Mercado da reciclagem se fortalece no País

O tema da reciclagem e da reutilização de resíduos, há alguns anos, deixou de ser mera curiosidade para se tornar prática crescente de empresas e do setor público. Com isso, tem se consolidado um mercado que envolve a coleta, o transporte, a triagem e o processamento de materiais reciclados. Esse segmento vem em expansão: só a indústria recicladora fatura atualmente cerca de R$ 14 bilhões anuais no Brasil, com ritmo de expansão de 30% nos últimos cinco anos, aponta Adriano Assi, diretor da EcoBrasil, organizadora da feira ExpoSucata, que congrega as tecnologias para essa área.

Outros dados do segmento atestam o potencial dos negócios do lixo e da reciclagem. Entre 2010 e 2011, o aproveitamento de resíduos sólidos cresceu cerca de 70% e o número de empresas que passaram a monitorar esses materiais em processos de produção subiu de 81,3% para 94,9%. A coleta seletiva também vem em alta: entre 2000 e 2008, o número de municípios que adotou a prática dobrou. Isso embora apenas 19,5% das cidades pratiquem a separação para a reciclagem, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

As práticas de coleta e processamento dos recicláveis devem ganhar ainda mais impulso, como resultado da Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela Lei 12.305 de 2010 e atualmente em fase de regulamentação. Um dos artigos da legislação determina o fim dos lixões até 2014 e a logística reversa, que determina que as indústrias são responsáveis por seus produtos e embalagens descartados.

O mercado só não está melhor neste ano porque está diretamente ligado à atividade industrial, observa o executivo. "Quando a economia está aquecida, as indústrias produzem mais e geram mais resíduos", afirma. Também poderia haver mais estímulos ao segmento, acrescenta o diretor da EcoBrasil. "Hoje existe bitributação sobre a matéria-prima (o reciclável), que já pagou imposto lá atrás (antes de o item se tornar resíduo)", diz.

Fonte: Leone Farias (Diário do Grande ABC)

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