Indústrias não fornecem dados precisos para inventário de resíduos sólidos

De um universo de 295 empresas industriais e comerciais de pequeno, médio e grande portes analisadas pela Agência Ambiental, somente 135 devolveram os formulários preenchidos à agência. Os formulários deveriam conter informações sobre os tipos de resíduos gerados em 2001, bem como sua quantidade, armazenamento, tratamento e destino final. Destas, apenas 75 foram utilizadas para avaliação da distribuição da quantidade de resíduos sólidos por setor produtivo e classe para compor o Inventário Estadual de Resíduos Sólidos por conter informações confiáveis e com baixa quantidade de erros e imprecisões. O único setor produtivo que n?o pôde ser avaliado foi o curtume, pois todos os questionários enviados apresentaram baixíssimo grau de confiabilidade.


Considerando o universo da amostra destas 75 empresas, apenas 0,3% dos resíduos sólidos gerados que enviaram formulários aproveitáveis é classificado como perigoso. O óleo lubrificante usado foi o resíduo encontrado com maior freqüência e em maior quantidade, representando 49,5% do total gerado. Praticamente todo este resíduo é reciclado ou reaproveitado. As 75 empresas avaliadas foram divididas pelos seguintes setores produtivos: manutenção de veículos coletivos, petrolífero, produtos alimentares, sucroalcooleiros, farmacêutico, químico, têxtil, energia elétrica, mineração, metalúrgico, celulose e papel e criação de animais. A produção total de resíduos sólidos por ano foi de 1.491.374,44 toneladas, sendo 4.404,97 toneladas de resíduos perigosos e 1.486.969,10 toneladas de resíduos não-perigosos.




O inventário é uma exigência do Ministério do Meio Ambiente com o objetivo de definir uma política eficiente e eficaz de tratamento e destinação ambiental dos resíduos sólidos industriais que, além da poluiç?o ambiental, muitas vezes representam sérios riscos à saúde e à segurança pública. Hoje o presidente da Agência Ambiental, Paulo Souza Neto, divulgou um balanço parcial deste trabalho. Segundo ele, os inúmeros problemas detectados nos questionários eletrônicos enviados pelas empresas acabaram comprometendo a qualidade da avaliação preliminar. De acordo com ele, os erros encontrados nos formulários se devem possivelmente ao pouco conhecimento dos responsáveis técnicos das empresas em relação ao gerenciamento dos resíduos sólidos e à falta de uma política interna por parte das próprias indústrias.


Foram encontrados erros nas informações como listagem incompleta dos tipos de resíduos gerados, classificação errônea dos tipos de resíduos gerados, inclusão de resíduos líquidos passíveis de tratamento, erro na estimativa da quantidade de resíduos gerados, aus?ncia de informações sobre a quantidade dos resíduos declarados, preenchimento incorreto do código CNAE, ausência de informações sobre as coordenadas geográficas e ausência de informações sobre o destino final dos resíduos. Para Paulo de Souza, estes problemas já eram esperados, uma vez que esta é a primeira vez que as empresas goianas estão sendo inventariadas. Conforme análise da agência, os resultados apresentados nesta parcial não devem ser tomados como definitivos, pois todos os questionários passarão por correções, além do que ainda restam ser avaliados os questionários de 160 empresas.

Ano da Publicação: 2003
Fonte: Goiás Agora
Autor: Keith Ripley
Email do Autor: keith.ripley@verizon.net

Check Also

Para onde vai o lixo que produzimos?

O Brasil perde bilhões de reais por ano ao não reciclar seu lixo Após evitar …