Processo de reciclagem de lâmpadas

Por RICARDO RICCHINI IN RECICLAGEM DE LÂMPADAS — 6 JUN, 2015

O termo “reciclagem de lâmpadas” refere-se à recuperação de alguns de seus materiais e o retorno ao ciclo de vida industrial.

Reciclagem de lâmpadas fluorescentes

A maioria dos brasileiros não tem opções de descarte desse tipo de lâmpada

Um processo eficiente de reciclagem inclui desde um competente serviço de informação e esclarecimentos junto aos geradores de resíduos, explicitando como estes devem ser transportados para que não ocorra a quebra dos bulbos durante o seu transporte, até a garantia final de que o mercúrio seja removido dos componentes recicláveis e que os vapores de mercúrio serão contidos durante o processo de reciclagem.

Analisadores portáteis devem monitorar a concentração de vapor de mercúrio no ambiente para assegurar a operação dentro dos limites de exposição ocupacional (0,05 mg/m³, conforme OSHA).

Principais fases do processo de reciclagem

a) Fase de esmagamento

As lâmpadas usadas são introduzidas em processadores especiais para esmagamento, quando então os materiais são separados por peneiramento, separação eletrostática e ciclonagem, em classes distintas:

  • terminais de alumínio
  • pinos de latão
  • componentes ferro-metálicos
  • vidro
  • poeira fosforosa rica em Hg
  • isolamento baquelítico

As lâmpadas são implodidas ou quebradas em fragmentos por meio de britador ou moinho. Isso permite separar a poeira de fósforo contendo mercúrio dos outros componentes. As partículas resultantes seguem para um ciclone, onde são separadas por gravidade e processos eletrostáticos.

b) Fase de destilação de mercúrio

A poeira fosforosa recolhida no filtro do ciclone é enviada a uma unidade de destilação para recuperação do mercúrio. O material é aquecido acima do ponto de ebulição do mercúrio (357 °C) para vaporização, condensação e coleta do mercúrio em recipientes especiais.

O mercúrio pode passar por nova destilação para purificação. Todo o processo ocorre sob pressão negativa para evitar emissões fugitivas.

Destinação dos materiais recicláveis

O vidro, em fragmentos de aproximadamente 15 mm, é limpo, testado e enviado para reciclagem industrial. A concentração de mercúrio no vidro não deve exceder 1,3 mg/kg. Já alumínio e pinos de latão, após limpeza, são encaminhados a fundições; nesses materiais, o limite tolerável de mercúrio é 20 mg/kg.

A poeira fosforosa remanescente é geralmente reutilizada na indústria de tintas, após a extração do mercúrio.

O único componente não reciclável é o isolamento baquelítico presente nas extremidades da lâmpada.

Tecnologia de ponta na reciclagem

A Mercury Recovery Technology (MRT), sediada em Karlskrona, Suécia, utiliza um sistema fechado e a seco instalado em container de 20 pés. O processamento ocorre sob pressão negativa para garantir que não ocorra fuga de mercúrio.

O problema dos resíduos mercuriais

É fundamental manter lâmpadas contendo mercúrio separadas do lixo comum. Caso excedam o limite de toxidade, são classificadas como resíduos perigosos.

Tratamentos como aterramento ou incineração não são recomendados. A reciclagem é a solução mais adequada, pois permite recuperação do mercúrio e reutilização dos componentes.

Custo da descontaminação

O valor do serviço de reciclagem depende do volume, da distância e dos serviços contratados. Além disso, são considerados frete, embalagem e seguro contra acidentes.

Esse custo geralmente é arcado por empresas que possuem programas ambientais estruturados.

Os subprodutos como vidro, alumínio, pinos de latão e mercúrio têm baixo valor de mercado, o que eleva o custo geral da reciclagem e explica o descarte inadequado de muitas lâmpadas.

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