À noite, enormes predadores vagueiam pelas ruas destas cidades

Todas as noites, Abbas Yusuf atravessa as antigas muralhas da cidade sagrada de Harar, na Etiópia, e começa a chamar os animais pelo nome.

Kamariya, “como a lua”. Chaltu, “refinada”. E a sua favorita, Jarjaraa, “a apressada”.

Uma hiena-malhada sai da escuridão e pega numa tira de carne de um pau que ele segura entre os dentes.

Para Abbas, estes carnívoros são visitantes bem-vindos. “Eu preparo a carne”, diz, na sua língua nativa, o oromo. “E os convidados que chegam, cuido deles e despeço-me deles em paz”.

Abbas Yusuf é um dos últimos “homens-hiena” de Harar, mantendo a tradição de alimentar um dos predadores mais temidos de África, mesmo dentro da sua casa.

Tornou-se uma espécie de atração, com visitantes a pagarem para ver as refeições noturnas e tirarem fotos de perto com os animais selvagens.

Caçadoras noturnas com um “riso” que soa sinistro, as hienas ganharam reputação mundial como as vilãs da savana. Mas na Etiópia, novas investigações sugerem que as hienas poderiam ajudar a resolver o problema dos resíduos urbanos do país, melhorar a saúde pública e até mesmo ajudar na luta contra as alterações climáticas.

A norte de Harar, em Mekelle, capital da região de Tigray, o especialista em ecologia da vida selvagem Gidey Yirga estuda hienas urbanas há mais de 15 anos.

Yirga explica que as hienas têm um “comportamento muito flexível”: vivendo em grandes sociedades matriarcais, caçam e criam frequentemente as suas crias de forma cooperativa. São predadores formidáveis e podem recorrer à necrofagia quando surge a oportunidade.

À medida que África se torna cada vez mais urbana, as hienas e outros animais selvagens aproximam-se da vida humana, especialmente dos aterros sanitários. Quando a noite cai em Mekelle, as hienas selvagens “deslocam-se” das suas tocas subterrâneas nos arredores para os aterros da cidade.

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À noite, enormes predadores vagueiam pelas ruas destas cidades

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