A ausência de chaminés na indústria de tecnologia da informação levou a supor que finalmente o processo de industrialização se conciliaria com a preservação do meio ambiente. Mera ilusão. Se não cospem toneladas de fumaça no ar, os fabricantes de produtos de informática são responsáveis por um outro tipo de poluição: o chamado lixo eletrônico, que cresce exponencialmente em todo o mundo, no mesmo ritmo em que aumentam as vendas de computadores e periféricos e, conseqüentemente, o descarte de máquinas consideradas ultrapassadas. Para se ter uma idéia, estima-se que anualmente nada menos que 130 milhões de novos PCs sejam comercializados no planeta.
Formado por aparelhos obsoletos e sucata de placas, circuitos impressos, carcaças de plástico ou fiação, tubos catódicos e displays de cristal líquido, entre outros componentes, o e-lixo contém uma ampla gama de produtos tóxicos e metais pesados, como mercúrio, níquel, cádmio, arsênico, estanho, cobre, cromo e chumbo que podem causar danos ao sistema nervoso, edemas pulmonares, osteoporose e até câncer.
Justamente pelo risco potencial que representam, os resíduos tecnológicos não devem ser descartados diretamente na natureza, sem antes passarem por um tratamento adequado. Entretanto, nem as autoridades públicas nem os fabricantes se ocuparam ainda devidamente do problema, principalmente no Brasil, que nem sequer tem uma legislação específica, atribuindo responsabilidades pela coleta e destinação do e-lixo, como já ocorre em alguns países na Europa.
O resultado da negligência é que a sucata eletrônica termina incorporada ao lixo urbano comum, sendo depositada em aterros sanitários e lixões ou incinerada. É quando libera substâncias tóxicas poluentes responsáveis pela contaminação do ar, do solo, de rios e de lençóis de água subterrâneos.
Felizmente, embora sejam poucos e isolados, começam a surgir casos de empresas preocupadas em desenvolver programas próprios de tratamento do resíduo tecnológico. Além de cumprir com sua obrigação ambiental, fabricantes como Itautec Philco, Toshiba e Epson estão descobrindo formas até de lucrar com a sucata, encaminhado-a para reuso, reciclagem ou reaproveitamento de componentes
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