Imagine ter de carregar com você todos os resíduos que produz em uma semana? Todos os papéis, as embalagens, os bilhetes, os copos, as latas, os guardanapos? Pois foi exatamente isso o que o grupo Refluxo propôs como experiência artística e de conscientização.
Durante sete dias, Peri Pane, 28, ou Homem-Refluxo, usou uma roupa cheia de bolsos (o parangolixo-luxo), nos quais acumulou tudo aquilo que consumiu. A roupa, inspirada nos parangolés que o artista plástico Hélio Oiticica confeccionou nos anos 60 e 70, foi feita pela estilista Marina Reis, 28.
Ao longo de uma semana, o Homem-Refluxo circulou pela cidade -acompanhado pelos videomakers Daniel Sêda e José Luiz Sampaio, que registraram tudo, e pela produtora Rita Wirtti- e amontoou quase seis quilos de material.
“Jogamos coisas fora e nos esquecemos daquele resíduo, como se ele não fosse de nossa responsabilidade nem afetasse nossas vidas. Por isso criamos o Homem-Refluxo, que evidencia o retorno do lixo. Os resíduos ficam comigo, revelam meus hábitos e dão dimensão àquilo que consumo”, explica Peri.
A reportagem do Folhateen acompanhou a performance do grupo nas ruas de São Paulo, rodeada de olhares curiosos e divertidos de gente que, quando se aproximava e compreendia a performance, se identificava de imediato com a questão. O Folhateen também levou o Homem-Refluxo para conhecer o lixão de Carapicuíba e seus moradores (leia abaixo).
“Percebi que pessoas de diferentes classes sociais têm consciência da reciclagem. Fala-se muito em reciclagem porque há interesse de produtores nesse processo. Mas ninguém fala em redução do consumo, que é o primeiro passo para que a quantidade de resíduos produzida diminua”, conta Peri.
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