Naturalmente: Fraldas de algodão ou fraldas descartáveis, que opção utilizar?

Uma criança usa mais de 6000 fraldas até aos 2 anos. Se forem fraldas descartáveis, isto corresponde a mais de 5 árvores abatidas, para uma utilização por um período inferior a 2 horas, que cria um resíduo com mais de 500 anos de persistência.



Apesar do início da produção massiva das fraldas descartáveis datar de 1961, o conceito surgiu muito antes, quando em 1946 foi colocada uma protecção de nylon à volta de uma fralda de algodão. Todavia, esta solução milagrosa para a maioria das mães só viria a singrar nos anos 70 e 80, quando as novas fraldas passaram de produtos ocasionais para produtos de utilização praticamente exclusiva na higiene dos bebés. Nasceu, assim, um dos produtos que revolucionou a vida doméstica, principalmente nos países industrializados, integrado no contexto de simplificação de hábitos e tarefas.



No entanto, nos finais dos anos 80, os produtos de “deitar fora depois de usados” tornaram-se um símbolo da degradação ambiental. As fraldas descartáveis foram dos alvos mais atingidos pelos activistas, que as encararam como o emblema de uma sociedade consumista e como uma das maiores fontes individuais de resíduos acumulados em lixeiras e aterros.



O debate entre defensores de fraldas descartáveis e de algodão tem decorrido desde então, mas aparentemente chegou a um impasse, resultante de conclusões contraditórias extraídas de inúmeros estudos realizados. Apesar deste aparente beco sem saída, os fabricantes, por um lado, e os ambientalistas (agora auxiliados pelas lavandarias de fraldas, que conquistam terreno em muitos países) por outro, não se poupam a esforços para fazerem da sua perspectiva a mais aceite. É que numa sociedade de consumo, controlada pela publicidade, o poder de argumentação revela-se fundamental para o sucesso de qualquer actividade ou iniciativa.



Uma análise que pode auxiliar no esclarecimento desta questão é a “avaliação do ciclo de vida” dos produtos. É uma tentativa de quantificar todos os benefícios e prejuízos por que um produto pode ser responsável ao longo de toda a sua existência, analisando todos os recursos utilizados, a energia consumida e os desperdícios originados, desde a produção dos materiais, passando pela utilização, até à deposição final ou eliminação. Pode-se imaginar que esta não é uma tarefa fácil, tanto no caso das fraldas de algodão, como no das descartáveis, já que se tem de examinar a cultura do algodão e a produção da pasta de papel e do plástico, respectivamente. No primeiro caso, por exemplo, há que contabilizar a produção de fertilizantes químicos e pesticidas, a extracção e transporte da água para irrigação, os fornecimentos de energia para o cultivo e a colheita, o processamento das matérias primas, o fabrico, a manutenção (lavagem), a deposição (em estações de compostagem, aterros, incineradores, etc.), os custos do transporte entre qualquer estágio e a energia requerida para cada um deles. Algumas destas análises revelam não existir qualquer diferença, em termos ambientais, de um produto sobre o outro, pois as fraldas são sempre prejudiciais, embora qualquer um dos sistemas possa ser melhorado.



Mas vamos conhecer alguns dos argumentos e contra-argumentos utilizados nesta questão. Os proponentes das fraldas de tecido trazem para a discussão motivos relacionados com as enormes quantidades de resíduos sólidos produzidos. Se pensarmos que uma criança até aos 30 meses utiliza mais de 6000 fraldas, é fácil perceber a dimensão do problema. Uma vez que estas fraldas apresentam como tempo de decomposição mais de 500 anos em aterros sanitários (pois 30% da sua constituição é plástico), a proporção de fraldas descartáveis só tende a aumentar. Mesmo as fraldas descartáveis biodegradáveis, nas quais é adicionado amido ao plástico para aumentar a sua fragmentação, não são a solução. É que, apesar de reduzido em partículas mais pequenas, a quantidade de plástico e o seu volume continua a ser o mesmo. Para além disso, alguns plást

Ano da Publicação: 2004
Fonte: Projeto Apoema
Autor: Rodrigo Imbelloni
Email do Autor: rodrigo@web-resol.org

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