Trabalhos Técnicos

Beneficiamento da casca de coco verde

As cascas do coco verde correspondem a 80% do peso bruto do fruto. No entanto, ao contrário das cascas de coco seco que são utilizadas tradicionalmente para a produção de pó e fibra, o resíduo do coco verde é descartado. O material vem sendo disposto em aterros e lixões, o que vem provocando um enorme problema aos serviços municipais de coleta de lixo, em função, principalmente, do grande volume.

Paralelamente, a análise do comportamento histórico da oferta de coco verde no mercado demonstra expressivo crescimento dos plantios nos últimos cinco anos. Segundo informações do Grupo de Coco do Vale, a área plantada no país com a variedade Anão, destinada à água-de-coco, aumentou para cerca de 57 mil hectares, dos quais cerca de 33 mil encontram-se no Nordeste do Brasil. O desenvolvimento de alternativas de aproveitamento da casca de coco verde possibilita a redução da disposição de resíduos sólidos em aterros sanitários e proporciona uma nova opção de rendimento junto aos sítios de produção.

Produção de percolado por resíduos sólidos urbanos de diferentes idades, na presença de resíduos da construção civil e sob recirculação

Com a realização desta pesquisa, objetivou-se quantificar a produção de efluentes em colunas de resíduos sólidos urbanos (RSU) de diferentes idades, contendo ou não uma camada de 0,30 m de resíduo de construção civil (RCC) em sua base, submetidas à recirculação do percolado produzido. As colunas foram formadas por RSU novo (RSU recém coletado) sem RCC (CNSE); RSU maduro (RSU aterrado por 3 anos) sem RCC (CMSE); RSU velho (RSU aterrado por 13 anos) sem RCC (CVSE); RSU novo com RCC (CNCE); RSU maduro com RCC (CMCE) e RSU velho com RCC (CVCE), sendo o RSU acondicionado, eqüencialmente, em camadas de 0,15 m de espessura, e comprimido de forma a estabelecer um peso específico de 7 kN.m-3. O tratamento foi estabelecido da seguinte forma: as colunas CNSE e CNCE não receberam percolado, servindo somente como produtores, para recirculação do líquido nas colunas CVSE e CVCE. Por sua vez, as colunas CMSE e CMCE receberam, por recirculação, o próprio efluente. A produção de percolado nas colunas com camada de RCC foi menor que aquela obtida nas colunas que não a continha. As colunas preenchidas com RSU velho (CVSE e CVCE), mesmo recebendo percolado por recirculação, foram as que produziram as menores lâminas de percolado, sendo essa produção menos dependente da precipitação de chuva do que a quantificada em colunas constituídas por RSU novo e maduro.

Um olhar geográfico sobre a questão dos materiais recicláveis em Porto Alegre: sistemas de fluxos e a (in)formalidade, da coleta à comercialização

Esta pesquisa trata da coleta e comercialização de materiais recicláveis, valiosos componentes dos resíduos sólidos urbanos, na cidade de Porto Alegre. O foco está voltado para a indissociabilidade das relações entre os principais agentes envolvidos nesta questão: os catadores, organizados ou não em associações, que colaboram com o retorno dos materiais ao processo produtivo; a indústria, encarregada do beneficiamento e reindustrialização dos materiais; os intermediários, elo de ligação na reciclagem dos materiais e exploração do trabalho nas relações entre os catadores e a indústria; e o poder público, responsável pela regulação e pela normatização dessas relações. O olhar geográfico utilizado tem o seu ponto de vista localizado na base da questão, o que propõe uma percepção maior dos problemas enfrentados pelos catadores. Como referência teórica e metodológica, foram utilizados os estudos de Milton Santos sobre os sistemas de fluxos da economia urbana e as formas de representação gráfica utilizando modelos explicativos.

Reciclagem de lâmpadas Aspectos Ambientais e Tecnológicos

Desde que a primeira fonte de luz elétrica foi inventada em 1879 por Thomas Alva Edson, contínuos
esforços têm sido empregados para criar melhores e efetivas fontes de luz artificial. Com o
desenvolvimento tecnológico, surgiram no mercado sistemas de iluminação lâmpadas com maior
eficiência na relação lumens por Watt, e uma dessas tecnologias aplicadas, é a utilização de mercúrio
em lâmpadas de vapor de mercúrio, vapor de sódio, luz mista, fluorescentes tubular, circular e
compacta.
Atualmente essas lâmpadas eficientes são bastante utilizadas no Brasil e, ainda que impacto sobre o
meio ambiente causado por uma única lâmpada seja desprezível, o somatório de mercúrio consumido
para a produção destas lâmpadas é da ordem de 10 toneladas ao ano.
Este trabalho busca analisar os impactos ambientais associados ao descarte destas lâmpadas
contendo mercúrio, relacionando as tecnologias existentes no Brasil e no exterior que buscam evitar
que o mercúrio seja fonte de contaminações ambientais.

Composição dos resíduos poliméricos, pós-consumo, gerados no município de São Carlos, SP

Os resíduos poliméricos pós-consumo – embalagens plásticas – se destacam nos resíduos sólidos domiciliares, por apresentarem crescimento de participação no lixo urbano e possuírem características como degradação lenta e volumetria elevada, o que compromete a vida útil dos aterros sanitários. Ressalta-se, ainda, o potencial econômico para reutilização e reciclagem dos resíduos poliméricos. Este trabalho tem por objetivo apresentar a composição percentual, mássica, dos resíduos poliméricos no município de São Carlos, SP. O método adotado para caracterização, para determinação da composição, foi por amostragem, na coleta regular, e pela massa total coletada, na coleta seletiva. Na coleta regular, o número de amostragem compreendeu todos os quinze setores, sendo a massa da amostra obtida por quarteamento. Foi feita uma caracterização no inverno e outra no verão. Destacam-se, nos resultados da coleta regular, os percentuais em massa de 10,47% de resíduos poliméricos, o PET com maior participação (35,96%) nas resinas e o uso preferencial em embalagens para alimentação (56,42%), e, na coleta seletiva, os percentuais de 20,60% de resíduos poliméricos, a resina PET com maior participação (50,64%) e uso preferencial em embalagens para alimentação (66,06%). Os resultados evidenciam a tendência de crescimento de resíduos de PET e do uso preferencial dos polímeros termoplásticos em embalagens para alimentação.