O lixo urbano constitui-se hoje uma preocupação ambiental nos grandes centros urbanos e ainda pouco se conhece sobre os efeitos à saúde causados pela disposição do mesmo a
céu aberto, coleta inadequada e as práticas sanitárias da população em relação a estes resíduos.
Como etapa inicial de um estudo epidemiológico que buscou a relação entre exposição ao lixo e
diarréia em crianças, desenvolveu-se este estudo com o objetivo de conhecer como mulheres, residentes na periferia de um grande centro urbano, definem lixo, bem como as mesmas percebem
a relação entre lixo e doença e entre lixo e outros aspectos ambientais. Em 1999, realizaram-se
entrevistas com treze mulheres, em um bairro da periferia de Salvador, utilizando-se um roteiro
semi-estruturado. Para a análise das entrevistas utilizou-se o aplicativo diaricamp do programa FileMaker. As entrevistadas definem o lixo como tudo que não serve para ser utilizado e o
consideram como um problema quando este se encontra acumulado no ambiente, sendo capaz
de provocar incômodos como mau cheiro ou poluição visual;quando serve como foco da presen-
ça de animais; provoca doenças em crianças e adultos, ou quando o poder para a solução do
problema se desloca da esfera individual para o âmbito coletivo ou institucional.
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