A prefeitura de Porto Alegre isola cerca de 12 hectares, na localidade de Santa Tecla, em Gravataí, junto à RS-18, primeira etapa da instalação do aterro sanitário que substituirá o “lixão” de aproximadamente 1 milhão de toneladas, resultante de oito anos de exposição desordenada. Aterro receberá lixo de quatro municípios.
O convênio firmado em 15 de janeiro de 1998, entre as prefeituras de Porto Alegre e de três municípios da região metropolitana, Cachoeirinha, Esteio e Gravataí, teve participação da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) – Seção Rio Grande do Sul. Visa ao gerenciamento integrado dos resíduos sólidos gerados por esses municípios, e além da execução do aterro, envolve outras questões relacionadas ao tema, como a implantação de usinas de compostagem, de triagem, a implantação de coleta seletiva, e prestação de assessoria técnica nestas áreas por parte da prefeitura de Porto Alegre.
Isso vai promover o desenvolvimento de políticas públicas ambientais, que englobam a implantação de processos de reaproveitamento, reciclagem e compostagem, além da execução do aterro sanitário de Santa Tecla. O município de Glorinha poderá aderir ao convênio, tão logo seja autorizado pela Câmara local, sendo que aos municípios conveniados compete, entre outros, alocar recursos financeiros para a consecução do projeto.
Partindo do princípio de cooperação mútua, as obras no “lixão” de Santa Tecla, congregam a disponibilidade de áreas para tratamento em Gravataí com a experiência alcançada por Porto Alegre no tratamento do lixo. A Administração Popular da Capital tem um corpo técnico qualificado e apresenta um trabalho com destaque em nível nacional e internacional.
A operação de aterros sanitários é uma técnica antiga, mas pouco empregada no Brasil, considerando que 76% do lixo ainda é lançado a céu aberto, promovendo a contaminação do solo. Em 1990, a administração do Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre (DMLU) contratou por seis meses uma empresa paulista especializada em saneamento e meio ambiente. Com o know how adquirido, o Departamento fez fortes investimentos em cursos para os técnicos, criando um modelo próprio para a cidade.
“Existem áreas com vocação para aterro sanitário: com lençol freático profundo, solo argilosos com baixa permeabilidade, além do fácil acesso e distância de núcleos urbanos”, diz Arnaldo Luiz Dutra, coordenador da Assessoria Técnica de Planificação e Desenvolvimento do DMLU de Porto Alegre, referindo-se ao local onde o aterro vai ser instalado. “No Brasil não se faz aterro sanitário mais por falta de vontade política do que por deficiência de tecnologia”, afirma Dutra.
O projeto está dividido em duas fases:
Fase A – Já contém uma quantidade enorme de lixo, que sofre um processo de recompactação, com tratores reduzindo o volume, criando um ambiente anaeróbico que acelere a decomposição da matéria orgânica. Posteriormente, é feita uma cobertura primária com fina camada de solo, desencadeando-se o ritmo diário de recebimento de lixo e as sucessivas coberturas. Para o tratamento dos gases dispõe-se de um sistema de drenagem com queima na superfície.
Também está sendo feito o cercamento da área e a instalação de balança eletrônica para controlar o tipo e quantidade de material (banco de dados). Esta etapa iniciou em 21 de julho e deve estar concluída em sete meses. Em Santa Tecla, com a livre exposição do lixo, há os riscos inerentes: contaminação de água subterrânea e do ar, e proliferação de vetores, além do mau cheiro e do constante risco de incêndio.
Fase B – Áreas que não contêm lixo e estão sendo preparadas com técnicas pertinentes a um aterro sanitário: impermeabilização do fundo do aterro, sistema de drenagem e tratamento do chorume (líquido que se despreende da matéria orgânica e tem potencial de contaminação superior ao do esgoto bruto).
Além de ser correta do ponto
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