UNICAMP: Aproveitamento do alumínio das embalagens “longa vida” pós-uso, para proporcionar Comforto Térmico

Objetivo

Utilização do alumínio presente nas embalagens de leite e de outros alimentos “longa vida”, pós-uso, como refletor de calor, para aumentar o conforto térmico nas edificações. Nestas embalagens, o alumínio protege os alimentos da incidência de luz, entrada de oxigênio e de vírus.

Princípio Físico

O alumínio tem a propriedade física de refletir mais de 95% do calor que chega através de radiações, e de emitir menos de 5%, dependendo do estado de polimento de sua superfície.

Beneficiários em Potencial

Habitações precárias, escolas, escritórios, oficinas e etc…(ver figura)

Forma de Utilização

A- Como subcoberturas, sob telhados, na forma de mantas feitas com as caixinhas abertas e coladas lado a lado.

B- Refletindo o calor e a luz solar incidente, na forma de persianas e cortinas.

Em qualquer das formas utilizadas, o material das embalagens não é alterado. Trata-se de uma transformação do material atualmente destinado ao lixo, em material de construção, com uma utilização muito nobre (ver figura). Portanto, é muito melhor do que uma reciclagem.

Composição do Material das Embalagens “Longa Vida”

O material das embalagens “Longa Vida” é constituído de um multilaminado formado por:

De dentro para fora:

– 2 camadas de polietileno.

– 1 camada de alumínio de 0,035 mm de espessura.

– 1 camada de polietileno.

– 1 camada de papelão.

– 1 camada de polietileno.

Com as seguintes participações:

Alumínio: 5%

Plástico: 20%

Papelão: 75%

Considerando-se uma produção anual em torno de 6 bilhões de unidades, teremos as seguintes quantidades de materiais potencialmente recicláveis, desde que fosse possível sua separação completa:

Alumínio: 8.400 ton/ano

Plástico: 33.600 ton/ano

Papelão: 168.000 ton/ano

Devido à forte aderência entre estas camadas, torna-se impossível a separação das mesmas de uma forma econômica.

Cerca de 15% deste total é parcialmente reciclado, recuperando-se a celulose e o polietileno contendo o alumínio, e no qual o alumínio aparece degradado na forma de impureza, ou de enchimento, configurando-se assim uma inversão de valores econômicos. O resto, 85% das embalagens usadas, é enterrado como lixo.

O alumínio consome enorme quantidade de energia elétrica para ser produzido: 14,7 MWh/ton o que totaliza 123.480 MWh “jogados” no lixo. É o que se chama de “eletro-lixo”.

Motivação Inicial do Projeto

Diversos fatos motivaram a origem deste projeto, como segue:

Benefício para a Qualidade de Vida, Saúde e Conforto

Milhões de famílias brasileiras de baixa renda, tem suas habitações cobertas com telhas de cimento-amianto, que se caracterizam por aquecer-se facilmente a altas temperaturas (60 a 70oC) sob a incidência da luz solar, e irradiando seu calor na forma de raios infravermelhos para o interior das residências. A temperatura destas telhas, quando escurecidas pelo tempo, pode ser superior a 70oC, tornando o ambiente interno insuportável. O desconforto térmico é maior ainda nas regiões litorâneas, devido a maior temperatura e umidade relativa do ar.

Tal desconforto tem graves conseqüências para a saúde, afetando gravemente a disposição para o trabalho e muito mais ainda para o estudo.

Sabe-se também que no calor há um aumento da violência. Muito mais ainda quando dentro de casa a temperatura fica muito acima da adequada para o ser humano. Torna-se quase que impossível dormir de dia, para as pessoas que trabalham a noite.

Muitas escolas são cobertas com estas telhas, o que torna o ambiente muito quente, e totalmente inconveniente para as crianças, desestimulado a freqüência e reduzindo o rendimento escolar.

Como agravante, no inverno não protegem os moradores contra o frio, visto que não impedem a saída do calor interno, se existente.

As casas de telhas vãs deixam muito frio entrar pelo telhado, o que causa um desconforto perigoso para a saúde n

Ano da Publicação: 2003
Fonte: Ambiente Brasil
Autor: Rodrigo Imbelloni
Email do Autor: tarbell@uol.com.br

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