Revista Galileu avalia se medalha de lixo eletrônico é, de fato, sustentável

Por Felipe Pontes

A empresa Teck Resources, fabricante das medalhas das Olimpíadas de Inverno de Vancouver, no Canadá, anunciou que reaproveitou lixo eletrônico na composição de parte delas. Galileu procurou uma consultoria para ver se, de fato, a iniciativa faz diferença.

A bióloga Aglair. V. Celestino, da Carbondown, empresa que faz inventários de Gases do efeito estufa (GEE) e compensação de carbono com plantio de árvores nativas. A quantidade de materiais reciclados na fabricação de uma medalha é mínima. A empresa extraiu 6.800 kg de lixo eletrônico para conseguir usar 4,96 kg de metais nas medalhas. Mesmo assim, o benefício é significante. Sem a iniciativa, o gás carbônico emitido na produção das medalhas seria mais do que o dobro. Entenda um pouco do processo no gráfico abaixo:

Embora os percentuais de lixo eletrônico aproveitados sejam baixos, “vale destacar o efeito de conscientização da iniciativa”, segundo Geraldo Aparecido Borin, coordenador do curso de gestão ambiental da PUC-SP. “O fato ajuda a construir um ciclo virtuoso para as questões ambientais, atraindo novos interessados no recolhimento e reciclagem desses materiais”, diz. Felipe Andueza, analista ambiental que faz parte da equipe do site lixoeletronico.org, afirma que a iniciativa “vale a pena, mas poderia ter sido melhor”. “Outros materiais poderiam ter sido aproveitados para outros fins. Ela é mais simbólica, de tão modesta”, diz.

A informação é relativamente animadora. Nesta semana, a ONU publicou um estudo que classificou o Brasil como o país emergente que proporcionalmente mais produz lixo eletrônico. O brasileiro, em média, produz 0,5 kg ao ano. Anualmente, são descartados mais de 40 milhões de toneladas de computadores, celulares e televisores no mundo inteiro. Ainda será preciso conscientizar muita gente para a reciclagem do chamado “e-waste” fazer alguma diferença significativa.

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