Coleta seletiva em Natal: avaliação de implantação sob o ponto de vista da comundade e dos catadores

O crescimento do espaço urbano provoca necessidades de ampliação dos serviços de infra-estrutura na área de saneamento ambiental. Uma das principais preocupações das administrações municipais é o gerenciamento dos resíduos sólidos em face da necessidade crescente de locais para construção de aterros, dos problemas sociais e de saúde associados à disposição inadequada e formação de depósitos clandestinos que geram desconforto para toda a comunidade.
Em Natal, a partir de dezembro de 2003 foi implantado o programa de coleta seletiva porta a porta numa parceria da Prefeitura com Associações de Catadores. Esse programa teve por objetivo minimizar os impactos sociais decorrentes do fechamento do lixão de Cidade Nova, diminuir os custos para a administração municipal na disposição em aterro sanitário e oferecer um destino adequado aos resíduos recicláveis, gerando renda as famílias dos catadores que sobrevivem dessa atividade e prolongando a vida do aterro sanitário da Região Metropolitana e Natal que entrou em operação recentemente.
Este trabalho analisa em dois bairros da cidade de Natal o programa implantado, com relação aos aspectos técnicos e operacionais e de inserção social sob a ótica dos beneficiários diretos desse programa que são a comunidade, privilegiada com o conforto de ter seu material coletado em casa, e os catadores de recicláveis, que tiveram modificado a forma e ambiente de trabalho.
Desde a implantação já foram coletadas 2.327 toneladas até março de 2005 e estão sendo beneficiadas 41 localidades, entre bairros e comunidades da cidade de Natal. Para operacionalizar a coleta seletiva foram capacitados 249 catadores que atualmente estão divididos em três Associações de Catadores e 2 Grupos de Trabalhos autônomos apoiados pela Prefeitura através da URBANA e da Secretaria de Ação Social. Nos bairros onde foi realizado o diagnóstico, 85,8% da população considera a implantação do programa de bom a ótimo e 95% dos catadores preferem estar no programa de coleta seletiva a estar no ambiente inóspito e insalubre de lixão.

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