Reciclagem cobre 56% de gastos ambientais da Itautec

Charles Nisz
Especial para Terra Magazine

Mais do que preocupação com o meio ambiente. As empresas estão descobrindo que a sustentabilidade gera bons negócios. Um exemplo são os US$ 18 bilhões dispendidos pela coreana LG para desenvolver negócios sustentáveis e reduzir as emissões suas emissões de gases-estufa em 40%. A tendência pode estar chegando também ao Brasil.

Por meio da reciclagem de computadores e outros aparelhos eletrônicos, a Itautec consegue quantia semelhante a 56% do montante investido em programas ambientais pela empresa todo ano. Segundo João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da empresa, "a reciclagem gera recursos da ordem de R$ 500 mil, mais da metade dos R$ 900 mil investidos anualmente pela empresa em gestão ambiental".

A empresa lançou, nesta quarta-feira (18), um Guia do Usuário Consciente de Produtos Eletrônicos. A publicação foi editada em conjunto com a Gestão Origami, especializada em sustentabilidade e procura orientar o consumidor como escolher, comprar, utilizar e descartar corretamente os aparelhos eletrônicos. Redondo contou que o Guia está disponível na internet e há planos de distribuir a publicação impressa em uma loja de varejo – possivelmente a Fnac.

Em 2003, foi criado um centro de reciclagem em Jundiaí (SP) para recolher produtos eletrônicos usados ou inutilizados, investindo cerca de R$ 500 mil na criação do centro. "Outros R$ 350 mil foram investidos para adequar a linha de produção para a RoHS – diretiva ambiental da União Européia", disse Redondo.

Segundo essa diretiva, os aparelhos eletrônicos não podem conter metais como chumbo e outros compostos químicos tóxicos como bromo e cromo. Além disso, todos os aparelhos seguem a certificação Energy Star 5.0, relacionado com a eficiência energética desses equipamentos.

Outra ação tomada pela Itautec diz respeito às embalagens dos produtos. "Todos os componentes das embalagens são recicláveis e os invólucros estão com tamanho 54% menor", explicou o gerente. Para adequar as embalagens, foram gastos cerca de R$ 3 milhões.

No primeiro semestre de 2010, foram recicladas 337 toneladas de resíduos eletrônicos pela empresa. Isso equivale a cerca de 40 mil equipamentos eletrônicos. Até o fim do ano, deverão ser recicladas 750 toneladas, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para Mário Anseloni, CEO da companhia, "as empresas devem se preocupar com reciclagem, pois o Brasil já é o terceiro maior mercado de PCs do mundo". Anseloni alertou para as necessidades do segmento: "Não há estrutura para reciclar todos os resíduos eletrônicos do Brasil. Mandamos nossas placas para serem tratadas na Bélgica", disse ele.

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