Reciclagem em alta

Separar o lixo doméstico faz parte do cotidiano dos alemães que vêem na reciclagem um bem necessário: o reaproveitamento do lixo seco gera economia de energia e contribui para a preservação do meio ambiente.



Foi-se o tempo em que os alemães despejavam todo o lixo em um único lugar. Desde que a reciclagem de embalagens se tornou obrigatória no país, há quase treze anos, muita coisa mudou. Hoje a população separa o lixo doméstico em três recipientes de cores distintas.



O amarelo é usado para embalagens tipo potinhos de iogurte, tubos de pasta de dente e saquinhos de leite, o azul para papéis, jornais e papelão e o preto é para a coleta do lixo comum. Claro, há ainda o lixo para garrafas de vidro, espalhados em diversos pontos da cidade.



O lixo comum é recolhido pelas prefeituras. Já o lixo reciclável é de responsabilidade do Duale System Deutschland – DSD (Sistema Dual da Alemanha), idealizado em conjunto pelos setores da indústria e comércio do país, especialmente para a coleta e reaproveitamento do lixo seco. Com a mudança da lei, em setembro de 1990, os dois setores passaram a ser responsáveis pela reciclagem das embalagens e, por isso, decidiram criar uma firma que administrasse este serviço em todo o território alemão.



Os fabricantes pagam uma licença para o DSD, que é computada no preço do produto e repassada ao consumidor, e têm o direito de imprimir nas embalagens o chamado Grüne Punkt, o selo do ponto verde que identifica o produto como reciclável. O DSD, por sua vez, se encarrega da coleta e reaproveitamento do lixo seco.



Idéia bem sucedida



O sistema dual é um sucesso: em 2002, a reciclagem gerou uma economia de cerca de 67 bilhões de megawatts de energia, além de reduzir a emissão de aproximadamente 1,5 milhões de toneladas de gases poluentes na atmosfera. O presidente do DSD, Hans Peter Repnik, explicou que o sistema dual é um mecanismo que contribuiu para a economia de energia e preservação do meio ambiente: “Três lixos amarelos cheios economizam o equivalente à energia gasta em 24 horas numa moradia”.



Importante colaboração



De nada adiantaria colocar selos indicando o reaproveitamento das embalagens se a população não aderisse à idéia. “O bom resultado dos últimos anos só foi possível graças à participação dos consumidores que se dispuseram a separar seu lixo doméstico sistematicamente”, frisou Repnik.



Em 2002, cada cidadão separou em média 29,5 quilos de garrafas, 28,9 quilos de lixo seco e 18,3 papéis, totalizando 76,7 quilos de lixo. Pode parecer muito mas é bem menos do que a quantidade registrada há 12 anos, quando cada cidadão produzia uma média anual de 95 quilos de lixo reciclável.



O sucesso e o bom exemplo da empreitada tem angariado seguidores, segundo revelou Repnik: “A idéia já foi aderida em 17 países da Europa. Estamos especialmente orgulhosos porque todos os novos países que farão parte da União Européia estão montando sistemas semelhantes de coleta e reaproveitamento do lixo com a nossa ajuda.”


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