O gás que vem do lixo, pode e deve ser reaproveitado!

A Petrobrás assinou contrato com a empresa Gás Verde para comprar o gás resultante da decomposição do aterro sanitário de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. O aterro sanitário Jardim Gramacho, já existe há 30 anos, recebeu uma demanda de lixo de 9 milhões de pessoas, durante esse período e será fechado dentro de dois anos.

O gás é retirado do lixo, separado o metano e o gás carbônico, e transportado por um ducto de 6 km até a Refinaria de Duque de Caxias (REDUC), que substituirá o gás natural, que vinha utilizando, pelo adquirido no aterro, para o seu insumo energético.

A REDUC é uma das mais importantes refinarias da Petrobrás, possui uma área de 13 km 2, comercializa 52 produtos e paga ao governo cerca de R$ 4,8 bilhões através de impostos.Mesmo com o fechamento do aterro a produção do gás, que deve começar no final desse ano, deve se prolongar por mais quinze.

A utilização desse gás, que fatalmente, chegaria a atmosfera, renderá créditos no mercado internacional de carbono. Uma parte do dinheiro, obtido com a venda do gás, vai para as prefeituras de Duque de Caxias e Rio de Janeiro, projetos ambientais e para um fundo para os catadores de lixo do aterro sanitário.

A Petrobrás almeja alcançar algumas metas com a iniciativa, entre elas estão:

– reduzir as emissões atmosféricas de gases causadores de efeito estufa (GEE)
– tratar 2 milhões de litros/dia de chorume (substância tóxica proveniente do processo de decomposição de matéria orgânica)
– recuperar a cobertura vegetal da área do aterro, estimada em 3 milhões m2
– contribuir para a recuperação dos manguezais adjacentes ao perímetro do aterro, com cerca de 4 km lineares
– implantar um plano de ação social, visando à melhoria da qualidade de vida dos atuais catadores de lixo.

E com isso todo mundo fica feliz: o presidente Lula, o ministro Minc e até eu, eterna insatisfeita com governo e Petrobrás, também fico feliz.

Feliz, porque já achava que nunca veria a Petrobrás apostando em alternativas desse nível, mas contrariando a todas as minhas expectativas: a tecnologia empregada é incrível e a proximidade entre o aterro e a refinaria, tornam o projeto indiscutível, na minha opinião.

Ler essa notícia, reler em diferentes fontes , aumentou minhas esperanças num futuro lógico e sustentável. Fortaleceu minha teoria de que é possível ganhar muito dinheiro, economizar outro tanto e reverter quadros de poluição generalizada investindo no nosso lixo de cada dia.

Observando a realidade local, cada região e infraestrutura devem ser estudadas isoladamente para que só assim se chegue a uma conclusão. Apenas uma resposta não definirá o futuro sustentável do planeta, mas muitas ações implantadas regionalmente podem definitivamente nos tirar desse caminho torto que percorremos para chegar até aqui.

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