As Nações Unidas estão trabalhando em um projeto para obterem um acordo mundial sobre o descarte correto de celulares, aparelhos que usam metais pesados. O plano pode ter impacto sobre os custos de produção dos telefones.
A ONU, a indústria da reciclagem, os fabricantes de celulares e as operadoras de telefonia móvel estão trabalhando de maneira conjunta como parte da Convenção da Basiléia, da ONU, sobre o controle e descarte de resíduos. O novo acordo pode expandir compromissos que já estão em vigor na Europa, América do Norte e Japão, nos meses que antecedem uma conferência que vai acontecer em Nairóbi dentro de um ano.
O Bureau of International Recycling (BIR), uma organização sediada em Bruxelas cujos membros incluem o Sims Group, da Austrália, maior empresa de reciclagem do mundo, e a alemã Verein Deutscher Metall-Handler (VDM), afirmam que um acordo mundial abrangente sobre a necessidade de recolher, processar e dispor esse tipo de resíduo se tornou necessário. "Em termos práticos, esperamos que quaisquer projetos criados com base no acordo se tornem sustentáveis e criem rotas estabelecidas para recolher detritos eletrônicos com o objetivo de reciclagem e recuperação", disse Ross Bartley, diretor ambiental e técnico da BIR, à Reuters, de Bruxelas.
A União Européia já tem em vigor um sistema de descarte de resíduos sob o qual os fabricantes de celulares arcam com a maior parte do custo. Nem a ONU, nem a indústria de reciclagem oferecem números sobre os custos que poderiam ser gerados pela adoção do novo acordo. Além de metais pesados tóxicos, celulares contêm metais valiosos como platina, ouro, cobre, alumínio e magnésio, além de plástico.
Um número cada vez maior de eletrodomésticos jogados no lixo vem encontrando espaço no mercado internacional, no qual empresas os adquirem para extrair os metais raros e os componentes caros que contêm, de acordo com dados do setor. As partes remanescentes muitas vezes são jogadas fora de maneira indevida. "Essas rotas de descarte final precisam ser estabelecidas e mantidas da maneira devida", disse Bartley.
Reuters
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