EUA fazem apelo pela reciclagem dos celulares

Da maneira que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos considera a questão, um celular descartado é como um voto: sozinho, não pode fazer muito de bom, ou ruim, mas o efeito cumulativo pode ser imenso.



Assim, na terça-feira, em parceria com um grupo de varejistas, produtores e operadoras de telefonia móvel, a EPA introduzirá uma campanha de educação pública cujo objetivo será convencer os consumidores a reciclar os celulares.



Pelos cálculos da agência, até 150 milhões de celulares são tirados de serviço a cada ano. Os aparelhos contêm metais, plástico, vidro e produtos químicos, todos os quais requerem energia para minerar e produzir, e muitos dos quais podem ser perigosos caso terminem em aterros sanitários e seus componentes se infiltrem no solo. Além disso, muitos dos celulares descartados ainda funcionam, e podem ser doados a organizações de caridades ou distribuídos a pessoas pobres.



"Existem benefícios ambientais e de energia significativos em recolocar esses aparelhos na cadeia de produção", disse Matt Hale, diretor da divisão de resíduos sólidos da EPA.



A campanha de US$ 175 mil – "recicle seu celular. É fácil" – vai depender pesadamente de anúncios nas seções de interesses público, especialmente em revistas de tecnologia e estilo de vida lidas por pessoas dos 18 aos 34 anos, que trocam de celular com mais freqüência. Os anúncios enfatizarão razões sociais e ecológicas para reciclar. A agência também planeja produzir um podcast no qual especialistas em reciclagem explicarão de maneira mais aprofundada a metodologia empregada.



A EPA anunciou que realizaria diversas operações de coleta de celulares em 2008, e que postaria em seus sites, entre os quais o http://www.epa.gov, uma lista aberta a buscas de centros que recebem celulares para reciclagem. A organização também distribuirá cartazes com a assinatura da campanha às instituições parcerias, para identificar os pontos de coleta.



"Nosso papel essencial é o de difundir a mensagem de que reciclar telefones é fácil e conveniente", disse Hale, que estima que apenas 20% dos celulares indesejados sejam reciclados ou reutilizados a cada ano.



Esse não é o primeiro esforço da EPA para resolver os problemas dos resíduos gerados pelos produtos eletrônicos. Em 2003, a agência criou a campanha "conecte-se à reciclagem eletrônica", que encoraja a reutilização e reciclagem de computadores, televisores e outros itens eletrônicos de grande porte.



Até recentemente, os celulares – cujo conteúdo em termos de metais e produtos químicos prejudiciais é bastante inferior ao de itens de maior porte – pareciam menos problemáticos. Mas agora o imenso volume de aparelhos em uso e vendidos a cada ano vem criando problemas. De acordo com a operadora de telefonia móvel Sprint Nextel, só nos Estados Unidos existem mais de 240 milhões de usuários de celulares.



Onze empresas – AT&T, Best Buy, LG Electronics, Motorola, Nokia, Office Depot, Samsung, Sony Ericsson, Sprint, Staples e T-Mobile – são parceiras da EPA na campanha. Todas prometeram recolher celulares e promover eventos quanto à reciclagem.



De fato, muitas delas já o fazem. Mark Buckley, vice-presidente de assuntos ambientais do grupo Staples, disse que a cadeira de varejo reciclou mais de 31,6 mil celulares e organizadores pessoais em 2006. O número certamente subirá, ele disse, à medida que os celulares continuam a suplantar a telefonia fixa como forma preferencial de comunicação e que a EPA continua a dar destaque às questões de reciclagem.



"Cada parceiro ainda terá de conduzir um programa próprio", disse Buckley, "mas a EPA está oferecendo uma mensagem padronizada sobre a questão aos consumidores".



A Sprint tem dois programas de reciclagem de celulares. O Sprint Buyback Program permite que os usuários entreguem seus aparelhos descartados em troca de um crédito

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