Boa vontade não basta?

Santistas se orgulham por morar na cidade que ocupa a quinta posição no ranking nacional de qualidade de vida, verdadeiro trunfo em um país com tanta terra, tanta gente e uma enorme diversidade em seus 5.560 municípios. O atraso da Cidade, no entanto, salta aos olhos quando o assunto é reciclagem



Santos (litoral de SP) é, em todo o País, o município que mais gasta para coletar seu lixo limpo. Desembolsou US$ 587 por tonelada coletada em 2007 e recolheu, em média, 141 toneladas por mês. É muito dinheiro para pouco resultado, comparado ao trabalho realizado por carrinheiros e catadores que, debaixo de chuva ou sol, de segunda a segunda, vagam pelas ruas em busca de resíduos recicláveis para, com a venda deles, sobreviver.







Em vez de agregar valor com a inclusão desse contingente, a Prefeitura acaba disputando com esses carrinheiros o material a ser recolhido. O discurso é sempre o mesmo: estuda-se a inclusão desses agentes de reciclagem no processo de coleta, para poupar o bolso dos santistas e gerar renda a quem precisa. Uma iniciativa que, infelizmente, não sai das gavetas de gabinetes oficiais.







Não bastasse isso, em uma cidade litorânea, de clima tropical, não há quem se interesse pelo reaproveitamento dos milhares de cocos consumidos todos os dias. Toneladas da fruta se juntam ao amontoado de lixo que vai para o aterro sanitário.







São inúmeras as iniciativas Brasil afora no sentido de reaproveitar o coco para o estofado de bancos de automóveis, confecção de vasos, tapetes, painéis, revestimento de produtos de decoração e artesanato. Mais uma idéia que, no circuito oficial do Município, nunca deixa de ser mais uma teoria, longe de virar prática.







Neste Brasil com economia pujante e cada vez mais alinhado à idéia de sustentabilidade, será que boa vontade não é o suficiente para transformar idéias brilhantes em realidade?



fonte: http://atribunadigital.globo.com

por Bruno Guedes

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