O NEGÓCIO DO LIXO

Por Filipe Paiva

O Rio de Janeiro venceu a disputa para sediar as olimpíadas e o custo deste evento ao país está previsto em R$28 bilhões para os próximos 7 anos. Parece muito dinheiro?

Passamos recentemente pela polêmica da importação do lixo reciclável britânico. Empresas brasileiras defendem a prática em base à dificuldade que nosso sistema interno apresenta para separar o próprio lixo no país. Ou seja, importamos quase R$500 milhões/ano em lixo porque a oferta de material selecionado em nosso território não supre a demanda das empresas que o reutilizam.

No caso da cidade de São Paulo, a taxa de reciclagem gira em torno de 6,5%, apesar do potencial de 30%. E o que fazemos com o que não separamos? Arcamos com os custos de incineração ou transporte para aterros fora do município.

Apesar de uma lei municipal paulistana determinar que o depósito seja feito em aterros na própria cidade, pagamos cerca de R$2 milhões por dia apenas pelo transporte de nosso lixo para aterros em municípios como Caieiras e Guarulhos.

Nós paulistanos produzimos 1,5 Kg/pessoa/dia de lixo, cerca de 50% a mais que a média nacional. Uma população de 11 milhões, produzindo 17 mil toneladas ao dia, ao custo de R$720 milhoes ao ano.

Se apenas a capital paulista se conscientizasse e passasse a reciclar, reutilizar e compostar seu lixo, teríamos uma economia de R$8,5 bilhões em 7 anos, além de evitar as agressões ao meio ambiente.

Reduza seu padrão de consumo, evite embalagens de isopor e plástico, converse com o síndico do seu prédio para que seja organizado um sistema de coleta inteligente de material reciclável (30% do total do lixo doméstico) e inicie hoje a compostagem (50% do total do lixo doméstico) dentro de seu apartamento. Os 20% restantes do seu lixo vão depender da sua criatividade artística de reutilização (ou doe para quem sabe aproveitá-los!).

Como disse Antoine Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Pense nisso e faça sua parte.

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