Introdução: O acetato de celulose produzido no Brasil é feito, pelo processo homogêneo1, a partir de pastas celulósicas importadas originárias da madeira. Desse modo, a reciclagem do bagaço de cana-de-açúcar torna-se importante como um meio de produzir o acetato a partir do bagaço (resíduo industrial), já que no Brasil existe um grande número de Usinas produtoras de açúcar e álcool que utilizam a cana-de-açúcar como matéria-prima.









Objetivo: O objetivo do trabalho foi produzir e caracterizar o acetato de celulose obtido do bagaço de cana-de-açúcar da Usina Alvorada (Araporã-MG),utilizando a acetilação homogênea1 .









Método: O bagaço foi purificado modificando-se o processo de purificação descrito por Filho el al.2, pois não utilizamos o EDA (etilenodiamina) como agente inchante da celulose. O produto purificado foi acetilado homogeneamente1, isto é, empregando-se anidrido acético e acido acético sendo o ácido sulfúrico empregado como catalisador. Uma pasta de celulose importada, gentilmente cedida pela Rhodia (Santo André-SP), também foi acetilada da mesma maneira. Os acetatos produzidos foram caracterizados e comparados por FTIR ( infravermelho com transformada de Fourier), WAXD ( Difração de raio-X de alto ângulo) e DSC ( calorimetria diferencial de varredura).









Resultados: Na Figura 1 estão apresentados os resultados de FTIR(a), WAXD (b) e DSC(c). Assim, podemos fazer as seguintes observações:



i) FTIR – Ambos os materiais apresentam uma banda de carbonila por volta de 1750cm-1 a qual é característica dos acetatos de celulose.



ii) WAXS – Os dois produtos apresentam o pico característico dos acetatos em 2q aproximadamente 8o e padrões de difração, de materiais semicristalinos, que são praticamente idênticos.



iii) DSC – A endoterma de fusão característica dos acetatos está localizada por volta de 300ºC. Quando comparamos os valores dos DHfusão dessas endotermas (25,4 J/g e 29,3 J/g para os acetatos do bagaço e da pasta, respectivamente) com aqueles da literatura3, temos que os graus de cristalinidade são 53% e 61%, podendo assim afirmar que o material oridundo da acetilação da pasta é um pouco mais cristalino do que o do bagaço.



De qualquer modo, a Figura mostra que o acetato obtido da reciclagem do bagaço de cana-de-açúcar da Usina Alvorada, Araporã-MG, e aquele da pasta importada, originária da madeira, têm características bastantes semelhantes quando examinados pelas técnicas mencionadas.



Conclusão: No presente trabalho demonstramos a viabilidade de se reciclar o bagaço-de-cana da Usina Alvorada, Araporã-MG, para a produção de acetato de celulose pelo processo homogêneo.









Bibliografia:



1. E.Samios et al.,Polymer ,35, 3045 (1997).



2. G.R. Filho et al., J. Membrane Sci., 111,143 (1996).



3. G. R. Filho et al., Macromolecules’99: Polymer in the New Millennium, PT48, 5th – 9th September 1999, Bath, UK.









Agradecimentos:



Os autores agradecem à Usina Alvorada de Açúcar e Álcool, à Rhodia , ao DQ-UFSCar (DSC), ao IFUSP-São Carlos (WAXS) e Cerqueira agradece à FAPEMIG pela bolsa PIBIC, projeto 044/2000.

Autores: Daniel Alves.Cerqueira (IC), Rosana Maria Nascimento de Assunção (PQ), Guimes Rodrigues Filho (PQ)

Ano da Publicação:
2007
Fonte:
http://www.sbq.org.br/ranteriores/23/resumos/0843/index.html
Autor:
Rodrigo Imbelloni
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