As embalagens biodegradáveis são uma das mais recentes alternativas que vêm despertando o interesse de pesquisadores brasileiros. As tradicionais embalagens de plásticos sintéticos, embora garantam a proteção desejada para diversos tipos de produtos, causam sérios problemas ao meio ambiente por não serem biodegradáveis. Na Unicamp, o assunto está sendo estudado por uma equipe do Laboratório de Engenharia de Processos da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), composta pela professora Florencia Cecília Menegalli e pelas pós-graduandas Delia Rita Tapia Blácido e Eliane Colla. A partir da farinha de amaranto (leia texto nesta página), Delia Rita chegou a um biofilme comestível. "Estudamos a viabilidade de desenvolvimento do produto, além de incentivar o cultivo do amaranto no Brasil", explica Florência.
A pesquisa rendeu a dissertação de mestrado "Elaboração e caracterização de biofilmes à base de farinha de amaranto", orientada pela professora Florencia, co-orientada pelo professor Paulo Sobral da USP (Pirrassununga) e apresentada, em março último, junto à FEA. Além desta pesquisa, o projeto também ganhou força dentro do Programa de Cooperação Cyted, que reúne países como Portugal e Espanha no desenvolvimento de biofilmes de origem natural.
Peruana, Delia Rita explica que desde menina viu o amaranto ser ingerido durante as refeições em seu país. "Lá utilizamos como cereal no café da manhã", afirma. Trata-se de um produto barato, com elevada qualidade protéica e alta concentração de carboidratos. "Seu valor nutricional chega a ser superior ao de outros cereais". Com isso, além de desenvolver um produto que não fosse nocivo ao meio ambiente, a equipe também conseguiu um filme que pode ser ingerido pelo consumidor e fazer bem à sua saúde.
O desafio maior, segundo Florência, é conseguir um material com propriedades mecânicas e de barreira equivalente aos utilizados tradicionalmente. "Os plásticos sintéticos possuem a vantagem da resistência mecânica, ou seja, protegem muito bem o produto". No caso dos biodegradáveis, explica a professora, a resistência é menor e a solubilidade é muito maior. No entanto, os biofilmes à base de amaranto possuem excelentes propriedades de barreira à umidade e à migração de solutos importantes para a conservação dos alimentos. Justamente neste item é que Delia Rita está prosseguindo a pesquisa como doutoranda na FEA. Ela pretende adicionar outros bio-polímeros à farinha de amaranto com a finalidade de melhorar a resistência mecânica. Já Eliane Colla deverá adicionar outros lipídeos com a finalidade de conseguir melhorar ainda mais as propriedades de barreira.
Uma das sugestões para o uso deste biofilme comestível é para a cobertura, aplicada diretamente na superfície dos alimentos. Florencia cita como exemplo frutas perecíveis como os morangos ou outras do gênero. "A embalagem pode até aumentar a vida útil do produto na prateleira, pois com a barreira há perda de umidade e a possibilidade de incorporar agentes anti-microbianos na própria embalagem".
Transformação – Para se chegar ao biofilme, o amaranto passa por diversas etapas de transformação. Primeiro os grãos são macerados em solução alcalina após o qual são moídos e peneirados até se extrair a fibra. Depois da filtragem, faz-se a neutralização e centrifugação da solução para obtenção da farinha de amaranto. A farinha é basicamente composta de amido, proteínas e lipídeos. A partir daí, para a formulação dos filmes é preparada uma suspensão do amaranto a uma dada concentração que é submetida a um processo térmico para sua gelatinização. Em geral, o processo é realizado em 45 minutos. Após o qual é ajustado o pH e adicionado o plasticizante que aumentará a flexibilidade do filme. Neste ponto as misturas são colocadas em suportes e secadas. Só a secagem requer um tempo aproximado de oito horas. Nesta tese, utili
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