Lixo e corrupção

Há alguns dias, discutia com um amigo a iniciativa de determinados políticos na implementação de aterros sanitários e incineradoras. Não tinha dúvidas quanto à necessidade daquelas medidas, o que me toldava o pensamento era o interesse de grupos mafiosos.

A questão mafiosa não se colocava no nosso país, e dei-lhe o exemplo dos Estados Unidos quanto à remoção do lixo dos atentados do 11 de Setembro. Há dias, fui surpreendido com as sucatas da zona de Aveiro e a possibilidade de ali terem ocorrido contratos públicos de remoção e reciclagem de lixo obtidos através de favores. Além do que é relatado na Imprensa, nada mais se sabe. A dúvida instala-se e políticos e empresários são arrastados ao ritmo do "linxamento".

Pode existir político que, com o passar do tempo, conseguiu ir de balconista de um banco para administrador, tirando pelo meio uma honrosa licenciatura, mas tal não justifica o julgamento na praça pública. No meio do lixo e das suspeitas de corrupção é preciso salvaguardar o bom-nome dos suspeitos, ainda que sejam políticos. Esperamos que a responsabilidade não seja do guarda da GNR que se diz ter avisado o sucateiro de operações de fiscalização, é que a culpa não pode ser sempre do ‘electricista’, ou melhor, dos pequenos e indefesos.

Gonçalo Amaral, ex-coordenador da PJ

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