE RENDA:

    IDENTIFICAÇÃO DO VEÍCULO COLETOR:

    PESO BRUTO DO VEÍCULO COLETOR:

    PESO LÍQUIDO DO VEÍCULO COLETOR:

     

    COMPONENTE

    PESO (kg)

    (%)

    Matéria orgânica

       

    Papel/papelão

       

    Plásticos

       

    Diversos

       

    Metais

       

    Vidros

       

    Madeira/couro/borracha

       

    Trapos

       

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 4

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    colar tabela t Student

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 5

     

     

     

    Composição gravimétrica e peso específico aparente dos RSD, resultados da primeira campanha - período seco

    FAIXA DE RENDA

    CLASSE D

    CLASSE C

    CLASSE B

    CLASSE A

    COLETA

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    DATA

    01/08/96

    06/08/96

    08/08/96

    13/08/96

    15/08/96

    20/08/96

    27/08/96

    29/08/96

    ROTA

    4-1-D2

    4-1-D2

    4-2-D2

    4-2-D2

    6-2-D2

    6-2-D2

    5-2-N1

    5-2-N1

    TEMPERATURA AMBIENTE (C)

    22,1

    23

    23,9

    21,1

    22

    23,2

    24,9

    22,5

    UMIDADE RELATIVA DO AR (%)

    75

    65

    73

    77

    76

    67

    66

    83

    TAMANHO DA AMOSTRA (kg)

    5.310

    4.010

    5.320

    4.900

    5.450

    5.680

    4.330

    4.520

    PESO ESPECÍFICO APARENTE (kg/m3)

    241,14

    257,33

    264,10

    309,13

    257,31

    252,79

    257,00

    211,63

    MATÉRIA ORGÂNICA (%)

    50,57

    56,26

    54,19

    53,00

    53,39

    56,48

    57,32

    53,68

    PAPEL / PAPELÃO (%)

    12,31

    12,17

    14,47

    17,45

    21,02

    18,45

    22,26

    21,09

    PLÁSTICOS (%)

    13,98

    10,09

    9,81

    11,11

    14,75

    12,64

    8,77

    9,71

    DIVERSOS (%)

    6,86

    9,58

    6,34

    7,49

    2,87

    3,63

    1,19

    2,90

    METAIS (%)

    7,48

    3,45

    4,90

    3,37

    2,61

    4,15

    2,88

    2,23

    VIDRO (%)

    2,64

    1,73

    2,63

    1,89

    2,22

    2,49

    4,50

    6,47

    MADEIRA/COURO/BORRACHA (%)

    2,64

    4,14

    5,26

    2,80

    2,22

    1,14

    1,27

    2,34

    TRAPOS (%)

    3,52

    2,59

    2,39

    2,88

    0,91

    1,04

    1,04

    1,56

    1 - Rota alterada

    2 - Segunda viagem do caminhão coletor dessa rota

     

    Composição gravimétrica e peso específico aparente dos RSD, resultados da segunda campanha - período úmido

    FAIXA DE RENDA

    CLASSE D

    CLASSE C

    CLASSE B

    CLASSE A

    COLETA

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    DATA

    01/10/96

    22/10/96

    24/10/96

    29/10/96

    31/10/96

    07/11/96

    13/11/96

    10/12/96

    ROTA

    4-1-D

    4-1-D

    4-2-D 3

    4-2-D 3

    6-2-D 3

    6-2-D 3

    5-2-N 1

    5-2-N 1

    TEMPERATURA AMBIENTE (C)

    22,2

    25,9

    24,9

    23,4

    26,3

    24

    25,4

    25,0

    UMIDADE RELATIVA DO AR (%)

    86

    80

    75

    82

    77

    77

    86

    76

    TAMANHO DA AMOSTRA (kg)

    5.820

    2

    2

    2

    2

    2

    2

    2

    PESO ESPECÍFICO APARENTE (kg/m3)

    307,00

    314,38

    289,19

    2

    251,50

    345,71

    270,25

    246,57

    MATÉRIA ORGÂNICA (%)

    45,28

    50,05

    58,00

    51,52

    54,32

    44,21

    51,23

    52,00

    PAPEL / PAPELÃO (%)

    16,10

    18,97

    16,21

    15,49

    20,63

    25,61

    24,03

    24,17

    PLÁSTICOS (%)

    12,63

    11,81

    9,28

    13,14

    12,48

    15,55

    12,68

    10,50

    DIVERSOS (%)

    7,30

    6,56

    6,22

    8,27

    5,85

    5,83

    4,19

    3,54

    METAIS (%)

    4,89

    2,22

    2,45

    2,70

    2,59

    3,47

    2,15

    3,54

    VIDRO (%)

    2,94

    1,92

    1,83

    2,54

    1,15

    2,28

    2,97

    4,01

    MADEIRA/COURO/BORRACHA (%)

    3,91

    3,13

    2,45

    3,92

    1,44

    1,52

    1,84

    1,18

    TRAPOS (%)

    6,94

    5,35

    3,57

    2,44

    1,54

    1,52

    0,92

    1,06

    1 - Rota alterada

    2 - Balança quebrada

    3 - Segunda viagem do caminhão coletor dessa rota

     

    Composição físico-química do componente matéria orgânica, resultados da primeira campanha - período seco

    FAIXA DE RENDA

    CLASSE D

    CLASSE C

    CLASSE B

    CLASSE A

    COLETA

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    DATA

    01/08/96

    06/08/96

    08/08/96

    13/08/96

    15/08/96

    20/08/96

    27/08/96

    29/08/96

    ROTA

    4-1-D2

    4-1-D2

    4-2-D2

    4-2-D2

    6-2-D2

    6-2-D2

    5-2-N1

    5-2-N1

    TEMPERATURA AMBIENTE (C)

    22,1

    23

    23,9

    21,1

    22

    23,2

    24,9

    22,5

    UMIDADE RELATIVA DO AR (%)

    75

    65

    73

    77

    76

    67

    66

    83

    PH

    5,74

    6,07

    5,43

    6,32

    5,40

    5,26

    5,51

    5,85

    UMIDADE (%)

    41,51

    30,97

    52,10

    51,45

    58,75

    51,28

    70,20

    68,96

    SÓLIDOS VOLÁTEIS (%)

    34,02

    30,49

    48,58

    41,24

    59,32

    47,32

    67,80

    56,35

    SÓLIDOS FIXOS (%)

    65,98

    69,51

    51,42

    58,76

    40,68

    52,68

    32,20

    43,65

    TOC (%)

    18,90

    16,94

    26,99

    22,91

    32,96

    26,29

    37,67

    31,31

    NITROGÊNIO TOTAL (%)

    0,90

    0,83

    1,24

    0,98

    1,21

    1,19

    1,42

    1,48

    RELAÇÃO C/N

    20,71

    20,41

    21,77

    23,38

    27,24

    24,67

    26,53

    21,16

    1 - Rota alterada

    2 - Segunda viagem do caminhão coletor dessa rota

     

     

     

     

    Composição físico-química do componente matéria orgânica, resultados da segunda campanha - período úmido

    FAIXA DE RENDA

    CLASSE D

    CLASSE C

    CLASSE B

    CLASSE A

    COLETA

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    1

    2

    DATA

    01/10/96

    22/10/96

    24/10/96

    29/10/96

    31/10/96

    07/11/96

    13/11/96

    10/12/96

    ROTA

    4-1-D2

    4-1-D2

    4-2-D2

    4-2-D2

    6-2-D2

    6-2-D2

    5-2-N1

    5-2-N1

    TEMPERATURA AMBIENTE (C)

    22,2

    25,9

    24,9

    23,4

    26,3

    24

    25,4

    25,0

    UMIDADE RELATIVA DO AR (%)

    86

    80

    75

    82

    77

    77

    86

    76

    PH

    5,60

    5,22

    5,67

    5,03

    4,75

    4,62

    5,16

    5,71

    UMIDADE (%)

    45,07

    41,79

    46,34

    52,16

    59,81

    57,24

    66,90

    64,80

    SÓLIDOS VOLÁTEIS (%)

    34,08

    37,18

    42,51

    41,34

    47,09

    52,97

    59,03

    55,66

    SÓLIDOS FIXOS (%)

    65,92

    62,82

    57,49

    58,66

    52,91

    47,03

    40,97

    44,34

    TOC (%)

    18,93

    20,66

    23,62

    22,97

    26,16

    29,43

    32,79

    30,92

    NITROGÊNIO TOTAL (%)

    1,01

    1,29

    1,16

    1,24

    1,30

    1,58

    1,60

    1,80

    RELAÇÃO C/N

    18,74

    16,02

    20,36

    18,52

    20,12

    18,63

    20,49

    17,18

    1 - Rota alterada

    2 - Segunda viagem do caminhão coletor dessa rota

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Anexo 6

     

     

     

    Tabela 1.1 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos componentes dos RSD entre os períodos seco e úmido

    Componente

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Matéria orgânica

    1,998

    11

    2,201

    Papel e papelão

    1,079

    16

    2,120

    Plásticos

    0,888

    16

    2,120

    Diversos

    0,749

    12

    2,179

    Metais

    1,300

    12

    2,179

    Vidros

    0,950

    12

    2,179

    Madeira/couro/borracha

    0,481

    15

    2,131

    Trapos

    1,085

    10

    2,228

     

     

    Tabela 1.2 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias do peso específico aparente dos RSD entre os períodos seco e úmido

    Parâmetro

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Peso específico aparente

    1,984

    13

    2,160

     

     

     

     

     

     

    Tabela 1.3- Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos parâmetros físico-químicos do componente "matéria orgânica" entre os períodos seco e úmido

    Parâmetros

    tcalc.

    n

    tcrít.

    pH

    2,440

    16

    2,120

    Umidade

    0,195

    14

    2,145

    SV

    0,346

    14

    2,145

    SF

    0,346

    14

    2,145

    COT

    0,358

    14

    2,145

    Nitrogênio total

    1,753

    16

    2,120

    Relação C/N

    4,084

    13

    2,160

    Tabela 1.4 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos componentes dos RSD entre as quatro classes sócio-econômicas

    Componente

    A com B

    B com C

    C com D

     

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Matéria orgânica

    0,490

    5

    2,571

    0,683

    5

    2,571

    1,377

    6

    2,447

    Papel e papelão

    0,871

    5

    2,751

    3,389

    5

    2,751

    0,598

    4

    2,776

    Plásticos

    3,030

    8

    2,306

    2,624

    8

    2,306

    1,093

    8

    2,306

    Diversos

    1,497

    8

    2,306

    2,896

    7

    2,365

    0,589

    7

    2,365

    Metais

    0,505

    8

    2,306

    0,210

    7

    2,365

    1,941

    5

    2,571

    Vidros

    3,093

    5

    2,571

    2,214

    7

    2,365

    3,043

    7

    2,365

    Madeira/couro/borracha

    0,219

    8

    2,306

    3,015

    4

    2,776

    0,208

    6

    2,447

    Trapos

    0,499

    8

    2,306

    4,932

    6

    2,447

    1,770

    4

    2,776

    Tabela 1.5 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos componentes dos RSD no grupo formado pelas classes A/B e o grupo formado pelas classes C/D

    Componente

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Matéria orgânica

    0,241

    16

    2,120

    Papel e papelão

    5,768

    16

    2,120

    Plásticos

    0,651

    14

    2,145

    Diversos

    5,280

    15

    2,131

    Metais

    1,464

    10

    2,228

    Vidros

    1,620

    8

    2,306

    Madeira/couro/borracha

    5,082

    11

    2,201

    Trapos

    4,305

    8

    2,306

    Tabela 1.6 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias do peso específico aparente dos RSD entre as quatro classes sócio-econômicas

    Parâmetro

    A com B

    B com C

    C com D

     

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Peso específico aparente

    1,114

    7

    2,365

    0,436

    6

    2,47

    0,337

    7

    2,365

    Tabela 1.7 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias do peso específico aparente dos RSD no grupo formado pelas classes A/B e o grupo formado pelas classes C/D

    Parâmetro

    tcalc.

    n

    tcrít.

    Peso específico aparente

    1,229

    15

    2,131

    Tabela 1.8 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos parâmetros físico-químicos do componente "matéria orgânica" entre as quatro classes sócio-econômicas

    Parâmetro

    A com B

    B com C

    C com D

     

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    tcalc.

    n

    tcrít.

    pH

    2,272

    7

    2,365

    1,831

    7

    2,365

    0,140

    7

    2,365

    Umidade

    4,878

    6

    2,447

    2,647

    7

    2,365

    3,170

    5

    2,571

    SV

    2,181

    8

    2,306

    2,447

    6

    2,447

    6,567

    7

    2,365

    SF

    2,181

    8

    2,306

    2,447

    6

    2,447

    6,567

    7

    2,365

    COT

    1,998

    8

    2,306

    2,446

    6

    2,447

    2,274

    4

    2,776

    Nitrogênio total

    2,075

    8

    2,306

    1,516

    7

    2,365

    1,247

    6

    2,447

    Relação C/N

    0,477

    8

    2,306

    0,738

    6

    2,447

    1,367

    8

    2,306

    Tabela 1.9 - Valores de tcalc., tcrít. e n para as médias dos parâmetros físico-químicos do componente "matéria orgânica" entre o grupo formado pelas classes A/B/C e a classes D

    Componente

    tcalc.

    n

    tcrít.

    pH

    1,188

    9

    2,262

    Umidade

    4,838

    9

    2,262

    SV

    6,391

    16

    2,120

    SF

    6,391

    16

    2,120

    COT

    6,391

    16

    2,120

    Nitrogênio total

    2,828

    8

    2,306

    Relação C/N

    1,909

    10

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