Resíduos de cana são combustíveis para cerâmicas

O uso de bagaço ou briquete de cana de açúcar como combustível para aquecer os fornos das cerâmicas gera benefícios para as produtoras de tijolos, blocos e telhas.

Por se tratarem de biomassas renováveis, esses dois combustíveis colaboram com a preservação ambiental. Além disso, essa biomassa também apresenta vantagens no transporte e na disponibilidade.

Na região Centro-Sul do País, onde se concentram a maioria das usinas, o fornecimento é garantido. O analista técnico da Carbono Social, Gabriel Toledo Piza, conta que mesmo com o uso do bagaço nas caldeiras das próprias usinas, ainda há excedente. “A oferta de bagaço é abundante e existem lavouras onde o bagaço é desperdiçado.”

Mas um fator que deve ser levado em conta é a sazonalidade, pois a safra de cana não dura o ano inteiro. E para isso, há solução. A Cerâmica Bom Jesus, de Paudalho (PE), usa briquete como combustível e estoca a biomassa. “Fazemos um estoque para não faltar (briquete) durante a época de entresafra da cana”, diz Mário Henrique, proprietário da empresa.

De acordo com outro analista técnico da Carbono Social, Thales Carra, o bagaço/ briquete tem um bom poder calorífico, embora não tão alto quanto o de outras biomassas. Mas há a vantagem da baixa liberação de cinzas.

Outra facilidade é o transporte e a armazenagem. Tanto o bagaço como o briquete são ensacados, portanto, não há problemas de umidade, insetos ou sujeira. “E para projetos de créditos de carbono não há a necessidade de comprovar a origem renovável do combustível”, completa Carra.

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