Reciclagem de pneus resolve 2 problemas: o lixo e o habitacional

No Rio Grande do Sul, um projeto de reciclagem resolveu dois problemas graves de um município. Acabou com os pneus velhos que entulhavam o lixão da cidade e reduziu o problema habitacional.



A argamassa feita na betoneira leva mais que areia e cimento. A mistura com borracha moída é usada para fazer placas que substituem os tijolos.

Na fábrica montada na penitenciária, tudo vira material barato para a construção de casas populares. A produção é feita por detentos. A cada três dias de trabalho os presos diminuem um na perna e ainda ganham um salário mínimo por mês. “Qualquer 50 reais que dá é um dinheirinho que entra a mais”, diz um presidiário.



Quanto mais material de construção é produzido menor a montanha de pneus velhos no lixão da cidade. Hoje, a borracha que sai do lixo está nas paredes de duzentas casas de famílias de baixa renda. e ainda ajudou duas instituições do município a ganha sede própria. Na creche, o material foi usado há quatro anos. “Continua cada vez melhor e estamos pensando numa ampliação”, diz uma funcionária.



Com os custos reduzidos, a construção de uma casa com três quartos, sala, cozinha e banheiro sai por 8 mil e quinhentos reais. É 65 % mais barato do que se fosse usado material convencional. Mas para ter direito a uma casa não basta pagar, tem que pôr mãos à obra.



A construção é feita em um mutirão pelos futuros moradores e os funcionários da prefeitura. O militar Sílvio Machado se apressa para terminar a obra e deixar os fundos da casa da sogra. O financiamento não pode comprometer mais do que 20 % da renda da família. “A minha sogra não é tão ruim para mim, mas é sempre bom ter um canto”.



O projeto começou em 98. Do alicerce até a montagem das paredes, a obra fica pronta em uma semana. Marlene foi uma das primeiras a se mudar, durante quinze anos, a família dela gastou metade do que ganhava com aluguel. hoje, até sobra para investir na ampliação da casa própria.



Uma casa de quarenta metros quadrados consome 118 pneus. Na natureza, uma única carcaça de borracha leva mais de um século para se decompor. É um projeto e tanto

Check Also

Novo sistema de câmeras já reduz descarte irregular de lixo na região

Monitoramento implantado em Novo Hamburgo mudou a realidade de um dos principais pontos de descarte irregular da cidade geison.concencia@gruposinos.com.br Quem passa pela esquina das ruas Juarez e Carlos Reinaldo Schmenes, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, dificilmente imagina que, até poucos meses atrás, a calçada era tomada por sacos de lixo, móveis velhos, restos de construção e outros resíduos descartados de forma irregular. O ponto, conhecido pelos moradores pelo acúmulo constante de entulhos, mudou de cenário após a instalação de uma câmera de videomonitoramento voltada à fiscalização ambiental.