Antigamente, a mudança dos eletrodomésticos nas residências era muito mais espaçada. Comprava-se, muitas vezes em longas prestações, e os aparelhos adquiridos tinham aproveitamento muito maior, por um tempo muito mais amplo. Uma geladeira, por exemplo, chegava a ser herança de família. Com o avanço da tecnologia, notadamente no setor de eletrodomésticos e de outros eletroeletrônicos, esse tempo se reduziu drasticamente, não necessariamente porque o tempo de vida útil do equipamento diminuiu, mas porque o mercado está continuamente renovando os modelos e fazendo com que o mais antigo pareça obsoleto. Esse é um fenômeno não mais contado em termos de anos, mas agora em torno de meses, não mais que isso para, exemplificando, surgir um novo celular com múltiplas e novas funções ou um novo computador, menor, mais leve, com mais memória e velocidade e novas facilidades na Internet.
Também a expansão do crédito, que tem seu lado saudável para o crescimento da economia, contribui para que todas as classes sociais adquiram novos produtos eletroeletrônicos e descartem aqueles que adquiriram e que se tornaram superados pelas novos lançamentos. O mercado de celulares é ilustrativo. Os primeiros aparelhos eram num formato maior e mais pesado. Foram diminuindo e hoje já são vendidos em tamanhos diminutos, cabendo na palma da mão.
A questão que fica é o que fazer com os aparelhos descartados, muitos tóxicos. Hoje, estima-se que no mundo todo haja um descarte de 50 milhões de toneladas anuais de lixo eletrônico. Alguns países europeus já elaboraram legislação ambiental regulando essa questão, mas, no Brasil, esse debate é bastante recente. Outro ponto em aberto é a quem cabe a responsabilidade pelo material descartado: ao consumidor, às empresas ou ao governo.
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