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A invisibilidade do chorume

Diariamente, um adversário insidioso e muitas vezes ignorado emerge silenciosamente de nossos resíduos, tecendo uma rede de contaminação que ameaça rios, lagos, aquíferos e até a água que chega às nossas casas.

Estamos falando do chorume, um líquido tóxico que, apesar de sua gravidade, raramente ocupa o centro das discussões públicas. Mas deveria!

O que é, afinal, o chorume?

Quando pensamos em lixo, lembramos daquilo que vemos: sacos de resíduos, montanhas em aterros ou lixões a céu aberto. No entanto, o verdadeiro perigo reside no que não vemos: o chorume, também chamado de lixiviado ou percolado. É aquele líquido escuro, de odor penetrante e desagradável que se forma pela decomposição da matéria orgânica, pela presença de elevada carga inorgânica e pela infiltração da água da chuva que atravessa a massa de lixo, arrastando consigo os subprodutos da decomposição.

Este líquido não é apenas um problema estético. Ele é um verdadeiro coquetel químico, contendo: metais pesados, amônia em altas concentrações, sais, pesticidas, nitratos, nitritos, restos de fármacos (antibióticos, hormônios, analgésicos), além compostos orgânicos persistentes (moléculas que não se degradam na natureza).

Quando o chorume se infiltra no solo e alcança os lençóis freáticos, rios ou lagos, ele pode comprometer ecossistemas aquáticos inteiros e até o abastecimento público de água. Não se trata apenas de mau cheiro, mas de riscos sérios e reais à saúde pública como doenças, distúrbios hormonais, contaminação da cadeia alimentar e danos irreversíveis à biodiversidade.

A Legislação Existe, Mas a Prática Falha

O Brasil não carece de arcabouço legal para abordar a emblemática questão. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) preconiza o tratamento ambientalmente correto dos resíduos. A Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997) e a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) reforçam a proteção da água como prioridade. Adicionalmente, resoluções do CONAMA — em particular a nº 357/2005 e a nº 430/2011 — são explícitas: efluentes perigosos, como o chorume, não podem ser simplesmente diluídos; eles exigem tratamento específico e robusto.

Contudo, a realidade no Brasil ainda mostra uma prática preocupante: o chorume é frequentemente armazenado em lagoas, muitas delas improvisadas dentro dos próprios aterros, ou é encaminhado para estações de tratamento de esgoto doméstico (ETEs). O problema é que as ETEs não foram projetadas ou construídas para lidar com a complexidade, periculosidade e a agressividade do chorume. Enquanto conseguem remover matéria orgânica comum, são absolutamente ineficazes contra a carga inorgânica, pesticidas, metais pesados, compostos nitrogenados, ácidos húmicos ou fármacos. O resultado? O problema não é resolvido; é apenas maquiado, “diluído para a eternidade” nos corpos d’água.

Um Olhar Global: A Luta Contra os Poluentes Emergentes

Lidar com o chorume é um desafio global. Muitos países têm endurecido suas regulamentações para o tratamento de lixiviados, impondo limites cada vez mais rigorosos para substâncias perigosas. Um foco crescente tem sido os poluentes emergentes, como os PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas) — popularmente conhecidas como “substâncias eternas”. Estes compostos não se degradam no meio ambiente e estão associados a sérios riscos à saúde, incluindo efeitos cancerígenos, teratogênicos e mutagênicos. Nos Estados Unidos, na Europa e em algumas partes da Ásia, o debate sobre esses contaminantes, recentemente identificados em alta concentração nos lixiviados de aterros sanitários, é intenso e já molda políticas públicas. O Brasil precisa integrar-se essa discussão técnica para proteger a saúde de sua população e evitar um atraso tecnológico e ambiental.

Números que assustam

A matemática é simples e revela a dimensão do problema: em regiões com uma pluviosidade média de 1.500 mm/ano, cada indivíduo gera indiretamente entre 0,2 e 0,4 litros de chorume por dia apenas com o lixo que descarta. Multiplicando essa quantia pelos mais de 200 milhões de brasileiros, chegamos a dezenas de milhões de litros diários. É o equivalente a encher várias piscinas olímpicas com um líquido tóxico e perigoso, dia após dia.

O que precisamos encarar

Dar visibilidade ao chorume gerado por lixões ou aterros sanitários é olhar para a face mais oculta da crise dos resíduos sólidos urbanos. Não basta encerrar lixões ou enterrar adequadamente os resíduos em aterros sanitários e achar que o problema desapareceu. É preciso implantar soluções tecnológicas adequadas, para o tratamento eficaz do chorume, especialmente contra poluentes emergentes e substâncias não degradáveis.

Fiscalização rigorosa e contínua garantindo que as normas sejam cumpridas e desenvolvimento de políticas públicas robustas que tratem esse efluente com a seriedade e o rigor que ele demanda. Ignorar o chorume é fechar os olhos para um passivo ambiental silencioso, mas com potencial devastador. Enfrentá-lo, por outro lado, é um passo decisivo para assegurar rios mais limpos, cidades mais seguras e um futuro menos tóxico para todos nós.

Autor: Prof. Dr. Humberto Junior

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Link matéria original: https://saneamentobasico.com.br/acervo-tecnico/invisibilidade-do-chorume-legislacao-ambiental/

39 municípios de Goiás podem ser indiciados por manter lixões irregulares –

Ao menos 39 municípios goianos podem ser indiciados nos próximos dias por falta de destinação correta dos resíduos sólidos das cidades, conforme informou com exclusividade ao Jornal Opção o delegado titular da DEMA, Luziano de Carvalho. “Nós vamos indiciar por não ter licença. Isso é crime. Só de não ter a licença é o suficiente para que a pessoa mude e faça a adequação”, afirmou o delegado.

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39 municípios de Goiás podem ser indiciados por manter lixões irregulares –

A má separação de resíduos na origem dificulta a coleta e o processamento.

Na vila de Xuan Phuong e em outras localidades da província, o problema do lixo não separado persiste, com aproximadamente 110 toneladas de resíduos misturados sendo transportados semanalmente para o aterro sanitário. Apesar dos esforços das cooperativas ambientais locais para promover a separação do lixo, os moradores continuam descartando indiscriminadamente diferentes tipos de resíduos, desde restos de comida até plásticos e roupas velhas.

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A má separação de resíduos na origem dificulta a coleta e o processamento.

Cidades chinesas transformam resíduos em recursos para um futuro mais verde

No passado, operadores monitoravam manualmente fornos de resíduos, mas hoje, inteligência artificial e sensores orientam a incineração em tempo real, aumentando a eficiência e reduzindo emissões. Em 2024, a eletricidade gerada a partir do lixo em Hangzhou atingiu 2,3 bilhões de quilowatts-hora, significando que uma em cada 50 unidades de energia doméstica veio dos resíduos.

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Os lixões clandestinos que se espalham pela Inglaterra

Centenas de aterros sanitários ilegais estão invadindo a zona rural inglesa, incluindo pelo menos dez “superlixões” que acumulam dezenas de milhares de toneladas de resíduos, conforme revelou investigação da BBC. Após a publicação da reportagem, dois homens foram detidos em Kidlington, Oxfordshire, sob suspeita de operarem lixões clandestinos.

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Os lixões clandestinos que se espalham pela Inglaterra

Monitoramento 24h e uso de GPS garantem execução das rotas de coleta em Porto Velho

O monitoramento 24 horas e o uso de tecnologia GPS garantem que a coleta de lixo em Porto Velho seja realizada com precisão, permitindo acompanhamento em tempo real das rotas executadas pelos caminhões. Este sistema avançado assegura que todos os bairros sejam atendidos conforme cronograma, facilitando também a fiscalização dos serviços prestados à população.

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Reciclagem dá desconto no Imposto de Renda em 2026; saiba como economizar

Com foco na economia circular, o Ministério da Fazenda revoluciona o setor de reciclagem brasileiro ao regulamentar a “Lei Rouanet da Reciclagem”, que permite empresas deduzirem até 1% do Imposto de Renda em projetos ambientais. A Reforma Tributária complementa este avanço, isentando materiais reciclados do Imposto Seletivo e facilitando o aproveitamento de créditos tributários para cooperativas, marcando 2026 como um ano de transformação para a gestão de resíduos no país.

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Um ciclo virtuoso (e sustentável)

Com uma população de mais de 213 milhões de habitantes, o Brasil gera 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos anualmente, segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente. Apenas 59,7% desse volume é coletado e destinado adequadamente a aterros sanitários, revelando um preocupante índice de reciclagem no país.

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Um ciclo virtuoso (e sustentável)

Santos transforma 330 mil garrafas PET em solução contra enchentes – Juicy Santos

Santos inova na infraestrutura urbana com a implementação de pisos fabricados a partir de plástico reciclado, transformando resíduos em soluções sustentáveis para a cidade. Este projeto revolucionário não apenas reduz o impacto ambiental dos plásticos descartados, mas também cria espaços públicos mais duráveis e ecologicamente responsáveis.

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Preocupación por monumental botadero de ropa usada en Chile: miles de millones de toneladas

El desierto de Atacama, uno de los ecosistemas más áridos del planeta, enfrenta una crisis ambiental sin precedentes al convertirse en el mayor vertedero de ropa del mundo. Miles de toneladas de prendas usadas y nuevas se acumulan en sus paisajes, creando un problema de contaminación que amenaza este frágil entorno natural.

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