Uma luz para o lixo

Discutir energia é sempre bom e necessário, mesmo num Brasil rico em recursos naturais, com fonte predominantemente hídrica, que não é barata. Pelo menos é o que estamos vivenciando agora, com clamores da população e dos empresários.



Sofrimentos a parte, são várias as alternativas de energias, mas nenhuma conseguiu ser mais viável economicamente no Brasil do que a tradicional.



Mas, e o lixo? Não é mais uma alternativa? Certamente, salvo restrições econômicas a serem analisadas. Tal opção salvaria nossos aterros, evitaria doenças, viabilizaria energia para algumas comunidades, enfim, eliminaria inúmeros problemas.



Pesquisas revelam que o nosso lixo, além de rico, é volumoso, fatores primordiais para rodar uma usina de energia.



Municípios da grande Washington (Estados Unidos) possuem alguns incineradores geradores de energia movidos a partir de resíduos sólidos. O sucesso é tão grande que, em 1997 surgiu um problema complicado, mas de explicação simples: a demanda pelo lixo cresceu, tanto em função da elevação do número de incineradores instalados, quanto pela eficiência dos programas de coleta seletiva, que desviam parte dos resíduos para a reciclagem. O resultado foi que faltou lixo para mover todas as usinas.



Como desde 1994 uma decisão da Suprema Corte americana, acabava com o monopólio da coleta de lixo por município, logo prefeituras e empresas privadas possuidoras desse tipo de empreendimento passaram literalmente a roubar lixo uns dos outros.



O nervosismo causado pela falta de lixo, chegou a provocar queda nos preços de coleta, assim como a falência do município de Orange, que investiu cerca de US$ 360 milhões em sua unidade, cuja capacidade instalada consumia três mil toneladas de lixo orgânico por dia.



Apesar dessa história inusitada, podemos pesquisar mais sobre o assunto, principalmente tentando adequar o tema à nossa realidade. Afinal, lixo no Brasil, além de ser um problema, não possui valor agregado.



Albert Gradvohl

Professor de Gestão Econômica Ambiental da Unifor

Check Also

Nepal começou a encher ruas com toneladas de resíduos plásticos com um objetivo: tornar-se mais sustentável

Com mais de 400 milhões de toneladas de plástico produzidas por ano — grande parte em embalagens descartáveis difíceis de reciclar — o Nepal encontrou uma solução surpreendente: transformar esse resíduo em asfalto. O plástico não é simplesmente espalhado pelas ruas, mas incorporado à estrutura do pavimento, e alguns especialistas afirmam que o resultado é até superior ao asfalto convencional. A ideia, já testada em países da Ásia, Europa, África e Américas, ganha força como alternativa sustentável para dois problemas globais ao mesmo tempo.